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Brasileirão 2026 começa com hegemonia das SAFs, investimentos recordes e o desafio da sustentabilidade financeira

Publicado 28/01/2026 • 19:09 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Com um valor de mercado total de 1,78 bilhão de euros (aproximadamente R$ 11,032 bilhões, na cotação atual), o Brasileirão reflete a maturação do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que hoje abrange oito clubes na elite e movimenta cifras antes restritas ao mercado europeu.
  • Em quase cinco anos de vigência da Lei 14.193/21, o Brasil atingiu a marca de 117 clubes sob este modelo jurídico. Na Série A, as SAFs de Cruzeiro, Bahia, Fluminense, Botafogo, Atlético-MG, Vasco, Athletico-PR e Coritiba ditam o ritmo dos investimentos.
  • Para garantir que a entrada de capital não resulte em um colapso financeiro futuro, a CBF implementa nesta temporada o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF).

Rafael Ribeiro/CBF

Taça do Campeonato Brasileiro

O Campeonato Brasileiro de 2026 começa nesta quarta-feira (28) consolidado como a principal força econômica das Américas. Com um valor de mercado total de 1,78 bilhão de euros (aproximadamente R$ 11,032 bilhões, na cotação atual), o Brasileirão reflete a maturação do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que hoje abrange oito clubes na elite e movimenta cifras antes restritas ao mercado europeu.

O Brasil ocupa atualmente a sexta posição no ranking das ligas mais valiosas do mundo, superando mercados emergentes como a Liga Saudita e a MLS (liga norte-americana).

A revolução das SAFs: capital estrangeiro e valuation de mercado

A ascensão das SAFs alterou profundamente o equilíbrio de forças no país. Em quase cinco anos de vigência da Lei 14.193/21, o Brasil atingiu a marca de 117 clubes sob este modelo jurídico. Na Série A do Brasileirão, as SAFs de Cruzeiro, Bahia, Fluminense, Botafogo, Atlético-MG, Vasco, Athletico-PR e Coritiba ditam o ritmo dos investimentos.

Botafogo foi um dos primeiros clubes brasileiros a se tornar SAF, e sob comando do executivo John Textor, fez contratações milionárias e conquistou títulos. Foto: Divulgação/Botafogo

O valor médio dos clubes foi ajustado para R$ 551,72 milhões, um número que reforça a solidez financeira das equipes de elite. Palmeiras e Flamengo continuam elevando a média geral, mas o crescimento orgânico das SAFs é o dado mais relevante deste ciclo.

O Cruzeiro, agora avaliado em R$ 975,7 milhões, exemplifica esse salto: o clube mineiro foi o que apresentou a maior tendência de crescimento de valor de mercado entre 2025 e 2026. Logo atrás, o Bahia, impulsionado pelo City Football Group, atingiu o valor de R$ 744,2 milhões, enquanto o Fluminense, recém-convertido ao modelo empresarial, soma R$ 690,8 milhões.

Ranking de Valor de Mercado dos Clubes no Brasileirão 2026:

  1. Palmeiras: R$ 1,30 bilhão
  2. Flamengo: R$ 1,21 bilhão
  3. Cruzeiro (SAF): R$ 975,7 milhões
  4. Bahia (SAF): R$ 744,2 milhões
  5. Fluminense (SAF): R$ 690,8 milhões
  6. Corinthians: R$ 681,8 milhões
  7. Botafogo (SAF): R$ 632,0 milhões
  8. Atlético-MG (SAF): R$ 609,2 milhões
  9. Red Bull Bragantino (Clube-Empresa): R$ 589,5 milhões
  10. Vasco da Gama (SAF): R$ 586,5 milhões

Sobre este cenário de transição, Guilherme Bellintani, CEO da Squadra Sports e dirigente responsável pela negociação do Bahia com o City Football Group, analisa: “A diferença central no futebol brasileiro não está simplesmente entre ser SAF ou clube associativo, mas entre ser um clube bem gerido ou mal gerido. Na prática, existem quatro tipos de instituição: a SAF bem administrada, a SAF mal administrada, o clube associativo bem administrado e o clube associativo mal administrado. O topo do sucesso é ocupado pela boa SAF e pelo bom clube associativo. Ser SAF, por si só, não garante nada, assim como ser associativo não é necessariamente um problema. O segredo está na gestão, não no modelo jurídico”.

