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Agricultores paralisam a Europa em protestos contra o acordo UE-Mercosul

Publicado 09/01/2026 • 16:28 | Atualizado há 23 horas

KEY POINTS

  • A aprovação provisória do tratado de livre-comércio entre a UE e o Mercosul transformou as principais capitais europeias em campos de batalha.
  • Milhares de agricultores ocuparam rodovias e centros urbanos para protestar contra o pacto, que consideram uma ameaça direta à soberania alimentar e à sobrevivência do setor rural no continente europeu.
  • Na Itália, a revolta concentrou-se em Milão, onde cerca de 100 tratores bloquearam o acesso à Estação Central e à sede do governo regional da Lombardia.

A aprovação provisória do tratado de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, ocorrida nesta sexta-feira (9), transformou as principais capitais europeias em campos de batalha.

Milhares de agricultores ocuparam rodovias e centros urbanos para protestar contra o pacto, que consideram uma ameaça direta à soberania alimentar e à sobrevivência do setor rural no continente europeu.

França: o cerco a Paris e a invasão da Champs-Élysées

Na França, o movimento ganhou contornos dramáticos com centenas de tratores rompendo barreiras policiais para ocupar a avenida Champs-Élysées. Os manifestantes bloquearam o tráfego ao redor do Arco do Triunfo, utilizando máquinas agrícolas para impedir a circulação de veículos no coração turístico de Paris. A tensão escalou rapidamente entre os produtores e as forças de segurança.

A maior pressão ocorre sobre o presidente Emmanuel Macron, cuja oposição ao acordo não foi suficiente para impedir o avanço da maioria qualificada no bloco. Líderes sindicais como Stéphane Pelletier afirmam que a sensação é de abandono absoluto pelo governo. O setor exige a interrupção imediata da ratificação para evitar o colapso das propriedades rurais francesas.

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Além do tratado, os franceses protestam contra a gestão sanitária de doenças bovinas e os altos custos de produção. O bloqueio de rodovias estratégicas como a A13 resultou em mais de 150 quilômetros de congestionamento. Os agricultores prometem manter o cerco à capital francesa até que o governo apresente medidas concretas de proteção ao campo.

Itália: Milão sitiada e a revolta contra Meloni

Na Itália, a revolta concentrou-se em Milão, onde cerca de 100 tratores bloquearam o acesso à Estação Central e à sede do governo regional da Lombardia. Os produtores italianos estão furiosos com o voto favorável da premiê Giorgia Meloni, que foi decisiva para destravar o acordo após obter concessões financeiras da Comissão Europeia.

Durante os atos na Piazza Duca d’Aosta, os manifestantes realizaram o gesto simbólico de derramar leite no asfalto e descarregar fardos de feno em vias públicas. Eles alegam que a entrada de carne e grãos sul-americanos provocará uma queda insustentável nos preços locais. Para os italianos, o acordo representa uma concorrência desleal e perigosa.

O grupo Riscatto Agricolo liderou os bloqueios, afirmando que os produtos do Mercosul não seguem as rígidas normas fitossanitárias da União Europeia. Os agricultores rejeitam os novos subsídios de US$ 48,6 bilhões (cerca de R$ 262,4 bilhões, na cotação atual) oferecidos pelo bloco, alegando que o montante é insuficiente para compensar a perda de competitividade.

Polônia e Grécia: marchas e bloqueios em rodovias estratégicas

Na Polônia, cerca de mil fazendeiros marcharam pelo centro de Varsóvia horas após a votação desta sexta-feira. O grito de ordem é que o pacto “vai matar a agricultura polonesa”, tornando o país dependente de cadeias de suprimento externas.

O temor é que as pequenas propriedades familiares não resistam à escala de produção do agronegócio sul-americano.

Já na Grécia, o movimento cortou o país ao meio com o fechamento da rodovia que liga Atenas à cidade de Tessalônica. Os gregos intensificaram o bloqueio de pedágios e entroncamentos, permitindo apenas o tráfego de veículos de emergência. A mobilização grega foca no impacto devastador que o acordo pode ter sobre os produtores de laticínios.

O acordo da maioria contra a resistência do campo

A decisão de aprovar o tratado foi tomada por uma maioria qualificada de Estados-membros, isolando a resistência liderada pela França. Países como Alemanha e Espanha defendem o pacto como uma ferramenta de soberania estratégica, visando reduzir a dependência econômica da China e fortalecer o acesso a matérias-primas essenciais para a transição energética.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a data como histórica e garantiu que o texto inclui salvaguardas robustas. Entre as medidas estão mecanismos que permitem suspender importações em caso de desequilíbrio de mercado. No entanto, para os agricultores que seguem nas ruas, essas cláusulas são vistas como promessas frágeis e insuficientes.

Com a assinatura oficial prevista para a próxima segunda-feira (12), no Paraguai, a pressão agora se volta para o Parlamento Europeu. Sindicatos de todo o continente já organizam uma mega manifestação em Estrasburgo para o dia 20 de janeiro. O objetivo é impedir que a ratificação final ocorra sem uma revisão profunda das cotas de importação agrícola.

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