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Bracell acelera planos de expansão no Brasil com fábrica de R$ 25 bilhões no Mato Grosso do Sul
Publicado 11/02/2026 • 08:18 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 11/02/2026 • 08:18 | Atualizado há 4 horas
KEY POINTS
Divulgação: Bracell/Projeto Star
Fábrica da Bracell em Lençóis Paulista (SP)
A Bracell prepara um novo ciclo de expansão industrial no Brasil. A companhia projeta investir até R$ 25 bilhões na construção de uma fábrica de celulose no Mato Grosso do Sul, com capacidade estimada próxima de 2,8 milhões de toneladas por ano.
A empreitada vai acontecer poucos anos depois da inauguração da megaplanta de R$ 15 bilhões em Lençóis Paulista (SP), considerada um dos maiores investimentos privados recentes no Estado de São Paulo.
Controlada pelo grupo asiático Royal Golden Eagle (RGE), com sede em Singapura e atuação global nos segmentos de fibras, papel e bioenergia, a Bracell colocou o Brasil como hub em seu processo de expansão industrial. Agora, o Centro-Oeste é próxima etapa desse ciclo.
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O novo projeto está em fase de estruturação e já obteve licença prévia ambiental em Mato Grosso do Sul. A instalação está prevista para região próxima à BR-267, nas áreas de Água Clara e Bataguassu, a poucos quilômetros do perímetro urbano.
O investimento aparece em diferentes versões públicas: inicialmente citado em torno de R$ 16 bilhões, o projeto pode atingir até R$ 25 bilhões, a depender do escopo final, da infraestrutura associada e da configuração produtiva.
A capacidade industrial projetada gira em torno de 2,8 a 2,9 milhões de toneladas anuais de celulose, com possibilidade de produção flexível entre celulose kraft — voltada ao mercado de papéis — e celulose solúvel, utilizada na indústria têxtil e química.
O empreendimento deverá consumir cerca de 12 milhões de metros cúbicos de eucalipto por ano e operar com sistema de cogeração elétrica a partir de biomassa e subprodutos industriais.
Durante a fase de implantação, a expectativa é mobilizar aproximadamente 12 mil trabalhadores. Na operação, o número estimado é de 2 mil empregos diretos permanentes.

A licença prévia foi aprovada pelo Conselho Estadual de Controle Ambiental (CECA) após análise de EIA/RIMA e audiência pública.
Para avançar à fase de construção, a empresa depende da Licença de Instalação. O processo envolve execução de 26 programas ambientais, incluindo monitoramento de fauna e flora, qualidade da água superficial e subterrânea, controle de emissões atmosféricas, monitoramento de ruídos, gestão de resíduos, plano de ação emergencial e avaliação de desempenho ambiental.
A instalação da fábrica também deverá ser acompanhada de Plano Básico Ambiental (PBA), voltado a infraestrutura urbana, habitação, saúde e qualificação profissional, dado o impacto populacional esperado.
A viabilidade do projeto está diretamente ligada à infraestrutura energética.
Para iniciar a operação, a Bracell precisará de aproximadamente 66 megawatts (MW) de fornecimento externo. Após estabilização, a fábrica deverá gerar até 400 MW, com possibilidade de injetar cerca de 200 MW excedentes na rede nacional.
Autoridades estaduais afirmaram que o Operador Nacional do Sistema (ONS) garantiu oferta de energia “na porta da fábrica” a partir de 2029, mas a ampliação da rede de transmissão é considerada necessária para absorver a energia excedente.
O Estado negocia novos leilões de transmissão para antecipar a disponibilidade da malha elétrica.
O projeto no Centro-Oeste parte da experiência consolidada em Lençóis Paulista.
A unidade paulista, inaugurada no âmbito do Projeto Star, recebeu mais de R$ 15 bilhões em investimentos e ocupa área de 1,6 milhão de metros quadrados.
A fábrica é flexível e pode produzir até:
No pico das obras, foram mobilizados mais de 14 mil trabalhadores. A construção ocorreu entre 2019 e 2021, incluindo período da pandemia.

Segundo a companhia, a planta opera sem uso de combustível fóssil. A energia é gerada a partir de subprodutos do processo industrial, especialmente lignina e biomassa.
A capacidade instalada varia entre 409 MW e 420 MW, com excedente entre 150 MW e 180 MW, exportado ao Sistema Interligado Nacional.
Esse volume seria suficiente para atender cerca de 750 mil residências, segundo estimativas da empresa.
A fábrica abriga ainda a maior caldeira de recuperação em operação no mundo, com capacidade de queimar 13 mil toneladas de sólidos secos por dia e produzir 2 mil toneladas de vapor por hora.
A estrutura inclui chaminé de 144 metros de altura, 68 quilômetros de tubulações até o Rio Tietê e subestação conectada ao SIN em 440 kV.
A empresa informa consumo médio de 18 metros cúbicos de água por tonelada de celulose produzida, com consumo líquido estimado de 0,3 m³, após reuso e devolução tratada.
Afirma ainda recuperar 97% dos produtos químicos utilizados no processo produtivo.
A estratégia industrial é sustentada por base florestal própria.
Em São Paulo, são 274 mil hectares administrados, sendo 183 mil hectares de produção e 75 mil hectares de preservação.
Na Bahia, são cerca de 230,8 mil hectares manejados, com quase metade destinada à vegetação nativa preservada.
O viveiro em Lençóis Paulista ocupa 10 hectares. A meta anual citada foi de 92 milhões de estacas, resultando em 62,5 milhões de mudas plantadas.
O ciclo do eucalipto no Brasil leva cerca de seis anos até a colheita.
Além da celulose, a companhia investiu R$ 2,5 bilhões em nova linha de papel tissue – papéis de uso sanitário e doméstico, com capacidade de 240 mil toneladas por ano.
Somadas às unidades na Bahia e Pernambuco, a produção posiciona a empresa com participação relevante no mercado nacional.
Parte da produção segue por rodovia até terminal intermodal em Pederneiras e depois ao Porto de Santos.
A empresa afirma ter investido R$ 400 milhões em estrutura portuária e exportado mais de 8 milhões de toneladas desde 2020.
Também iniciou uso de caminhões elétricos abastecidos com energia da própria fábrica, com redução estimada de 132 mil quilos de CO₂ por ano.
Se o projeto de até R$ 25 bilhões se concretizar, a nova fábrica no Mato Grosso do Sul consolidará a Bracell como um dos maiores vetores recentes de investimento industrial no país.
A expansão no Centro-Oeste representa aumento de capacidade e consolidação de um corredor industrial que integra floresta, bioenergia, infraestrutura e exportação em larga escala.
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