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Economia Brasileira

Indústria farmacêutica deve crescer mais de 10% ao ano no Brasil até 2026 com inovação e políticas públicas

Publicado 09/09/2025 • 09:36 | Atualizado há 9 meses

KEY POINTS

  • Indústria farmacêutica brasileira deve crescer 10,6% em 2026, consolidando posição entre os dez maiores mercados do mundo.
  • Inovação, políticas públicas e novos hábitos de consumo em saúde impulsionam investimentos privados de R$ 16 bilhões e ampliam acesso a medicamentos e vacinas.
  • Setor avança no uso de IA na expansão do varejo e na produção de genéricos, mas ainda enfrenta dependência externa em insumos estratégicos.

A indústria farmacêutica no Brasil mantém trajetória de forte expansão, com projeção de 12% de crescimento em 2025 e 10,6% em 2026, segundo dados do setor. O desempenho coloca o país entre os dez maiores mercados globais, em um ciclo que combina inovação tecnológica, políticas públicas e mudanças nos hábitos de consumo em saúde.

Em 2023, o mercado de medicamentos movimentou R$ 142,4 bilhões, alta de quase 17% sobre 2022, de acordo com a Sindusfarma. Já em 2024, o varejo ultrapassou R$ 220,9 bilhões, segundo a IQVIA, impulsionado por maior demanda por genéricos, suplementos e produtos de bem-estar.

Para Rafael Appel, farmacêutico e diretor científico da Dr. Fisiologia, startup incubada no SUPERA Parque de Ribeirão Preto, os números vão além da performance econômica: “O Brasil vive um ciclo consistente de expansão farmacêutica. Os dados mostram a força do setor, mas também revelam mudanças profundas em inovação, consumo e acesso à saúde.”

Investimentos estratégicos

De acordo com a InvestSP, o setor privado deve aplicar R$ 16 bilhões até 2026, sendo R$ 7,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento e R$ 8,5 bilhões em fábricas e equipamentos.

Paralelamente, a política industrial Nova Indústria Brasil, do governo federal, prevê R$ 300 bilhões em aportes no setor industrial e a meta de garantir que 70% dos medicamentos e vacinas consumidos no país sejam produzidos nacionalmente.

“Esse esforço representa um passo estratégico, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. É um movimento que gera impacto econômico, científico e social”, avaliou Appel.

Consumo e acesso

O avanço da indústria acompanha a expansão da rede de farmácias no país. Enquanto existe uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para cada 4.430 habitantes, há uma farmácia para cada 2.282 brasileiros. Esse cenário favoreceu o varejo, que faturou R$ 220,9 bilhões em 2024, alta de 8,7% em relação a 2023.

Os medicamentos genéricos movimentaram R$ 20,4 bilhões, representando 43% de todos os produtos vendidos, segundo a Abrafarma. Para Appel, isso mostra como as farmácias se consolidaram como espaço de cuidado, ampliando o acesso, mas também exigindo maior integração com o sistema de saúde.

No campo das vacinas, o Ministério da Saúde distribui cerca de 300 milhões de doses por ano, mas 90% da matéria-prima ainda é importada. Apenas 15 fábricas de IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) operam no Brasil, concentradas em instituições como Fiocruz e Instituto Butantã, o que mantém a dependência externa como desafio estratégico.

Novos hábitos e inovação

Mudanças de comportamento também movimentam o setor. Entre 2024 e 2025, as vendas de suplementos cresceram 37%, segundo a Abradilan, enquanto o segmento de produtos para sono deve atingir US$ 3,6 bilhões até 2030, impulsionado pela busca por saúde preventiva.

A inovação tecnológica reforça o ritmo de expansão. 55% das farmacêuticas brasileiras já utilizam inteligência artificial no desenvolvimento de produtos e serviços, e 33% aplicam a tecnologia em análises de doenças.

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“A expectativa é que a inteligência artificial seja determinante para acelerar pesquisas, reduzir custos e aproximar os tratamentos”, conclui Appel.

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