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Americanos deixam empregos antes do avanço da IA e apostam em negócios próprios
Publicado 28/03/2026 • 19:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 28/03/2026 • 19:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Michelle Yeung, fundadora do café Matcha House, em Nova York, diz que abandonou sua carreira de engenheira de software depois de observar o avanço cada vez maior das capacidades da inteligência artificial
O avanço da inteligência artificial (IA) tem levado parte dos trabalhadores nos Estados Unidos a abandonar seus empregos de forma antecipada, em busca de maior controle sobre carreira, renda e futuro profissional, diante do risco de substituição tecnológica.
O produtor de áudio Travis Di Lombardi-Spicer, de 30 anos, decidiu deixar o emprego imediatamente após ser preterido em um aumento salarial, em janeiro de 2025. Com renda anual próxima de US$ 75.000 (R$ 393.000), ele afirma que temia que a IA pudesse eliminar sua função, optando por agir antes disso.
Diante de um mercado de trabalho considerado incerto, Spicer investiu US$ 40 mil (R$ 209,6 mil) — obtidos com a venda de bens pessoais, recursos de aposentadoria e poupança — para lançar, em maio de 2025, a versão beta da Spotbookr, empresa de análise de consumo e publicidade baseada em IA.
Entre novembro e janeiro, os empreendedores americanos registraram 1,56 milhão de pedidos de abertura de empresas, o maior volume para um período de três meses desde 2004, segundo dados oficiais, refletindo tanto dificuldades no mercado de trabalho quanto mudanças estruturais no perfil profissional.
Esse novo grupo de empreendedores, no entanto, difere de ciclos anteriores: muitos estão antecipando possíveis demissões ligadas à IA e deixando seus empregos por iniciativa própria. Parte deles também destaca que a própria tecnologia facilita a criação de novos negócios, reduzindo barreiras de entrada.
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“Os orçamentos para projetos de áudio começaram a cair cada vez mais”, afirmou Spicer. “Eu só queria ter controle.”
Apesar do movimento, o empreendedorismo segue sendo arriscado. Cerca de 25% das novas empresas nos EUA não sobrevivem ao primeiro ano, segundo dados oficiais. Ainda assim, cresce a percepção de que os empregos tradicionais também enfrentam riscos crescentes, com executivos e estudos apontando para mudanças significativas no mercado de trabalho.
Pesquisa com 1.012 trabalhadores americanos, realizada em dezembro, mostrou que 40% afirmam que a IA já está substituindo ou impactando suas funções, enquanto 29% acreditam que a tecnologia poderia assumir ao menos metade de suas atividades diárias.
Para Saikat Chaudhuri, da Universidade da Califórnia em Berkeley, fatores como instabilidade geopolítica, custo de vida elevado e perda de confiança entre empregadores e empregados criam um ambiente de alta imprevisibilidade, incentivando a busca por autonomia profissional.
“O custo de oportunidade de abrir um negócio está menor, porque as alternativas no mercado de trabalho estão mais fracas”, afirmou.
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A engenheira de software Michelle Yeung, de 29 anos, decidiu deixar seu cargo em um grande grupo de mídia após cinco anos de carreira, mesmo recebendo cerca de US$ 250 mil por ano (R$ 1,3 milhões), incluindo bônus.
Ela relata que, com o avanço da IA, passou a enxergar a possibilidade de ser substituída e se sentia insatisfeita e sem propósito profissional. “Eu não estava me desafiando nem satisfeita com meu crescimento”, disse.
Yeung deixou o emprego no início de 2025 e utilizou suas economias para abrir o Matcha House, um café no bairro East Village, em Nova York, em julho do mesmo ano. “Gosto de criar algo físico e construir relações com clientes”, afirmou.
Tanto Yeung quanto Spicer dizem que ainda não retiram salário de seus negócios e precisaram fazer ajustes no padrão de vida, como mudança para moradia mais barata e dependência de renda do parceiro.
Ambos afirmam, porém, preferir a incerteza do empreendedorismo à estabilidade anterior, especialmente após demissões em empresas como Amazon, Salesforce e Block, que mencionaram a IA ao cortar milhares de empregos.
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Segundo Todd McCracken, da National Small Business Association, o emprego corporativo se tornou menos estável, o que incentiva a busca por alternativas. Em 2025, os EUA criaram 116 mil vagas, bem abaixo das 1,46 milhão de 2024, enquanto os cortes de empregos em janeiro atingiram o maior nível para o início de ano desde 2009.
“Há um movimento cultural de afastamento das grandes corporações em direção ao empreendedorismo”, afirmou.
Embora represente uma ameaça para alguns empregos, a IA também pode facilitar a criação de empresas, segundo Chaudhuri, ao permitir o desenvolvimento de sites, planos de negócios e tarefas administrativas sem necessidade de expertise prévia.
O empresário Shahezad Contractor, fundador da rede de restaurantes Cousin’s Food Inc., que faturou mais de US$ 4 milhões (R$ 20,9 milhões) em 2025, afirma utilizar ferramentas de IA para criar conteúdos, treinar funcionários e elaborar estratégias de marketing.
“Antes, eu contrataria um redator. Agora, a IA preenche essas lacunas”, disse. Ele também utiliza a tecnologia para analisar locais e projetar resultados financeiros.
Após 24 anos na área de tecnologia, Contractor decidiu empreender em 2024, influenciado pela expansão da IA no setor.
Apesar das vantagens, especialistas alertam que a IA não garante sucesso empresarial. Para Benjamin Jones, da Northwestern University, o aumento no número de empresas também eleva a concorrência no mercado.
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Chaudhuri reforça que, embora haja mais startups do que nunca, o mercado segue concentrado, indicando desafios para novos entrantes.
Ainda assim, o empreendedorismo envolve incerteza por natureza. “É impossível saber o que vai funcionar até tentar”, disse Jones. “Esse é o espírito da jornada empreendedora.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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