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Agro afirma ter sido responsável por trazer a inflação para meta em 2025
Publicado 09/12/2025 • 12:42 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 09/12/2025 • 12:42 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Unsplash.
Balança comercial
Durante uma coletiva de imprensa virtual para apresentar o balanço do agro em 2025 e as perspectivas para 2026, o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, afirmou que “o agro foi responsável por segurar a inflação”. Segundo ele, o comportamento dos preços dos alimentos — com alta de 6% — evitou pressão maior sobre o índice geral.
A CNA avaliou que o setor evitou um descumprimento das metas de inflação, especialmente diante de uma taxa Selic ainda elevada, em 15% ao ano. Para a entidade, sem o desempenho da produção agrícola, o país enfrentaria risco de política monetária ainda mais restritiva.
Bruno destacou que a apreciação recente do real está mais ligada ao movimento dos Estados Unidos do que a um fortalecimento interno consistente. Ele também alertou para os efeitos da dívida pública, que afetam juros, PIB e investimentos no campo.
O presidente da CNA, João Martins, classificou 2025 como um ano atípico, marcado por recorde de produção mesmo diante de clima adverso e restrições de crédito. “Foi um ano bom”, afirmou.
Ele reforçou que a agricultura brasileira é guiada pela demanda global. Segundo ele, o aumento da procura por milho, impulsionado pelo etanol, é um dos exemplos de como o mercado externo orienta decisões internas. O presidente disse ainda estar satisfeito com a expansão da base produtiva .
Bruno Lucchi e João Martins chamaram atenção para o desmonte do seguro rural. “O seguro é uma das maneiras de garantir estabilidade para a agropecuária”, disse João, afirmando que produtores evitam ampliar coberturas porque as seguradoras não são incentivadas a operar no agro.
A inadimplência preocupa. O crédito rural com taxas de mercado atingiu 11,4% em outubro — o maior patamar desde 2011. Para Bruno, não há dados precisos sobre o perfil da inadimplência e a transparência é limitada: “Não existe dado que permita mensurar claramente esse patamar de 11,4% da carteira.”
As causas incluem eventos climáticos, queda das commodities, custos maiores e políticas de crédito mais duras e a questão do tarifaço.
A diretora Sueme Mori destacou que cerca de 40% dos produtos brasileiros continuam tarifados nos EUA e que o cenário pode se agravar com as novas diretrizes da política comercial americana. Países têm firmado acordos preferenciais com Washington, reduzindo compras de terceiros. A CNA estima impacto anualizado de até US$ 2,7 bilhões caso as tarifas adicionais permaneçam.
Ela citou que o café verde antecipou embarques por causa das tarifas e que a carne bovina sofreu forte impacto. Mesmo assim, houve crescimento no mercado americano em alguns períodos do ano.
A CNA avalia que o avanço do acordo Mercosul–União Europeia em 2026 pode representar riscos para o agro brasileiro. A preocupação central é que a Comissão Europeia quer aprovar apenas o capítulo comercial, deixando de fora dispositivos que trariam equilíbrio ao tratado. Para a entidade, isso abre brechas para salvaguardas e novas exigências sobre produtos agrícolas do Mercosul, especialmente em temas sanitários e fitossanitários.
Segundo a CNA, parte das propostas europeias não está alinhada ao marco regulatório da OMC para medidas SPS (Sanitárias e Fitossanitárias). O bloco tem defendido padrões próprios — e mais rígidos — para resíduos, bem-estar animal, rastreabilidade e monitoramento ambiental. Como essas regras não são harmonizadas internacionalmente e refletem realidades de países de clima temperado, podem se transformar em barreiras técnicas, com impacto direto sobre exportações como carnes, soja e outros produtos agrícolas.
A China segue como destino central do agro, mas 2026 deve ser um ano de pressão. O país investiga importações de carne bovina e pode aplicar salvaguardas que atingiriam todos os fornecedores. Como o Brasil responde por cerca de 50% das compras chinesas, qualquer mudança tende a ter impacto direto sobre preços e volumes exportados.
