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Lula discursa nesta quarta no fórum que busca ser o ‘Davos da América Latina’

Publicado 28/01/2026 • 11:24 | Atualizado há 2 horas

Mark Schiefelbein/Associated Press

Luiz Inácio Lula da Silva

Em sua primeira viagem internacional de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta quarta-feira (28) no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado na Cidade do Panamá. O evento, promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, tem como objetivo ampliar a integração regional e vem sendo chamado de “Davos da América Latina”.

Durante a visita, o governo brasileiro deve assinar de três a quatro acordos com o Panamá, incluindo um tratado de facilitação de investimentos, com regras para proteção de capital, além de parcerias nas áreas de logística e expansão comercial. A agenda inclui reunião bilateral com o presidente panamenho José Raúl Mulino e declaração conjunta à imprensa.

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A viagem integra a estratégia do Brasil de abertura de mercados e fortalecimento do multilateralismo, em meio ao avanço de tensões comerciais globais. O governo também busca reduzir o superávit brasileiro na balança bilateral, estimulando importações de produtos panamenhos.

No discurso de abertura do fórum, Lula deve defender a cooperação econômica regional e a soberania dos países latino-americanos, destacando a importância de superar divergências políticas. Também participam do evento líderes como Gustavo Petro e Daniel Noboa.

Após o fórum, os chefes de Estado farão visita ao Canal do Panamá, principal hub logístico das Américas. O Brasil é o 15º maior usuário do canal, com 6,8 milhões de toneladas transportadas em 2024. À tarde, Lula e Mulino voltam a se reunir para tratar dos acordos assinados e do papel estratégico do canal para o comércio internacional.

Em paralelo à agenda presidencial no Panamá, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, manteve nesta quarta-feira (28) uma conversa telefônica com o vice-presidente da China, Han Zheng. As autoridades discutiram temas da agenda bilateral e destacaram o crescimento de 8,2% da corrente de comércio em 2025, que alcançou US$ 171 bilhões, reforçando o compromisso de ampliar e diversificar as relações comerciais.

Durante a conversa, Alckmin manifestou preocupação com as salvaguardas aplicadas pela China às exportações brasileiras de carne bovina e ressaltou a importância do setor pecuarista para a economia nacional. Também foram tratadas oportunidades de investimentos em áreas como infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade. Ao final, o presidente em exercício convidou Han Zheng para vir ao Brasil para a próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN).

Veja o que o presidente Lula falou no Forum:

Crise de coordenação regional e paralisia da CELAC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a América Latina e o Caribe enfrentam uma crise de coordenação política e integração regional, marcada pela paralisia da CELAC e pela incapacidade de responder coletivamente a desafios globais. Em discurso, Lula defendeu um regionalismo pragmático, baseado em ativos concretos, democracia e cooperação econômica.

“Nossos escopos se tornaram um pouco vazios como resultado. A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e do Caribe, a CELAC, está paralisada”, afirmou o presidente, ao criticar a falta de declarações conjuntas contra intervenções militares ilegais e a ausência de coordenação diante de crises como a pandemia e o aquecimento global.

Autonomia estratégica e liderança regional

Segundo Lula, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo e o recrudescimento de tentações hegemônicas exigem maior autonomia estratégica da região. Para ele, faltam lideranças regionais com convicção sobre os benefícios de um projeto próprio de inserção internacional.

“Devemos nos concentrar na mobilização dos trunfos ainda inexplorados da região para promover sua inserção competitiva na ordem global”, disse, ao destacar que a América Latina dispõe de ativos políticos e econômicos capazes de dar materialidade ao impulso integracionista.

No campo geopolítico, Lula criticou o uso da força e investidas neocoloniais por recursos estratégicos, defendendo um mundo baseado em quatro liberdades fundamentais: expressão, culto, liberdade contra a pobreza e liberdade contra o medo.

Lula defendeu que a integração regional deve superar divergências ideológicas e se apoiar no pragmatismo “Seguir divididos nos torna todos mais frágeis. Em um mundo envolto em turbulências, o Brasil escolheu o caminho da democracia e da paz”, disse.

