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Por que o PT evita a CPMI do Master? Depoimento de Vorcaro expõe quem comandava o consignado do banco
Publicado 29/01/2026 • 17:32 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 29/01/2026 • 17:32 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Cada vez fica mais claro por que o PT manteve distância da CPMI do Master. Em seu depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro foi questionado diversas vezes, e de forma repetida, sobre detalhes técnicos envolvendo as negociações com as carteiras de consignados que se tornaram um dos grandes negócios do banco.
Embora tivesse conhecimento das operações em nível macro e a decisão final sobre os negócios fosse sua, Vorcaro demonstrou não conhecer profundamente a operação. A área de crédito consignado estava nas mãos de Augusto Lima, empresário apontado por portais de notícia como próximo ao núcleo do PT na Bahia desde 2019.
“Ele que tocava essa área do consignado”, disse o banqueiro. “Foi criada uma equipe, na época trazida pelo meu ex-sócio, que era o Augusto Lima, e ele formou uma equipe lá dentro do banco para poder fazer essas originações desses créditos. Ao longo do tempo, a gente foi desenvolvendo esse produto, foi crescendo e a equipe foi aumentando, o banco foi aumentando também de tamanho, de patamar e até de volume de originação”, afirmou.
Leia também: Banco Master: Vorcaro, Lula e o contrato milionário com o escritório de Lewandowski
Vorcaro alegou que, como presidente do banco, “não entrava nos detalhes, seja da originação, seja de qualquer questão operacional do consignado”. “A gente realizou ao longo desse período, desses últimos anos, várias sessões para diversos investidores das carteiras que a gente originava, principalmente com o produto CredCesta, que era o principal”, disse.
O CredCesta é um modelo de crédito consignado associado a um cartão voltado a servidores e empregados públicos do Estado da Bahia, em que a cobrança é feita por desconto em folha. Na prática, funciona como uma linha pré-aprovada vinculada a uma margem consignável, usada para compras e serviços. Ao longo do tempo, passou também a dar origem a carteiras de recebíveis negociadas com investidores.
O programa foi instituído pelo governo da Bahia por meio do Decreto nº 18.353, de abril de 2018, que regulamentou a consignação em folha para aquisição de bens e serviços por servidores públicos estaduais. A determinação foi assinada durante a gestão do então governador Rui Costa e criou as bases legais para a operação do programa no Estado. É esse vínculo institucional — de um programa criado no âmbito do governo baiano e mais tarde associado ao crescimento do consignado no Master — que ajuda a explicar por que o assunto ganhou leitura política em Brasília, onde o seu articulador original, Jaques Wagner, hoje lidera o governo no Senado, e seu regulamentador, Rui Costa, ocupa a Secretaria da Casa Civil.
Rui é um dos principais quadros do PT na Bahia e construiu sua carreira política no Estado antes de chegar ao centro do governo federal. Foi governador por dois mandatos e, no governo Lula, assumiu o comando da pasta, responsável por coordenar prioridades do Executivo, articular a agenda com o Congresso e acompanhar projetos estratégicos.
Leia também: ‘Cada passo’: Vorcaro diz que BC acompanhava diariamente o Master antes de decretar liquidação
Após a regulamentação, o modelo se expandiu rapidamente no funcionalismo baiano e passou a ser explorado comercialmente por empresas privadas, em um contexto de reorganização dos ativos ligados à antiga estatal de supermercados da Bahia, a EBAL, que foi privatizada naquele mesmo ano. A partir dessa estrutura, o produto ganhou escala e se tornou uma das principais frentes de geração de receita do Banco Master nos anos seguintes, com expansão para outros estados.
Em 2024, Lima negociou sua saída do banco de Vorcaro e, no ano passado, foi autorizado pelo Banco Central de Gabriel Galípolo a comprar o banco Voiter, rebatizado de Pleno, levando consigo a carteira de consignado do CredCesta. A operação foi validada pelo órgão regulador, que já vinha questionando a gestão do Master. Apesar das explicações de Vorcaro, a oitiva não avançou sobre a atuação específica do ex-sócio mencionado pelo banqueiro.
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