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Conflito no Oriente Médio

Plásticos devem impulsionar inflação global em meio à crise no Oriente Médio

Publicado 28/03/2026 • 20:59 | Atualizado há 7 meses

KEY POINTS

  • Alta nos petroquímicos já chega a 15% e tende a se espalhar pela economia, afetando desde alimentos e roupas até itens médicos e automóveis com impacto gradual nos preços ao consumidor.
  • Região do Golfo concentra parcela relevante da produção global e depende do Estreito de Ormuz, elevando riscos à cadeia de suprimentos em caso de escalada do conflito.
  • Especialistas alertam que efeitos ainda não apareceram totalmente, mas devem pressionar inflação e atingir com mais força consumidores de baixa renda ao longo do ano.

A possível escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã e riscos no Estreito de Ormuz já começam a pressionar custos globais, mas o impacto mais amplo pode vir de um elemento menos visível ao consumidor: os petroquímicos usados na produção de plásticos.

Embora a alta dos combustíveis seja mais imediata, o aumento nos preços de derivados como nafta, benzeno, estireno e amônia tende a se espalhar de forma mais ampla pela economia, já que esses insumos estão presentes em produtos que vão de embalagens e roupas a equipamentos médicos e alimentos.

Na prática, esses compostos – conhecidos como feedstocks – fazem parte de praticamente tudo o que é consumido. Mesmo que o consumidor ainda não perceba, os custos já estão subindo ao longo das cadeias produtivas.

O impacto já é sentido por empresas. Segundo Stanislav Krykun, CEO da DST-Pack, fornecedores elevaram preços: “Nossos fornecedores de plástico na China aumentaram os preços em cerca de 15%”, citando custos maiores de matérias-primas e incerteza no mercado.

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A empresa, que produz embalagens para clientes globais, já revisa orçamentos e projeta repasses futuros. Krykun afirma que o efeito ainda é gradual: contratos antigos mantêm preços, mas novos pedidos já são cotados com valores mais altos.

Ele explica que há um atraso natural até o impacto chegar ao consumidor final, já que o processo envolve produção, envio, envase e distribuição. Por isso, mudanças tendem a aparecer nas prateleiras com algum tempo de defasagem.

Trilhões de dólares em produtos serão afetados

Quando esse atraso desaparecer, o impacto será amplo. Segundo Tom Seng, da Texas Christian University, os petroquímicos estão presentes em praticamente tudo: “Seria difícil identificar algo que não tenha componente derivado de petróleo ou gás”.

A cadeia produtiva é fortemente concentrada no Oriente Médio. Dos 193 complexos petroquímicos ativos na região, cerca de 79% estão na Arábia Saudita, Irã e Catar, com forte dependência logística do Estreito de Ormuz.

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Os países do Conselho de Cooperação do Golfo produzem cerca de 150 milhões de toneladas por ano, representando parcela relevante da oferta global – grande parte escoada pelo estreito.

Para Jeff Krimmel, da Krimmel Strategy Group, os efeitos devem atingir diversos setores: “Há muitos produtos do dia a dia que serão impactados”, incluindo têxteis, detergentes, alimentos e bebidas.

Ele destaca que praticamente tudo é transportado ou embalado em plástico, cujo insumo vem de derivados como nafta, propileno, metanol e estireno. “Não há substituto fácil para esses produtos”, afirmou.

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Mesmo com eventual cessar-fogo, o ajuste entre oferta e demanda deve levar tempo. Quanto mais prolongado o conflito, maior tende a ser o acúmulo de pressões sobre preços.

Para Atsi Sheth, da Moody’s Ratings, o setor já vinha enfrentando choques recentes, como pandemia, guerra na Ucrânia e tensões no Mar Vermelho, além do aumento da produção na China.

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Segundo ela, o cenário atual pode inverter uma fase de excesso de oferta: “A inferência é que isso acabará sendo repassado à inflação ao consumidor”, afetando itens como alimentos, roupas e bens de varejo.

O impacto tende a ser mais forte nas camadas de menor renda, que são mais sensíveis à alta de preços.

Para Peter Swartz, da Altana, o mercado já precifica maior incerteza: “O efeito de longo prazo já está aqui”, com empresas investindo em diversificação – o que eleva custos.

Dados da Altana mostram que insumos petroquímicos avaliados em cerca de US$ 733 bilhões (R$ 3,85 trilhões) passam pela região do Golfo, influenciando uma cadeia que movimenta US$ 3,8 trilhões (R$ 19,99 trilhões) em produtos finais.

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Esse efeito em cascata amplia o impacto: petroquímicos entram na produção de bens que, por sua vez, compõem outros produtos, multiplicando a pressão inflacionária.

Enquanto isso, empresas já começam a se adaptar. Krykun observa mudanças práticas, como redução de embalagens, simplificação de estruturas e uso de menos material.

Ainda assim, essas soluções levam tempo para serem implementadas. Muitas marcas acabam sendo obrigadas a aceitar custos mais altos no curto prazo, enquanto desenvolvem alternativas mais eficientes.

“Redesenhar embalagens não é imediato”, disse Krykun, destacando que o processo envolve testes, aprovação e semanas ou meses de desenvolvimento – o que limita a capacidade de reação rápida da indústria.

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