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Stranger Things: o fenômeno que redefiniu o poder da Netflix no entretenimento global

Publicado 29/11/2025 • 06:20 | Atualizado há 14 minutos

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Desde sua estreia em 2016, Stranger Things se tornou um dos maiores acertos da história da Netflix. Criada pelos irmãos Duffer, a série transformou-se em um verdadeiro fenômeno cultural, com repercussão que ultrapassou a tela e alcançou múltiplos setores da economia criativa.

Misturando nostalgia dos anos 1980 com elementos de suspense, ficção científica e drama adolescente, a produção não apenas conquistou públicos de diferentes faixas etárias, como também consolidou um novo modelo de sucesso dentro do streaming.

A relevância da trama para a Netflix pode ser medida por seu impacto em diversos indicadores estratégicos da empresa. Nos lançamentos das novas temporadas, especialmente da terceira e quarta, o número de assinantes e o engajamento global dispararam.

Na estreia da quarta temporada, em maio de 2022, a série atingiu 287 milhões de horas assistidas em um único fim de semana. Já na estreia da quinta e última temporada, em 2025, a demanda foi tão intensa que a plataforma ficou fora do ar por cerca de 25 minutos em diversos países, incluindo Estados Unidos e Brasil, segundo relatos de usuários e do Downdetector.

Além do sucesso de audiência, Stranger Things também movimentou um ecossistema lucrativo de produtos licenciados. Marcas como Coca-Cola, Nike, Havaianas, McDonald’s, Lego e MAC lançaram coleções especiais inspiradas na série. A colaboração entre a Netflix e a varejista Target nos EUA, por exemplo, resultou em uma linha exclusiva de brinquedos, roupas e itens de decoração.

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A multinacional Kellogg’s também chegou a lançar cereais com embalagem temática e sabores ligados aos personagens da série.

Estima-se que Stranger Things tenha movimentado mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,33 bilhões, na cotação atual) em receita indireta desde seu lançamento, considerando vendas de merchandising, parcerias comerciais e eventos promocionais, como a experiência imersiva Stranger Things: The Experience, promovida em cidades como Nova York, Londres e São Paulo. Somente com produtos licenciados, a Netflix teria arrecadado cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,67 bilhões), segundo dados compilados por consultorias como a License Global e a NPD Group.

A produção também alterou a forma como o público consome séries em streaming. Diferente de outros títulos da plataforma, que muitas vezes somem rapidamente do radar após o lançamento, Stranger Things mantém relevância contínua com trilhas sonoras, memes, teorias de fãs e impacto nas redes sociais.

A música Running Up That Hill, de Kate Bush, usada em uma das cenas mais emblemáticas da quarta temporada, voltou ao topo das paradas globais quase 40 anos após seu lançamento original, refletindo o poder de influência da série.

Stranger Things também consolidou uma nova geração de estrelas globais, como Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard e Sadie Sink. Além disso, valorizou nomes veteranos como Winona Ryder e David Harbour, promovendo um resgate de atores dos anos 1980 e 1990 para o centro da cultura pop atual. Esse casting estratégico ajudou a conectar públicos distintos e reforçou o apelo nostálgico da narrativa, ampliando sua base de audiência.

Para a Netflix, o impacto financeiro e estratégico da série foi ainda mais relevante em um momento de forte competição no mercado de streaming, com o crescimento de plataformas como Disney+, Prime Video e HBO Max. Stranger Things se manteve como um dos poucos produtos com força para gerar conversas globais, segurar assinantes e estimular novos cadastros a cada nova temporada.

De acordo com a própria Netflix, a quarta temporada foi assistida em mais de 90 países e atingiu o primeiro lugar do top 10 em todos eles.

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