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EXCLUSIVO: Franquias em crise? Entenda o dilema bilionário dos estúdios de Hollywood
Publicado 30/01/2026 • 12:19 | Atualizado há 4 horas
EXCLUSIVO: Franquias em crise? Entenda o dilema bilionário dos estúdios de Hollywood
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Publicado 30/01/2026 • 12:19 | Atualizado há 4 horas
KEY POINTS
Os espectadores encontrarão uma abundância de franquias familiares nas telonas este ano. Mas isso pode não ser suficiente para salvar as bilheterias.
Novos títulos de séries de filmes populares dominam o calendário cinematográfico dos próximos 12 meses. A programação de 2026 conta com lançamentos de Star Wars, Marvel, DC Comics, Toy Story, Super Mario Bros., Jogos Vorazes, Pânico (Scream), Todo Mundo em Pânico (Scary Movie), Minions, Duna e Jumanji.
Propriedades intelectuais (PI) como essas franquias consagradas há muito são uma parte importante de Hollywood, mas tornaram-se vitais em 2026, pois a indústria busca quebrar a marca de US$ 10 bilhões (R$ 52,3 bilhões) em bilheteria doméstica pela primeira vez desde a pandemia.
Contudo, alguns lançamentos de grande nome não estão atraindo as multidões como antes, e especialistas do setor temem que a meta de US$ 10 bilhões esteja fora de alcance este ano para uma indústria pós-pandemia que foi abalada por paralisações na produção, consolidação de grandes estúdios e uma migração do público para o streaming.
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“A dependência de franquias tem sido um pouco mais complicada nos últimos anos”, disse Alicia Reese, vice-presidente sênior de pesquisa de ações da Wedbush. “Sim, há um nível de certeza… mas não é um sucesso garantido. Nunca mais será um home run (sucesso absoluto) de agora em diante, porque as pessoas estão mais exigentes do que antes. Elas sabem o que está por vir. O boca a boca conta mais do que nunca.”
Desde 2010, os 10 filmes de maior bilheteria doméstica têm sido predominantemente filmes de franquia, de acordo com dados da Comscore. Nesse período, entre oito e dez dos filmes lançados a cada ano foram sequências, prelúdios ou remakes. A única exceção foi 2020, quando apenas sete dos 10 maiores filmes foram baseados em franquias, devido ao número de produções adiadas durante os bloqueios da Covid.
E, naturalmente, vários títulos originais que entraram no top 10 tornaram-se franquias nas últimas duas décadas, como Avatar, Frozen, Zootopia, Divertida Mente (Inside Out), Pets: A Vida Secreta dos Bichos e Ted.
“Os estúdios claramente sentem que o conforto do público – de ir ver um filme em que já se sabe, de certa forma, o que esperar antes de entrar na sala – é uma aposta que vale a pena”, disse Paul Dergarabedian, chefe de tendências de mercado da Comscore.
À medida que os estúdios se apoiam na segurança de um público cativo, as vendas de bilheteria tornam-se mais dependentes do sucesso desses filmes de franquia.
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Antes da pandemia, entre 2010 e 2019, os 10 maiores filmes representavam uma média de 30% do total da bilheteria doméstica anual. O destaque foi o ano de 2019, quando esses filmes representaram quase 40% da arrecadação anual. Todos os 10 filmes daquele ano foram baseados em PI, e nove deles geraram mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,23 bilhões) globalmente.
No pós-pandemia, a porcentagem média que os 10 maiores filmes representam no total da bilheteria doméstica anual subiu para 44%.
“Lembro-me de ter essa conversa no final dos anos 90”, disse Eric Handler, diretor administrativo e analista sênior de pesquisa da Roth Capital Partners. “A bilheteria tem sido impulsionada por franquias nas últimas décadas. É assim que as coisas são. Por quê? Porque quando há familiaridade com o conteúdo, há uma chance maior de as pessoas comparecerem, pois existe uma afinidade com uma franquia específica e ela já é conhecida.”
Agora, Hollywood enfrenta a dura realidade do que acontece quando as franquias fracassam.
Dois dos filmes mais aguardados que chegaram aos cinemas no ano passado — Wicked: For Good, da Universal, e Avatar: Fire and Ash, da Disney — ficaram abaixo das expectativas.
O primeiro filme da franquia “Wicked”, lançado em 2024, arrecadou US$ 475 milhões (R$ 2,5 bilhões) nas bilheterias americanas e um pouco mais de US$ 750 milhões (R$ 3,9 bilhões) mundialmente durante sua exibição nos cinemas. Um ano depois, a segunda parte da duologia arrecadou pouco menos de US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) nos Estados Unidos e Canadá e cerca de US$ 525 milhões (R$ 2,7 bilhões) globalmente.
Analistas de bilheteria atribuíram a queda nas vendas a uma diminuição na qualidade entre o primeiro e o segundo filme. Wicked obteve uma classificação de 88% no Rotten Tomatoes, enquanto Wicked: For Good marcou 66%.
