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Romance no trabalho: quando a vida pessoal vira risco para sua carreira
Publicado 07/01/2026 • 10:17 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 07/01/2026 • 10:17 | Atualizado há 2 meses
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Encontrar alguém e desejar se relacionar pode acontecer em qualquer lugar, independentemente do cenário; contudo, o ambiente profissional, em algumas situações, torna-se bastante propício devido ao contexto do trabalho. O convívio diário e a interação intensa, às vezes, se estendem a temas pessoais. Elos profissionais se entrelaçam aos pessoais.
Sentimentos de amizade, admiração e até mesmo de atração podem surgir em meio às tarefas mais comuns do dia a dia. Em um relacionamento entre dois colegas de trabalho, a ética profissional, a transparência e a honestidade devem prevalecer como base da relação, para que ambos se sintam confortáveis no local de trabalho, entendendo que implicações podem decorrer dessa decisão.
Um casal, formado ou não nesse contexto, que compartilha um relacionamento respeitoso, tende a favorecer uma atmosfera harmoniosa, que pode inclusive interferir positivamente no desempenho do grupo como um todo. O inverso, no entanto, também é verdadeiro: se uma das partes não entender que o ambiente corporativo deve ser respeitado e que assuntos pessoais devem ser tratados fora dele, o que seria um romance pode se tornar fonte de estresse e conflito, não somente para o casal, como também para os colaboradores ao seu redor.
O relacionamento pessoal não pode e não deve impactar negativamente as relações profissionais; é necessário compreender e separar esses contextos. Uma maneira eficaz de minimizar possíveis conflitos está na forma como as diretrizes são definidas pela empresa. Ser claro e objetivo no processo de admissão, assim como definir limites e comportamentos esperados, é essencial para uma comunicação assertiva, visto que, em alguns momentos, determinados comportamentos podem ser íntegros e respeitosos com os demais, enquanto outros podem ser vistos como inapropriados ou até mesmo imorais.
Ainda que o envolvimento amoroso faça parte da essência humana, cruzar certos limites traz consequências. Perceber que gestos de interesse não são bem-vindos - que o assédio acontece e, inicialmente, se apresenta de forma sutil e velada - é igualmente importante. Imagine, por exemplo, um gerente que faz comentários repetidos e embaraçosos a um subordinado: além de estabelecer um ambiente de trabalho hostil, esse é um tipo de comportamento que prejudica a autoestima, causando sofrimento psíquico e, consequentemente, baixo desempenho profissional.
O mesmo pode ocorrer ao testemunhar ou vivenciar situações e comentários inoportunos, acentuando de forma expressiva o estresse físico e psicológico; em algumas situações, buscar ajuda e apoio de um profissional auxilia no reconhecimento das emoções, dos limites e na forma de estabelecê-los. A empresa, diante desse cenário, pode e deve intervir para o restabelecimento da ordem e, por meio de normas, procedimentos internos e do código de ética corporativo, adotar ações mais severas, como advertências, transferências ou até o desligamento do colaborador, a fim de estabelecer um convívio mais saudável e funcional.
Outro ponto muito importante é como lidar com questões de saúde mental e emocional quando se tornam de conhecimento público no ambiente profissional; em algumas organizações, quando compartilhadas, podem prejudicar a reputação profissional e a confiança entre os membros da equipe, enquanto a rejeição pessoal reduz as perspectivas de crescimento e a permanência no emprego.
Em torno de um relacionamento, as repercussões não ocorrem apenas em relação ao romance em si; elas afetam diretamente a vida pessoal e profissional dos envolvidos, principalmente quando um rompimento acontece e o mal-estar do ex-casal impacta, mesmo que indiretamente, toda a equipe. Afinal, um dos maiores desafios é reconciliar o coração com a mente (ou o coração com a razão), principalmente nesse contexto, cujo sucesso precisa se basear no respeito e na ética entre as pessoas.
Por fim, o tema relacionamentos é muito discutido; é necessário entender quando não é mais funcional manter-se no mesmo ambiente, uma vez que a relação precisa florescer sem gerar alvoroço, estabelecendo limites e respeito mútuo. No entanto, é indispensável compreender que, no âmbito profissional, as decisões pessoais impactam diretamente a percepção de justiça, a meritocracia e os valores éticos da organização.
Por Amalia Antunes Nogueira - CRP 06/216121 - psicóloga, especializada em Psicologia Positiva e Terapia do Luto e diretora Executiva do Instituto Mariposa de Saúde e Bem-estar
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