Poder de compra: SAFs dominam o Top 10 de contratações do Brasileirão

O impacto financeiro das SAFs é visível na lista das maiores transferências para esta temporada. O investimento direto de proprietários permitiu que clubes como o Cruzeiro e o Atlético-MG superassem gigantes associativos em janelas pontuais.

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O retorno de Gerson ao Brasil, adquirido pelo Cruzeiro por 27 milhões de euros (R$ 168,2 milhões), estabeleceu um novo recorde histórico para o futebol nacional, simbolizando o poder de fogo do novo modelo de gestão no Brasileirão.

Lista das 10 contratações mais caras para a Série A (Janeiro/2026):

  1. Gerson (Cruzeiro – SAF): 27 milhões de euros (R$ 168,2 milhões)
  2. Vitão (Flamengo): 10,2 milhões de euros (R$ 63,5 milhões)
  3. Mateo Casierra (Atlético-MG – SAF): 7 milhões de euros (R$ 43,6 milhões)
  4. Alan Minda (Atlético-MG – SAF): 7 milhões de euros (R$ 43,6 milhões)
  5. Savarino (Fluminense – SAF): 6,4 milhões de euros (R$ 39,8 milhões)
  6. Tetê (Grêmio): 6,2 milhões de euros (R$ 38,6 milhões)
  7. Hinestroza (Vasco – SAF): 5,2 milhões de euros (R$ 32,4 milhões)
  8. Marlon Freitas (Palmeiras): 5,1 milhões de euros (R$ 31,7 milhões)
  9. Angelo Preciado (Atlético-MG – SAF): 5 milhões de euros (R$ 31,1 milhões)
  10. Guilherme Arana (Fluminense – SAF): 5 milhões de euros (R$ 31,1 milhões)
Cruzeiro anuncia contratação do volante Gerson, ex-jogador do Flamengo. Foto: Divulgação/Cruzeiro

Esse domínio das SAFs no mercado de transferências é contextualizado por Moises Assayag, especialista em finanças no esporte e sócio-diretor da Channel Associados: “Em quatro anos, o país saltou de zero para mais de 100 clubes-empresa, o que mostra que o mercado reagiu bem ao novo formato. No entanto, a sustentabilidade financeira desses projetos ainda depende de fatores como governança robusta, gestão eficiente, captação de investimentos e estruturas de competição mais organizadas. Com estes fatores, é provável que o ambiente se torne mais atrativo para capital privado, já que a previsibilidade de receitas e a valorização de ativos como os direitos de transmissão devem aumentar”.

A terceira onda: a reforma tributária como divisor de águas

A partir de 2026, o debate sobre o modelo associativo ganha contornos de urgência fiscal. Com a Reforma Tributária regulamentada, os clubes que optarem por permanecer como associações enfrentarão uma carga tributária de aproximadamente 10,8% sobre a receita bruta a partir de 2027, podendo chegar a 16% com a contribuição previdenciária.

Já as SAFs estão sujeitas ao Regime Especial (TEF), com alíquota unificada de 6% (sendo 4% federais + 1% IBS + 1% CBS). Essa diferença drástica de tributação é o que impulsiona a chamada “Terceira Onda”.

Cristiano Caús, advogado especializado em direito desportivo e sócio do CCLA Advogados, destaca a inevitabilidade da mudança: “Eu acredito que pouquíssimos clubes permanecerão como associação a partir de 2027, justamente porque o modelo associativo vai ficar mais caro que o empresarial. Primeira e segunda ondas das SAFs ocorreram, na maioria dos casos, por razões financeiras, seja para os clubes fazerem frente às dívidas, sejam para captarem investidores e, consequentemente, alavancagem de desempenho. Raros foram os clubes que migraram para a SAF por motivo de governança. Agora, com a Reforma Tributária, penso que haverá uma terceira onda e a mudança decorrerá da busca de eficiência fiscal”.