Ativos estratégicos da América Latina e do Caribe

O presidente enumerou esses ativos, citando o potencial energético, a diversidade climática e agrícola, a maior floresta tropical do planeta, mais de um terço das reservas mundiais de água doce, ampla biodiversidade e recursos minerais estratégicos para a transição energética.

“Somos um mercado consumidor expressivo, com mais de 670 milhões de pessoas, e não vivenciamos graves conflitos religiosos ou culturais”, afirmou, ao reforçar que a pluralidade democrática da região é um diferencial em um cenário global instável.

Ao abordar o desempenho econômico do país, o presidente afirmou que a estabilidade social, fiscal e jurídica do Brasil tem sido reconhecida internacionalmente, refletindo-se na atração de capital estrangeiro e no fortalecimento do comércio exterior.

“Em 2025, superamos marcas históricas. Nossa corrente de comércio foi de 629 bilhões de dólares”, afirmou, atribuindo o resultado à diversificação de parcerias com economias desenvolvidas e emergentes.

Economia verde e transição energética

Na agenda ambiental, o presidente afirmou que o Brasil está na vanguarda da economia verde, com cerca de 90% da matriz elétrica composta por fontes renováveis e liderança global na produção de biocombustíveis. Segundo Lula, esse posicionamento coloca o país em situação estratégica diante da transição energética e das novas exigências ambientais do comércio internacional.

“Identificamos 90 bilhões de dólares em projetos que vão impulsionar a economia verde”, afirmou. O presidente explicou que essas iniciativas envolvem áreas como energias renováveis, bioeconomia, descarbonização industrial e inovação tecnológica, com potencial de atrair investimentos, gerar empregos qualificados e ampliar a competitividade do país.

Lula acrescentou que o governo trabalha na elaboração de um plano de transformação ecológica, que incluirá um mapa do caminho para reduzir gradativamente a dependência de combustíveis fósseis. Para ele, a transição energética deve ocorrer de forma planejada, combinando crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social, sem repetir modelos predatórios de desenvolvimento.

Integração econômica e acordos comerciais

Sobre integração econômica, Lula ressaltou os avanços recentes do Mercosul, destacando a retomada de uma agenda ativa de acordos comerciais como instrumento para ampliar mercados, diversificar parcerias e reduzir vulnerabilidades externas da região.

O presidente citou a conclusão dos acordos entre o Mercosul e Singapura e entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), além da assinatura do acordo com a União Europeia após mais de duas décadas de negociações. Também mencionou a ampliação do diálogo comercial com economias relevantes como Índia e México.

“O acordo Mercosul–União Europeia abrangerá um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”, disse. Para Lula, esses acordos fortalecem a inserção internacional do Brasil e da América do Sul, ampliam oportunidades para exportações de maior valor agregado e reforçam o compromisso com regras multilaterais, comércio justo e integração produtiva.

Terras raras, minerais críticos e desenvolvimento soberano

O presidente destacou que o debate sobre minerais críticos e terras raras ganhou centralidade no cenário internacional, especialmente diante da transição energética e digital. Para Lula, no entanto, esse debate só faz sentido se estiver associado a um projeto de desenvolvimento que gere valor dentro dos próprios países da região.

Segundo o presidente, a América Latina dispõe de recursos minerais abundantes, incluindo minerais críticos e terras raras, essenciais para tecnologias estratégicas como baterias, energias renováveis, eletrificação e infraestrutura digital. Esses ativos colocam a região em posição privilegiada na economia do futuro, mas também exposta a disputas geopolíticas e interesses externos.

Lula afirmou que não basta exportar matéria-prima bruta, reproduzindo um modelo histórico de dependência. Para ele, esses recursos precisam ser usados para gerar riqueza, empregos, industrialização e desenvolvimento tecnológico local.

“O debate sobre minerais críticos e terras raras só faz sentido se eles servirem para gerar riqueza, empregos e desenvolvimento nos nossos próprios países, e não apenas para exportação de matéria-prima bruta”, disse.

O presidente defendeu que a integração regional pode ser um instrumento para agregar valor a esses recursos, com cadeias produtivas compartilhadas, transferência de tecnologia e políticas industriais coordenadas, evitando investidas neocoloniais e a simples exploração predatória de recursos estratégicos.

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