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Crise no Irã se agrava após ameaça de Trump e reacende risco de ação dos EUA

Publicado 06/01/2026 • 07:05 | Atualizado há 3 dias

KEY POINTS

  • A instabilidade generalizada, alimentada por uma crise econômica prolongada no Irã, deixou ao menos 29 mortos e mais de 1.200 presos.
  • O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, defendeu o diálogo e prometeu reformas econômicas.
  • As advertências de Trump sobre uma possível intervenção ganharam mais peso após a ação dos EUA contra a Venezuela.

Foto por ATTA KENARE / AFP

Uma grande faixa anti-Israel, retratando a imagem de um combatente palestino e o slogan em persa e hebraico "Voz Infinita da Resistência", foi erguida na Praça da Palestina, em Teerã, em 31 de dezembro de 2025.

Protestos antigoverno generalizados vêm sacudindo o Irã há mais de uma semana, obrigando seus líderes a avaliar opções para conter a instabilidade, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom ao ameaçar uma possível intervenção.

A onda de manifestações, que começou no bazar de Teerã em 28 de dezembro, é alimentada pela crescente frustração com a prolongada crise econômica no país e se tornou cada vez mais violenta nos últimos dias. Pelo menos 29 pessoas morreram e mais de 1.200 foram presas, segundo a Human Rights Activists News Agency, informou a entidade nesta terça-feira. A organização sem fins lucrativos, registrada nos Estados Unidos, se baseia em uma rede de ativistas dentro do Irã para suas reportagens.

De acordo com o grupo, os protestos contra o regime se espalharam por mais de 250 localidades em 27 das 31 províncias iranianas.

Leia também: China, Rússia e Irã condenam ação dos EUA; Macron manifesta apoio

Teerã buscou conter as manifestações. No sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que “os arruaceiros devem ser colocados em seu devido lugar”, declaração amplamente interpretada como um sinal para que as forças de segurança encerrassem os protestos.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou um tom mais conciliador, defendendo o diálogo e prometendo reformas econômicas na tentativa de apaziguar manifestantes que exigem mudanças políticas, combate à corrupção e alívio do aumento do custo de vida.

Entre as promessas está a concessão de um auxílio mensal de 10 milhões de riais (US$ 7) por pessoa, na forma de crédito eletrônico não conversível em dinheiro, para uso em supermercados selecionados, segundo a Reuters, citando a agência semioficial Tasnim. Autoridades também se comprometeram a reformular o sistema de subsídios cambiais do país, passando a oferecer apoio direto aos consumidores, em vez de subsidiar importadores — modelo há muito criticado por ser vulnerável à corrupção.

Ainda assim, a insatisfação popular continuou, ampliando-se de queixas econômicas para uma frustração mais ampla com o regime. Alguns manifestantes passaram a entoar gritos de “Morte ao ditador”, em referência a Khamenei, que detém a autoridade máxima sobre o Estado.

Risco crescente de intervenção dos EUA

A instabilidade reacendeu preocupações sobre uma possível intervenção americana.

Em uma publicação nas redes sociais na última sexta-feira, Trump prometeu que os Estados Unidos defenderiam os manifestantes caso fossem atacados, alertando que Washington estava “armado e pronto” se as autoridades iranianas recorressem à violência contra protestos pacíficos.

O alerta ganhou ainda mais peso após as forças americanas capturarem, no fim de semana, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o levarem a Nova York para enfrentar julgamento nesta semana.

No domingo, Trump afirmou a jornalistas a bordo do Air Force One que as autoridades iranianas seriam “duramente atingidas” caso mais manifestantes morressem. “Estamos acompanhando isso muito de perto. Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão atingidos com muita força pelos Estados Unidos”, disse o presidente.

Analistas da consultoria BMI, unidade da Fitch Solutions, afirmaram que a liderança iraniana pode agora ser mais cautelosa no uso da força contra os manifestantes, observando que Trump bombardeou instalações nucleares do Irã em apoio a ataques israelenses em junho do ano passado.

“Vemos riscos elevados de uma ação dos EUA contra o Irã no início de 2026, caso os protestos se intensifiquem”, disseram os analistas.

A Reuters citou um funcionário iraniano não identificado dizendo que há preocupações de que o Irã possa ser “a próxima vítima da política externa agressiva de Trump”.

A economia iraniana enfrenta dificuldades desde que Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, em 2018 — pacto que limitava o programa nuclear do país em troca do alívio de sanções. O país também sofreu o impacto do endurecimento das sanções após uma guerra de 12 dias com Israel, seu histórico rival regional apoiado pelos EUA.

O rial, moeda oficial do Irã, despencou em dezembro, atingindo um recorde negativo de cerca de 1,45 milhão de riais por dólar no fim de 2025, enquanto a inflação chegou a 42,5%.

A crise econômica prolongada no Irã pode representar um risco maior ao regime do que a possibilidade de uma intervenção americana, afirmou David Roche, investidor veterano e estrategista da Quantum Strategy, à CNBC, na segunda-feira.

“[O Irã] não vai cair por causa de uma intervenção dos Estados Unidos”, disse Roche, citando limitações geográficas e políticas. Segundo ele, protestos sustentados combinados com a deterioração das condições econômicas internas representam uma ameaça mais significativa.

Roche acrescentou que o regime provavelmente sobreviverá a esta rodada específica de manifestações, mas destacou que “eles não têm ferramentas para resolver os problemas econômicos do Irã”.

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