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“Avatar: Fogo e Cinzas” tinha uma responsabilidade ainda maior. O grande sucesso de James Cameron, “Avatar”, lançado em 2009, arrecadou US$ 785,2 milhões (R$ 4,1 bilhões) nos Estados Unidos e US$ 2,1 bilhões (R$ 11 bilhões) internacionalmente. Continua sendo o filme de maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 2,9 bilhões (R$15 bilhões) em vendas de ingressos.
Mais de uma década depois, “Avatar: O Caminho da Água” chegou aos cinemas, arrecadando US$ 688,8 milhões nos Estados Unidos e US$ 1,6 bilhão (R$ 15,2 bilhões) internacionalmente, elevando sua bilheteria total para US$ 2,3 bilhões (R$ 12 bilhões).
Mas quando “Fogo e Cinzas” chegou aos cinemas em dezembro, a demanda do público não era tão alta e o fascínio pelas técnicas inovadoras de filmagem de Cameron já havia se dissipado. “Fogo e Cinzas”, que ainda está em cartaz, arrecadou apenas US$ 378,5 milhões (R$ 2 bilhões) nos Estados Unidos e ultrapassou US$ 1 bilhão (R$ 5,23 bilhões) internacionalmente até domingo.
Alicia Reese, da Wedbush, disse que parte do problema pode ser a tentativa de explorar demais uma única franquia.
Tome-se como exemplo o Universo Cinematográfico Marvel da Disney. A franquia foi a queridinha das bilheterias por quase duas décadas, mas enfrentou dificuldades após o clímax de Vingadores: Ultimato em 2019 para produzir sequências de qualidade consistente. Ao mesmo tempo, inundou o mercado de streaming com uma dúzia de novas séries de televisão.
“Se você tentar esticar demais a corda e não der o mesmo nível de atenção aos detalhes, não vai funcionar”, disse Reese.
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Ela também destaca o risco de tentar transformar um interesse de nicho em um sucesso global. Os cineastas devem se manter fiéis à PI original para agradar a base de fãs ou tentar um público mais amplo para um impacto maior?
Reese observou que a nova franquia Duna, da Warner Bros., dirigida por Denis Villeneuve, é um bom exemplo de série que conseguiu encontrar o equilíbrio, agradando aos fãs que já amavam os livros e, ao mesmo tempo, atraindo novos públicos.
“Se for um bom filme, ele atenderá ao público principal e poderá atrair novatos com esse apelo mais amplo”, disse Reese. “Mas, se você buscar o apelo amplo e não atender aos seus fãs principais, eles se voltarão contra você. Isso causará problemas enormes, porque se eles não gostarem do filme, todos os outros ficarão sabendo e também não irão, certo?”
Desde que a pandemia praticamente dizimou a indústria cinematográfica no início de 2020, o número de filmes produzidos para lançamento nos cinemas diminuiu. Como os estúdios produzem menos filmes, eles contam ainda mais com o que percebem como apostas seguras de PIs testadas e comprovadas.
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Em 2024, 94 filmes foram lançados em mais de 2 mil locais, uma queda de 20% em relação aos 120 lançamentos amplos de 2019. Essa queda refletiu nos resultados de bilheteria, que caíram cerca de 23% em relação aos US$ 11,4 bilhões (R$ 59,6 bilhões) registrados em 2019.
Em 2025, houve 112 filmes de lançamento amplo, cerca de 6,6% abaixo dos níveis de 2019, mas a bilheteria ainda ficou mais de 20% atrás.
Analistas de Hollywood apontam vários fatores para explicar por que a bilheteria doméstica continua estagnada.
Há uma escassez de conteúdo para cinema, principalmente filmes de orçamento médio – entre US$ 15 milhões (R$ 78,5 milhões) e US$ 90 milhões (R$ 470,7 milhões). A maioria desses filmes, que tendem a ser dramas, comédias e suspenses, migrou para o streaming, pois são mais baratos de produzir e ajudam a preencher as bibliotecas digitais.
Ao mesmo tempo, os consumidores tornaram-se mais seletivos e a tecnologia doméstica avançou de tal forma que ficar no sofá tornou-se mais atraente.
Por causa disso, estúdios e donos de cinemas começaram a “eventizar” os lançamentos — promovendo os filmes como experiências imperdíveis em formatos premium como IMAX, Dolby Cinema ou 4DX; vendendo mercadorias especiais, como baldes de pipoca temáticos; e organizando eventos associados, como a troca de pulseiras da amizade no lançamento do filme da Taylor Swift.
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Frequentemente, os filmes mais fáceis de promover dessa forma são baseados em franquias conhecidas.
Muitos estúdios também possuem divisões de produtos de consumo e experiências, que dependem do conteúdo cinematográfico para vender mercadorias e alimentar o design de parques temáticos, eventos ao vivo e até navios de cruzeiro.
A Disney construiu áreas inteiras e brinquedos baseados em Star Wars, Marvel, Muppets e Pixar. A Universal também decorou seus parques com suas propriedades — Jurassic Park, Minions, Como Treinar o Seu Dragão — ao lado de franquias licenciadas como Harry Potter e Nintendo.
Franquias amadas e bem cuidadas têm longevidade: a franquia Star Wars não lança um novo filme nos cinemas desde 2019, mas continua sendo uma das principais marcas no imaginário cultural, de acordo com a Fandom, a maior plataforma mundial para fãs de entretenimento.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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