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Grupo Fictor pede recuperação judicial: como ficam os investidores da Fictor Alimentos?

Publicado 02/02/2026 • 20:44 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • O Grupo Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial (RJ) nesta segunda-feira (2).
  • Embora tenha mais de 30 investimentos bilionários em seu portfólio, o conglomerado encara problemas de liquidez. 
  • Segundo advogados, a Fictor Alimentos ainda pode ser impactada caso haja consolidação substancial ou processual, conforme citado anteriormente. 

Foto: reprodução/Instagram.

O Grupo Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial (RJ) nesta segunda-feira (2). Embora tenha mais de 30 investimentos bilionários em seu portfólio, o conglomerado encara problemas de liquidez. 

Nesse sentido, a crise começou após a tentativa de compra do Banco Master. No dia 17 de novembro de 2025, o conglomerado liderava um consórcio que anunciou a oferta de compra e administração do banco de Daniel Vorcaro. No entanto, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da instituição já no dia seguinte. 

Consequentemente, a Fictor Holding e a Fictor Invest acumularam cerca de R$ 4 bilhões em dívidas. Diante disso, as ações da Fictor Alimentos (FICT3) caíram 38,60% nesta segunda-feira (2), fechando o pregão cotadas a R$ 0,70, após a divulgação do pedido. 

Leia também: Quem é o Grupo Fictor, empresa que entrou em recuperação judicial após crise do Banco Master

Os próximos passos da recuperação judicial

Em meio às mudanças do Grupo Fictor, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC conversou com especialistas para entender qual o futuro do conglomerado. 

As demais empresas do conglomerado estão incluídas na recuperação judicial?

A recuperação judicial atinge a Fictor Holding S/A e a Fictor Invest LTDA. Na prática, isso significa que as demais empresas vinculadas ao grupo não entram automaticamente no processo de recuperação judicial.

Contudo, “em regra, após análise da constatação prévia elaborada pelo administrador judicial, pode haver eventual inclusão [das demais empresas] no futuro”, afirmam Aislan Rocco e Edgar Barbosa, advogados e sócios do escritório Barroso Advogados, especializados em Recuperações e Falências.

Leia também: Fictor, que fez proposta pelo Master, pede recuperação judicial

Pode haver consolidação de ativos e passivos?

O procedimento de consolidação de ativos e passivos diz respeito ao agrupamento de demonstrações financeiras de uma controladora e suas empresas controladas. Quando utilizado, mostra todos os números como de uma única instituição e serve como indicador da saúde financeira de um negócio. 

Em geral, o processo de RJ no Brasil não pressupõe a consolidação automática de ativos e passivos entre empresas do mesmo grupo. Ou seja, cada CNPJ deve responder por suas obrigações próprias. 

Contudo, abre-se exceção a essa regra mediante decisão judicial específica. Esse cenário pode acontecer quando o Judiciário identifica situações como: confusão patrimonial, interdependência operacional ou desvio de finalidade.

Logo, Aislan Rocco explica que para haver o procedimento de consolidação de ativos ou passivos, tudo irá depender se houver:

1. consolidação substancial – isto é, todos os bens e dívidas são respondidas por todas as empresas;

2. consolidação processual – trata-se do mesmo processo judicial, mas cada empresa responde por suas dívidas e bens. 

A Fictor Alimentos pode ser impactada?

Segundo o advogado Edgar Barbosa, sim, a Fictor Alimentos ainda pode ser impactada caso haja consolidação substancial ou processual, conforme citado anteriormente. 

Além disso, “ainda que permaneça fora da RJ, ela pode ser afetada porque seus ativos e unidades produtivas podem ser estruturados para venda como UPI, como forma de geração de caixa e viabilização do plano, o que pode alterar controle, operação e estrutura do grupo”, explica o advogado e sócio da Barroso Advogados. 

Nesse sentido, a Lei 11.101/2005 permite a venda de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI). Na prática, ativos como fábricas e filiais são alienadas do processo de recuperação judicial e transferidas sem incluir dívidas trabalhistas ou tributárias.

Ademais, tratando-se de uma empresa inserida na B3, podem ocorrer impactos relevantes como “restrição de crédito, quebra de confiança de fornecedores, dificuldade de financiamento e eventuais bloqueios judiciais”, explicou Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, casa de análise independente.

“O risco é maior quando há dependência financeira, reputacional ou operacional em relação às empresas em recuperação”, explicou Simão.

Sendo assim, para os investidores da Fictor Alimentos, o fato de a empresa estar fora da recuperação judicial não elimina os riscos, que permanecem de forma indireta, seja por eventual consolidação, venda de ativos ou perda de confiança do mercado.

Leia também: Fictor Alimentos: ações desabam na Bolsa após grupo entrar em recuperação judicial

Reação do mercado

Na avaliação do fundador do Hub do Investidor, o episódio envolvendo o banco Master expôs fragilidades estruturais que já eram observadas por parte do mercado. Além disso, conectou diversas instituições financeiras a personalidades políticas e pessoas investigadas por corrupção, o que agravou o cenário.

Em geral, segundo Simão, o caso evidenciou o funcionamento de empresas de fachada associadas a atividades que eram sustentadas por inconsistências e possíveis fraudes contábeis.

“O mercado já via com estranhamento as captações extremamente agressivas da Fictor, oferecendo remunerações de 140% a 150% do CDI para um negócio pouco compreendido. Trata-se de uma holding com mais de dez empresas, que vão de serviços financeiros a logística e software, mas sem clareza sobre a origem efetiva da geração de valor”, afirma.

Sendo assim, havia dificuldade recorrente em conciliar os números divulgados pelas empresas do grupo com os dados contábeis. “Havia históricos de inconsistências. Empresas anunciavam volumes elevados de vendas, inclusive a própria Fictor Alimentos – que não está formalmente no processo agora, mas pode enfrentar problemas no futuro –, enquanto os livros contábeis não refletiam nada próximo da dimensão informada”, disse.

Há futuro para o Grupo Fictor e a Fictor Alimentos?

Na análise de Simão, o pedido de recuperação judicial não foi causado apenas pela quebra de contratos citada na justificativa formal, mas funcionou como um desfecho esperado após a revelação do caso Master. “Era uma carta marcada no baralho. Quando veio à tona o episódio do Master, tudo desmoronou. O mercado perdeu confiança, os fluxos secaram e o negócio parou de fato”, afirma Jayme.

Por fim, o analista-chefe da Terra Investimentos, Regis Chinchila, concluiu que “embora a Fictor Alimentos não esteja envolvida na recuperação judicial, o episódio impõe desafios importantes, sobretudo no campo da confiança do mercado. A evolução do plano de contingência, a transparência na comunicação e eventuais mudanças na governança serão determinantes para que a empresa consiga reduzir o desconto de risco e recuperar credibilidade junto aos investidores.”

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