CNBC

CNBCAções da Pandora sobem após CEO dizer que empresa quer reduzir dependência da prata

Tecnologia & Inovação

Spotify aposta em livros físicos e novas funções para disputar mercado bilionário

Publicado 06/02/2026 • 07:31 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Plataforma anuncia venda livros impressos nos EUA e no Reino Unido, mas ainda não há previsão para mercado brasileiro.
  • Ferramenta “Page Match” conecta leitura física ao ponto exato do audiolivro.
  • Mercado global de audiobooks cresce mais de 26% ao ano.
Pessoa segurando celular com audiobook Orgulho e Preconceito em destaque na tela

Reprodução

Enquanto usuários digerem mais um reajuste no preço da assinatura, a Spotify tenta mudar a conversa ao redor da plataforma. A companhia anunciou uma série de novidades para o negócio de audiobooks, incluindo a entrada na venda de livros físicos dentro do aplicativo, movimento que a transforma em concorrente direta de grandes varejistas.

A funcionalidade será lançada na primavera do hemisfério norte para consumidores dos Estados Unidos e do Reino Unido, por meio de parceria com a Bookshop.org, marketplace voltado a livrarias independentes. O Spotify receberá uma taxa de afiliado por cada venda realizada.

Spotify abre concorrência com gigantes do varejo

Ao permitir a compra de livros impressos, a empresa passa a disputar espaço com nomes como Amazon. A estratégia reconhece algo básico para o setor editorial: apesar do avanço do digital, muitos leitores seguem fiéis ao papel. Ao oferecer áudio e impresso no mesmo ecossistema, o Spotify quer se posicionar como um hub completo para quem consome livros.

Dentro do app, a novidade aparecerá nas páginas dos audiobooks com o botão “Add to your bookshelf at home”, que redireciona para o site da Bookshop, responsável por preços, estoque e entrega.

Leia também: Spotify amplia aposta social e lança chats em grupo

Spotify lance Page Match que conecta papel e áudio

Outro anúncio relevante é o lançamento do recurso Page Match, que permite ao usuário escanear uma página de um livro físico ou digital com a câmera do celular e ir direto para aquele trecho no audiolivro.

A tecnologia combina soluções próprias e ferramentas de visão computacional de terceiros. O recurso já está disponível para assinantes premium e será liberado para todos os usuários de audiobooks até o fim de fevereiro.

Também chega ao Android a função “Audiobook Recaps”, que resume em poucos minutos o trecho mais recente ouvido, ajudando quem ficou dias sem abrir o app.

Hoje, a plataforma já conta com mais de 500 mil títulos em inglês.

Crescimento acelerado do áudio

Dois anos após a entrada nesse mercado, o Spotify afirma que o número de ouvintes de audiobooks cresceu 36% no último ano, enquanto as horas escutadas avançaram 37%. Mais da metade dos 281 milhões de assinantes premium já testou algum livro em áudio.

O movimento ocorre em um ambiente de competição intensa com serviços de gigantes de tecnologia como Apple e novamente a Amazon, dona da Audible.

A empresa também anunciou aumento de US$ 1 no preço da assinatura mensal nos Estados Unidos, Estônia e Letônia, levando o plano para US$ 12,99. Após a divulgação, as ações caíram 4,5%, apesar de o papel acumular alta próxima de 30% no ano anterior.

Leia também: Netflix e Spotify fecham parceria para levar podcasts à plataforma de vídeo

Um mercado que não para de crescer

O pano de fundo dessa ofensiva é um setor em rápida expansão. O mercado global de audiobooks foi estimado em US$ 8,7 bilhões em 2024 e pode alcançar US$ 35,4 bilhões até 2030, com crescimento anual acima de 26%.

A América do Norte lidera em faturamento, mas a Ásia-Pacífico aparece como a região que mais cresce. Smartphones dominam como principal meio de acesso, enquanto assistentes de voz, como Alexa e Siri, ganham espaço com a popularização dos dispositivos domésticos inteligentes.

Entre os gêneros, a ficção ainda concentra a maior fatia, mas a não ficção deve avançar mais rápido nos próximos anos, impulsionada por conteúdos de negócios, educação e desenvolvimento pessoal.

O mercado de livros impressos no Brasil ainda tem peso

Embora a Spotify ainda não tenha previsão de adotar a estratégia no Brasil, vale olhar para o desempenho do mercado editorial brasileiro, especialmente o segmento de livros impressos, que ainda domina as vendas no país.

Segundo a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, coordenada pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros com dados da Nielsen BookData:

  • O setor editorial brasileiro registrou um faturamento de cerca de R$ 4,2 bilhões em 2024 com as vendas ao mercado, um aumento nominal de 3,7% em relação ao ano anterior. Embora, quando ajustado pela inflação, o resultado tenha sido ligeiramente negativo, isso demonstra que o mercado segue relevante em termos de dinheiro movimentado.
  • Em 2025, o varejo de livros também mostrou desempenho positivo, com livrarias e e-commerces vendendo 44 milhões de exemplares, cerca de 4 milhões a mais do que em 2024, e faturando R$ 2,3 bilhões no acumulado até outubro. Isso representou um crescimento de mais de 9% em valor e reforça recuperação no segmento físico.
  • Esse avanço ocorre mesmo em um cenário de queda estrutural de longo prazo — dados históricos apontam que o mercado editorial brasileiro encolheu cerca de 44% em quase duas décadas, o que sinaliza desafios profundos por trás dos números mais recentes.

Esses números mostram que, apesar de plataformas digitais ganharem tração, os livros impressos ainda geram bilhões de reais de receita no Brasil, mantêm um público fiel e representam um ativo estratégico para quem quer se conectar com leitores de forma mais ampla.

Leia também: Spotify endurece regras para derrubar e rotular músicas feitas por IA

Estratégia do Spotify vai além do streaming

Ao integrar livros físicos, ferramentas de transição entre formatos e expansão internacional, o Spotify sinaliza que quer ir além da música e dos podcasts.

O objetivo é claro: capturar uma fatia maior de um mercado editorial em transformação, no qual o áudio cresce em ritmo acelerado, enquanto o varejo tradicional enfrenta margens pressionadas.

Para investidores e para o setor de tecnologia, a mensagem é direta: a plataforma sueca está apostando que o futuro da leitura passa por múltiplos formatos e que controlar essa jornada pode ser tão valioso quanto dominar playlists.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Tecnologia & Inovação

;