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72% das empresas não estão preparadas para a Reforma Tributária, aponta levantamento
Publicado 23/01/2026 • 13:36 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 23/01/2026 • 13:36 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A menos de 90 dias do início das primeiras obrigações práticas da Reforma Tributária, 72% das empresas brasileiras ainda não estão preparadas para adaptar seus processos de pagamento a fornecedores, especialmente na emissão, recepção e conciliação de notas fiscais com os novos tributos.
O dado faz parte de um levantamento realizado pela V360, com 355 empresas de médio e grande porte. A amostra é formada principalmente por companhias dos setores de varejo e serviços, indústria, construção civil, agronegócio e tecnologia, com maior concentração na região Sudeste.
Segundo a pesquisa, 33,2% das empresas ainda não discutiram internamente os impactos da Reforma Tributária, enquanto 38,6% iniciaram apenas diagnósticos preliminares, sem plano de adaptação definido. Apenas 28,1% afirmam ter uma estratégia estruturada para a implementação das mudanças.
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A Reforma Tributária altera de forma direta os fluxos de contas a pagar e contas a receber. Os novos layouts da NF-e e da NFC-e passam a incorporar cerca de 200 novos campos, incluindo os tributos CBS, IBS e IS. Embora a implementação completa seja gradual até 2033, todas as empresas precisarão emitir e receber notas já com os novos tributos a partir de janeiro de 2026.
Caso isso não ocorra, as empresas podem enfrentar bloqueio de faturamento e dificuldades no pagamento a fornecedores, com risco de paralisação operacional e impacto direto no fluxo de caixa.
“Não se trata apenas de atualizar o ERP. A Reforma Tributária exige revisão de processos que envolvem as áreas fiscal, contábil, financeira e de tecnologia. Se a empresa não conseguir emitir e liquidar notas, ela pode simplesmente parar”, afirma Izaias Miguel, co-CEO da V360.
O levantamento indica que muitas empresas concentram esforços na emissão de notas fiscais, mas ainda negligenciam o chamado ingresso fiscal, etapa que envolve a recepção, validação e liquidação das notas dos fornecedores. Segundo a V360, esse ponto tende a concentrar parte relevante dos riscos operacionais.
“O mercado está olhando para como emitir notas dentro das novas regras, mas o impacto maior estará no ingresso fiscal. A empresa pode emitir corretamente, mas, se não conseguir liquidar as notas recebidas, o fluxo de pagamentos trava”, afirma Miguel.
Outro ponto de atenção identificado pela pesquisa é a adaptação às duplicatas escriturais, que passam a ser obrigatórias como comprovação eletrônica das operações comerciais. Entre as empresas ouvidas, 32,7% ainda não iniciaram a adaptação a esse processo. Apenas 11,5% realizam o registro de forma regular e automatizada, enquanto 55,8% estão em fase de preparação.
Além disso, 13,1% das empresas ainda dependem majoritariamente de processos manuais na gestão fiscal, o que eleva riscos de erros, retrabalho e sanções. Outras 47,9% operam com estruturas parcialmente automatizadas.
Apesar dos desafios, 38,9% das empresas afirmam já contar com gestão fiscal automatizada e integração com ERPs. Mesmo assim, 67% ainda não utilizam ferramentas de validação automática de documentos fiscais eletrônicos, o que tende a dificultar a adequação às exigências da Reforma Tributária no curto prazo.
“Muitas empresas não previram essa adaptação no orçamento de 2025. Se deixarem para agir no último trimestre, podem enfrentar indisponibilidade de fornecedores e cronogramas inviáveis”, alerta Izaias Miguel.
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