A CNA também vê risco na relação entre China e Estados Unidos. Caso Pequim aceite ampliar as compras de soja americana, o Brasil pode perder espaço no seu maior mercado. Esse movimento já preocupa tradings e produtores, especialmente em um cenário de margens mais apertadas.
Outro ponto monitorado é o 15º Plano Quinquenal chinês. O documento prevê fortalecer a produção doméstica, reduzir a dependência de importações e criar regras mais rígidas para produtos estratégicos. Entre as medidas está o incentivo a alternativas ao farelo de soja na nutrição animal — algo que, no longo prazo, pode reduzir a demanda pelo grão brasileiro.
As projeções mostram que o Valor Bruto da Produção (VBP) deve alcançar R$ 1,57 trilhão em 2026, avanço de 5,1% em relação a 2025. O segmento agrícola deve responder por R$ 1,04 trilhão, beneficiado pelo aumento de produtividade em grãos. Já a pecuária tende a atingir R$ 528 bilhões, puxada pela recuperação gradual dos preços da arroba e por uma oferta mais ajustada.
Na agricultura, a soja permanece como o principal motor de crescimento. A área plantada deve ultrapassar 49 milhões de hectares e a produção tende a atingir 177,6 milhões de toneladas, avanço de 3,6% sustentado por tecnologia, biotecnologia e maior estabilidade climática. O setor, porém, continua pressionado pelos custos de fertilizantes, logística e armazenagem.
O milho deve ter comportamento distinto. A segunda safra — responsável pela maior parte da produção nacional — deve recuar 2,5%, totalizando 110,5 milhões de toneladas. Somadas as três safras, a produção chega a 138,8 milhões de toneladas, queda de 1,6%. O ajuste reflete redução de área, antecipação do plantio da soja e maior competição com culturas como algodão e sorgo.
O arroz segue como um dos destaques negativos. A área encolheu devido ao consumo estagnado e à pressão sobre preços, resultando em produção estimada de 11,3 milhões de toneladas, queda de 11,5%. A CNA alerta que o país pode depender mais das importações do Mercosul caso o cenário se mantenha, especialmente diante das perdas recentes no Rio Grande do Sul, que responde pela maior parte da colheita nacional.
O café mantém trajetória positiva. A produção de arábica se beneficia de maior regularidade climática e renovação de lavouras, enquanto o conilon avança em produtividade e consolida o Brasil como maior produtor mundial da variedade. As regiões Sudeste e Norte tendem a puxar o crescimento, com melhora na qualidade e capacidade de exportação.
Em culturas de menor expressão, mas relevantes para abastecimento interno, como feijão e trigo, a oferta deve seguir ajustada. A dependência de condições climáticas é elevada, principalmente no Paraná e Rio Grande do Sul, o que mantém volatilidade de preços e margens mais apertadas para os produtores.
Na pecuária, os abates cresceram em 2025, especialmente pela alta participação de fêmeas, chegando a 49,9% do total. O movimento reduz a oferta de animais para 2026 e abre espaço para valorização da arroba. A CNA projeta queda de 4,5% na produção de carne bovina no próximo ano, o que tende a elevar preços e aumentar a competitividade de proteínas alternativas como frango e suíno.
A CNA voltou a defender a investigação antidumping contra a Argentina. Segundo João Martins, Uruguai e Argentina adotam postura agressiva nas exportações. Ele afirma que o problema não está apenas na concorrência externa, mas também na desigualdade interna entre estados brasileiros mais e menos eficientes.
A entidade acredita que poderá comprovar o dano ao produtor brasileiro na nova etapa da investigação.
A CNA listou os principais pontos de atenção para o agronegócio em 2026, reunindo fatores internos e externos que podem pressionar a produção, afetar a competitividade do setor e influenciar diretamente o desempenho econômico do país no próximo ano.
Para a entidade, o Brasil precisa avançar em políticas de gestão de risco e previsibilidade, porque o agro não muda de um ano para outro.
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