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Como Jeffrey Epstein ficou tão rico? Entenda como sua fortuna foi construída
Publicado 06/02/2026 • 08:50 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 06/02/2026 • 08:50 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Divulgação/Netflix
Como Jeffrey Epstein acumulou milhões operando fora do sistema financeiro tradicional
A divulgação de documentos judiciais ligados ao caso Jeffrey Epstein, tornados públicos em janeiro de 2024, reacendeu questionamentos antigos sobre a origem da fortuna do financista acusado de comandar um esquema internacional de exploração sexual.
À época de sua morte, em 2019, Epstein acumulava um patrimônio estimado em quase US$ 600 milhões, duas ilhas particulares no Caribe e quase US$ 380 milhões em dinheiro. A análise de registros judiciais, investigações oficiais e relatórios financeiros ajuda a esclarecer como essa riqueza foi formada e mantida por décadas, segundo a Forbes.
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Jeffrey Epstein morreu deixando mansões de alto valor, duas ilhas privadas no Caribe, aeronaves, obras de arte e centenas de milhões de dólares em ativos financeiros.
Embora se apresentasse como um consultor financeiro altamente especializado, sua trajetória profissional nunca foi totalmente transparente.
Diferentemente de gestores de grandes fundos ou banqueiros tradicionais, Epstein operava com poucos clientes, todos extremamente ricos, e estruturava seus negócios por meio de empresas privadas com acesso limitado a informações públicas.
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A primeira grande virada financeira na vida de Epstein ocorreu no início dos anos 1990, quando ele passou a administrar a fortuna do empresário Leslie Wexner, fundador da The Limited e ex-controlador da Victoria’s Secret.
Wexner concedeu a Epstein amplos poderes sobre suas finanças pessoais, uma situação incomum mesmo entre gestores de patrimônio.
Durante mais de uma década, Epstein recebeu pagamentos elevados, além de acesso a imóveis, jatos e influência nos círculos empresariais.
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Estimativas indicam que o financista recebeu mais de US$ 200 milhões ao longo dessa relação. O vínculo foi rompido em 2007, após Wexner afirmar que Epstein desviou dezenas de milhões de dólares sem autorização.
Outro fator central para o crescimento da fortuna de Epstein foi sua mudança estratégica para as Ilhas Virgens Americanas.
A partir do fim dos anos 1990, ele passou a operar empresas de consultoria financeira no território, beneficiando-se de um programa de incentivos fiscais criado para atrair investimentos. Esses incentivos permitiam reduções drásticas no imposto de renda corporativo e isenção de tributos sobre dividendos.
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Entre 1999 e 2018, as empresas de Epstein pagaram uma fração do que seria cobrado em outras jurisdições. Estimativas indicam que ele economizou cerca de US$ 300 milhões em impostos ao longo desse período.
Após o rompimento com Wexner e perdas financeiras no fim dos anos 2000, Epstein encontrou um novo pilar econômico no investidor Leon Black, fundador da Apollo Global Management. Entre 2012 e 2017, Epstein recebeu aproximadamente US$ 170 milhões em pagamentos por serviços de planejamento patrimonial, tributário e filantrópico.
Os valores chamaram a atenção de autoridades por serem considerados muito acima do padrão de mercado para esse tipo de consultoria.
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Investigações posteriores apontaram que, em alguns anos, os pagamentos de Black representaram praticamente toda a receita das empresas de Epstein.
Black afirmou que desconhecia os crimes de Epstein e declarou arrependimento pela relação profissional. Uma investigação independente não encontrou indícios de participação do investidor nas atividades criminosas.
Além de Wexner e Black, Epstein prestou serviços a outros milionários e bilionários, incluindo herdeiros, gestores de fundos e filantropos. Ele próprio afirmava trabalhar apenas com pessoas de patrimônio extremamente elevado.
Paralelamente, construiu uma ampla rede de contatos que incluía políticos, empresários, artistas e cientistas.