Thales Rangel Mafia, Gerente de Marketing da Multimarcas Consórcios, também entende que SAF do Fluminense pode inaugurar uma terceira onda de SAFs no Brasil. “Diferente das primeiras, criadas em cenários de urgência, essa nova fase, envolvendo grandes clubes, se beneficia da observação. A vantagem é aprender com os erros e acertos de pioneiros como Botafogo, Vasco e Cruzeiro, permitindo a estruturação de um modelo de governança mais sólido e a negociação de contratos que garantam os investimentos prometidos, protegendo melhor os interesses e a identidade do clube a longo prazo”, diz.

Complementando a visão técnica, Alécio Ciaralo, referência nacional na tributação aplicada ao esporte, ressalta: “A questão fiscal é um dos fiéis da balança. Os clubes associativos deixam de ser isentos e passam a ser tributados de forma significativa. Mas a decisão de virar SAF ou não exige uma leitura mais ampla: governança, passivos, cultura interna. Tudo isso precisa entrar no radar”.

O papel da Liga e o novo Fair Play Financeiro no Brasileirão

Para garantir que a entrada de capital não resulte em um colapso financeiro futuro, a CBF implementa nesta temporada o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). O projeto limita o gasto com elenco a 70% das receitas na Série A e fiscaliza o endividamento de curto prazo, que não pode superar 45% do faturamento anual.

Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, clube que investiu mais de R$ 50 milhões em infraestrutura recente, defende o rigor regulatório: “Muitos times tem necessidade de virar empresa, incluindo os grandes, que vão precisar desta transformação para sobreviver. Mas muita coisa precisa ser corrigida, em especial com uma lei específica para o fair play financeiro. Hoje ainda temos uma facilidade muito grande para um clube entrar em recuperação judicial e dar um calote generalizado”.

A sustentabilidade é o ponto central para investidores externos. Talita Garcez, sócia do Garcez Advogados, alerta para os riscos de gestões problemáticas: “É inegável que, com a transformação desses clubes em SAF, ao menos inicialmente, houve investimento no futebol, com a chegada de novos atletas e melhora na qualidade do elenco e nos resultados. Entretanto, alguns dos investidores desses clubes acabaram se revelando problemáticos, gerando crises devido ao descumprimento de aportes financeiros, à falta de transparência e à ausência de boas práticas de governança. Esses casos evidenciam a importância de negociações bem conduzidas, investigações prévias e critérios rigorosos na escolha do investidor”.

“A mudança para o modelo de SAF deu um novo rumo para a história do clube, com muito mais profissionalismo e preocupação com os aspectos financeiros”, comenta Adalberto Baptista, gestor da Botafogo SA.

Perspectivas: o Brasileirão como destino final para estrelas

A valorização do Brasileirão mudou a percepção de atletas e agentes. Hoje, permanecer ou retornar ao Brasil é uma escolha financeiramente competitiva frente à Europa. O país deixou de ser apenas um exportador para se tornar um mercado consumidor de elite.

Segundo o estudo da SportingPedia, o Brasileirão lidera a Conmebol com folga, deixando para trás a Liga Saudita (R$ 6,16 bilhões) e a MLS (R$ 7,49 bilhões).

Cristiano Caús analisa essa mudança de paradigma: “Os valores das negociações internas de fato têm causado uma mudança significativa no mercado. Antes clubes e agentes olhavam somente para o exterior como destino de suas maiores estrelas, porém, as negociações nacionais hoje certamente transformaram o Brasil numa opção bastante interessante”.

O otimismo é compartilhado por Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil: “A tendência é de que tenhamos um novo movimento para a constituição de novas SAFs, nao só por conta do fluxo global e natural de formação de grupos acionistas de clubes em diferentes países explorando sinergias, mas também por pressão de clubes de massa ou com grandes torcidas, que vão cobrar dos seus clubes que ‘incomodem’ Flamengo e Palmeiras, por exemplo”.

Por fim, Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, projeta o impacto da futura Liga: “Isso deve acontecer especialmente com a formação da Liga, que deve ampliar receitas e exigir maior profissionalização para competir em alto nível. O futuro aponta para um futebol brasileiro mais estruturado financeiramente, mas o sucesso dependerá da qualidade da gestão em cada projeto”.

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