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Arquivos dos EUA expõem laços entre secretário de Comércio e Epstein após condenação de 2008

Publicado 09/02/2026 • 11:05 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • O Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos liberou 3 milhões de páginas revelando que o secretário Howard Lutnick manteve investimentos e reuniões com Jeffrey Epstein após sua condenação em 2008.
  • Registros de 2012 vinculam ambos à empresa Adfin Solutions, enquanto agendas de 2011 confirmam encontros para "drinks" e coordenação de chamadas telefônicas.
  • Apesar de Epstein ter oferecido doar US$ 50 mil para um evento de Lutnick, a defesa alega "interações limitadas" e ressalta que o secretário nunca enfrentou acusações criminais.
Howard Lutnick

Leah Millis / Reuters

Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos indicam que o atual secretário de Comércio, Howard Lutnick, manteve contato pessoal e participou de um investimento empresarial com Jeffrey Epstein anos após o criminoso ter se declarado culpado, em 2008, por acusações relacionadas à exploração sexual de menores na Flórida. Os registros fazem parte de um novo e amplo lote de arquivos liberados sob a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.

O DoJ divulgou mais de 3 milhões de páginas de documentos na sexta-feira, 6, além de milhares de vídeos e imagens, após pressão política e pública para maior transparência sobre o que o governo sabia a respeito das atividades de Epstein e de suas relações com figuras poderosas.

Entre os arquivos estão documentos societários da Adfin Solutions, empresa de tecnologia de publicidade, que mostram que Epstein e Lutnick participaram de um mesmo investimento por meio de entidades que controlavam. Registros de dezembro de 2012 indicam que Epstein assinou o acordo em nome da Southern Trust Company, Inc., enquanto Lutnick assinou como presidente da CVAFH I LLC.

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Os arquivos também incluem e-mails e agendas que indicam contato direto entre Epstein e Lutnick. Um cronograma enviado em abril de 2011 lista um compromisso para “drinks” entre os dois em 1º de maio daquele ano. Em outra troca de mensagens, assessores de Epstein e de Lutnick coordenam uma ligação telefônica entre ambos, marcada para o início de abril de 2011.

Os documentos mostram ainda que, em 2017, Epstein escreveu em e-mail que doaria USD 50 mil (R$ 260 mil) para um jantar em homenagem a Lutnick, então executivo da Cantor Fitzgerald: “US$ 50 mil da minha parte, espero que a repercussão seja ok”. E-mails adicionais tratam da logística para a entrega do cheque e da participação no evento beneficente.

Um porta-voz do Departamento de Comércio declarou que Lutnick teve “interações limitadas com Epstein, na presença de sua esposa, e nunca foi acusado de irregularidades”. Os arquivos recém-divulgados citam dezenas de figuras políticas e empresariais, e a presença de nomes nos documentos não equivale, por si só, a acusações criminais. Segundo a Associated Press, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que há uma “fome, ou sede, por informações” que pode não ser plenamente satisfeita mesmo com a nova divulgação.

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