Muitos desses nomes aparecem em documentos judiciais recentemente divulgados, embora a menção não represente, por si só, acusação de crime.
Autoridades investigam há anos como Epstein conseguiu financiar um estilo de vida luxuoso e, ao mesmo tempo, manter um esquema de tráfico sexual por décadas.
Registros bancários analisados por comissões do Congresso dos Estados Unidos apontam movimentações financeiras que ultrapassam US$ 1,9 bilhão em diferentes instituições.
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Após sua morte, o espólio de Epstein passou a vender propriedades e ativos. Mais de US$ 160 milhões já foram destinados a acordos com vítimas. Ainda assim, relatórios recentes indicam que o patrimônio remanescente continua significativo.
Segundo o The Guardian, documentos revelados recentemente indicam que a fortuna de Epstein não se limitava a honorários formais por serviços financeiros. E-mails obtidos por veículos internacionais mostram que ele atuava como um intermediário informal entre grandes fortunas e agentes políticos, oferecendo acesso, influência e facilidades logísticas.
Planilhas de despesas analisadas por investigadores listam cerca de 2.000 pagamentos e presentes de luxo, incluindo relógios, viagens, hospedagens e transferências em dinheiro, que somam aproximadamente US$ 1,8 milhão ao longo de uma década.
Esses registros sugerem que Epstein utilizava sua riqueza para consolidar uma rede de relacionamentos estratégicos, combinando doações, favores e encontros privados.
Em alguns casos, as despesas coincidem com trocas de e-mails entre Epstein e Ghislaine Maxwell sobre presentes destinados a assessores políticos e figuras influentes, embora muitos destinatários tenham negado o recebimento.
Apesar de se apresentar como um financista altamente especializado, Epstein não possuía formação formal como contador público certificado nem licença como advogado tributarista.
Ainda assim, entre 1999 e 2018, recebeu ao menos US$ 490 milhões em honorários pagos principalmente por dois clientes, Leslie Wexner e Leon Black. Estimativas indicam que esses dois empresários responderam por cerca de 75% de toda a receita gerada pelas empresas de Epstein nesse período.
Registros judiciais mostram que as empresas de Epstein sediadas nas Ilhas Virgens Americanas foram suas únicas fontes relevantes de receita durante cerca de duas décadas.
A concentração extrema em poucos clientes tornava seus negócios financeiramente frágeis, mas, ao mesmo tempo, altamente lucrativos enquanto essas relações se mantinham.
Outro elemento central para a preservação da fortuna de Epstein foi sua relação com instituições financeiras de grande porte.
Documentos judiciais indicam que o JPMorgan Chase manteve Epstein como cliente por anos, mesmo após alertas internos sobre movimentações financeiras atípicas. À época, ele mantinha mais de US$ 200 milhões depositados no banco.
Além de cliente, Epstein atuava como um intermediário informal para a captação de novos negócios na divisão de gestão de fortunas do banco, aproximando executivos de investidores e líderes globais. Posteriormente, o JPMorgan classificou esse relacionamento como um erro.
A atuação de Epstein como facilitador de negócios rendeu comissões expressivas. Um dos casos mais emblemáticos foi a venda de uma participação avaliada em US$ 1,3 bilhão do fundo Highbridge Capital Management, operação que teria rendido cerca de US$ 15 milhões em comissões para o financista.
Essas conexões, segundo analistas, tornaram-se mais valiosas do que sua própria fortuna, ampliando sua influência nos círculos financeiros e políticos internacionais.
O caso Jeffrey Epstein não se limita às acusações de abuso sexual. Ele também expõe falhas nos sistemas de fiscalização financeira, nos regimes de incentivos fiscais e na supervisão de grandes fortunas privadas.
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A divulgação contínua de documentos judiciais mantém o debate vivo. A combinação de dinheiro concentrado, relações de poder e falta de transparência permitiu que Epstein acumulasse riqueza, influência e impunidade por muitos anos.
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