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Profissão influencer: entenda a nova lei assinada pelo governo federal
Publicado 20/01/2026 • 21:06 | Atualizado há 3 horas
Publicado 20/01/2026 • 21:06 | Atualizado há 3 horas
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Divulgação
Nath Finança é uma das influencers mais populares do Brasil
A lei que regulamenta a profissão de influenciador digital e outras atividades relacionadas ao trabalho na internet, sancionada no início do ano, é insuficiente para combater a disseminação de desinformação e vai precisar de mais regulamentação, avaliam especialistas ouvidos pelo Estadão.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em 6 de janeiro a lei 15.325/2026, que reconhece o “profissional de multimídia” como trabalhador multifuncional, com formação superior ou técnica, apto a atuar em criação, produção, captação, edição, gestão e distribuição de conteúdos digitais em diversas plataformas.
Há uma série de atribuições listadas ao exercício da profissão, como o desenvolvimento de sites, interfaces digitais, animações, jogos eletrônicos, publicações digitais, gestão de redes sociais e direção de conteúdo audiovisual.
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O profissional multimídia poderá atuar, segundo o governo Lula, a serviço de empresas e de instituições públicas ou privadas, como plataformas online, produtoras de conteúdo e jogos, emissoras de radiodifusão, agências de publicidade e quaisquer outras que exerçam atividades relacionadas às descritas.
A lei também prevê que um profissional de outra área que exerça as funções correlatas à multimídia poderá pedir um aditivo em seu contrato de trabalho para se enquadrar na nova regulamentação, desde que seja feito com anuência do empregador.
Para a advogada Yasmin Curzi, professora da FGV Direito Rio, a lei é “decepcionante”, já que deixa de prever mecanismos para conter a disseminação de desinformação produzida por comunicadores sem especialização alguma no tema que propagam.
Ela menciona o fato de haver uma diversidade de perfis e canais de médicos e advogados nas redes sociais divulgando conteúdo equivocado sobre determinados assuntos sem que haja uma fiscalização efetiva de organizações de classe.
“Na China, por exemplo, a lei demanda que influencers que falem de saúde, direito ou economia possuam graduação específica nas áreas ou correlatas”, diz ela.
Gustavo Kloh, professor da FGV Direito Rio, diz que a lei não regulamenta apenas o trabalho de influenciador, mas todo o seu ecossistema — e que será preciso “mais regulamentação”.
Isso porque o texto sancionado não especifica qual é a formação mínima para a profissão, e não proíbe nem obriga a inscrição do trabalhador ou produtor de conteúdo num conselho de fiscalização profissional.
“O que se discute é se não seria o caso de limitar a atuação de influenciadores em áreas que são regulamentadas, como direito ou medicina, a pessoas que tenham formação específica na área. A sensação que dá com essa lei é que se trata apenas de um primeiro passo”, diz ele.
O advogado Mateus Puppe, do escritório M.Puppe & Associados, em artigo assinado no Estadão, diz que o avanço com a regulamentação trazida com a sanção da lei “não resolve o ponto central que tensiona o mercado”: quando o conteúdo deixa de ser entretenimento ou comunicação institucional e passa a influenciar decisões sensíveis do público, com potencial de dano patrimonial, sanitário ou informacional.
Ele cita um projeto de lei de autoria do deputado Vicentinho Júnior (PP-TO), que propõe limites à atuação de influenciadores em temas que demandem conhecimento especializado e que possam representar risco.
“A experiência internacional indica que esse debate tende a ir além da figura individual do influenciador, alcançando o ecossistema como um todo”, diz ele no artigo.
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