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Comportamento

Geração Z tenta escapar do celular e transforma “ficar offline” em novo status

Publicado 16/02/2026 • 12:11 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Jovens da Geração Z lideram movimento de “digital detox” e buscam reduzir o uso de redes sociais.
  • Dispositivos físicos e novas rotinas ajudam a frear o consumo impulsivo de conteúdo.
  • Mesmo conectados, jovens passam a valorizar experiências offline e saúde mental.
Jovens sentados em uma cafeteria, convesando

Depositphotos

A geração que cresceu com o smartphone na mão começa a questionar o próprio modelo de vida hiperconectado. Em meio a notificações constantes, vídeos curtos e consumo ininterrupto de conteúdo, jovens da Geração Z estão puxando um movimento que parece ir na contramão da própria lógica digital: ficar offline.

A tendência, conhecida como “digital detox” ou até “cronicamente offline”, ganha força – paradoxalmente – dentro das próprias redes sociais. Segundo a revista Fortune, cresce o número de jovens que buscam reduzir o uso dos aplicativos mais viciantes sem abrir mão do celular, criando mecanismos para interromper o hábito automático de rolar o feed.

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A nova batalha é contra o próprio dedo

O foco não é abandonar a tecnologia, mas recuperar o controle sobre ela. E isso tem gerado soluções que vão além dos aplicativos tradicionais de monitoramento de tempo de tela.

Um dos exemplos é o Bloom, dispositivo de US$ 39 criado por estudantes universitários em 2024. O gadget funciona como um cartão físico que, ao ser encostado no celular, bloqueia aplicativos escolhidos pelo usuário por um período determinado. Para desbloquear, é preciso repetir o gesto.

A proposta é simples, mas estratégica: transformar um movimento automático em uma decisão consciente.

“Aplicativos de vídeos curtos funcionam como uma slot machine no bolso”, disse à Fortune Giancarlo Novelli, cofundador do Bloom. Segundo ele, o uso excessivo do celular lembra hábitos que já foram socialmente normalizados no passado, mas que hoje são vistos com mais cautela.

Outro exemplo é o Brick, dispositivo semelhante que cria uma barreira física para acessar redes sociais. A lógica é a mesma: inserir fricção em um comportamento impulsivo.

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Produtividade, sono e saúde mental entram na conta da Geração Z

Os relatos de quem adota esse tipo de solução apontam ganhos que vão além da organização do tempo. Usuários relatam melhora no sono, aumento da produtividade e maior sensação de controle.

A preocupação tem base científica. Um estudo da Universidade de Alberta, publicado em 2025, associa o uso excessivo de redes sociais a sintomas de ansiedade e depressão, embora os efeitos variem de acordo com o padrão de consumo.

Nesse contexto, limitar o acesso deixa de ser apenas uma escolha de estilo de vida e passa a ser uma estratégia de bem-estar.

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Geração Z: do digital para o analógico

A mudança não se restringe ao uso do celular. A Geração Z também demonstra interesse crescente por experiências offline.

Discos de vinil, câmeras analógicas e até cartas escritas à mão voltam a ganhar espaço como forma de reconexão com o mundo físico. É uma busca por algo que o digital não entrega: tangibilidade.

Essa retomada do analógico funciona quase como um contraponto à saturação digital. Em vez de estímulos rápidos e constantes, a proposta é desacelerar.

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Menos vício ou apenas outro tipo de uso?

O debate sobre “vício” em redes sociais ainda divide opiniões. Adam Mosseri, chefe do Instagram, já afirmou que é preciso diferenciar uso problemático de dependência clínica.

Mas, para os jovens, a discussão teórica importa menos do que o impacto prático. O desafio é simples: usar menos.

E os dados mostram que essa mudança já começa a aparecer.

Os números mostram uma virada silenciosa

Segundo a Sherwood News, o tempo médio de uso de smartphones nos Estados Unidos chegou a 6,3 horas por dia – um aumento relevante em relação às 5,5 horas registradas no início de 2023.

Ainda assim, há um dado que chama atenção: jovens entre 17 e 25 anos passaram a usar menos o celular do que adultos acima de 36 anos.

Dados da Apptopia indicam que esse grupo registra cerca de 350 minutos diários de uso, contra 352 minutos dos mais velhos – uma inversão inédita até pouco tempo atrás.

Entre as explicações estão justamente o esforço dos jovens para reduzir o tempo online e o aumento do uso de aplicativos conectados a dispositivos domésticos por gerações mais velhas.

Ao mesmo tempo, o comportamento digital também muda. O scroll infinito perde espaço para o consumo passivo de vídeos, enquanto aplicativos fora do universo de jogos ganham relevância.

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Redes sociais perdem fôlego entre Geração Z

Globalmente, há sinais de desaceleração no uso das redes sociais. Estimativas indicam queda de cerca de 10% no tempo médio desde o pico registrado em 2022.

No Reino Unido, quase um terço da Geração Z afirma ter deletado pelo menos um aplicativo no último ano.

O movimento aponta para uma mudança mais profunda. Jovens entre 15 e 29 anos demonstram preocupação crescente com saúde mental, foco e qualidade de vida.

O novo luxo é desconectar

A Geração Z não está abandonando a tecnologia. Está redefinindo sua relação com ela.

Em vez de estar sempre online, o objetivo passa a ser escolher quando estar. Em vez de consumir sem parar, o foco é consumir melhor.

Como resume Novelli à Fortune, o problema não é a existência das redes sociais, mas a forma como elas são usadas.

Em um mundo onde estar conectado virou regra, conseguir se desconectar começa a se tornar um novo símbolo de status.

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