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Ferrovias voltam ao radar do governo com pacote bilionário de concessões

Publicado 17/02/2026 • 21:50 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Governo prepara nova rodada de concessões ferroviárias até 2027, com previsão de até oito leilões e foco em uma malha extensa para atrair investimentos privados.
  • Projetos considerados mais maduros, conectados a trechos já operacionais, tendem a ter maior previsibilidade de demanda e menor percepção de risco.
  • Empreendimentos com entraves ambientais, regulatórios ou judiciais podem enfrentar maior resistência do mercado, tornando a segurança jurídica fator decisivo para o sucesso da carteira.
O Ministério dos Transportes assinou um memorando de entendimento com a China para a realização de estudos e planejamento de um sistema de transporte integrado no Brasil.

Ministério dos Transportes

Depois de anos com poucos projetos novos saindo do papel, o governo federal prepara uma nova rodada de concessões ferroviárias que pode mobilizar até R$ 140 bilhões em investimentos até 2027. A carteira prevê oito leilões e envolve uma malha extensa, numa tentativa de reaquecer um mercado que passou um longo período com baixa tração no pipeline de grandes concessões.

O Ministério dos Transportes trabalha com a expectativa de iniciar os primeiros certames ainda em 2026. O plano é testar o apetite do investidor por ferrovias em um cenário que, recentemente, viu concessões rodoviárias avançarem mesmo com juros elevados, embora os dois modais tenham dinâmicas e riscos distintos.

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A própria composição da carteira evidencia essa heterogeneidade. Há projetos conectados a trechos já existentes e a corredores logísticos consolidados, o que tende a reduzir incertezas operacionais em comparação com empreendimentos que dependem de múltiplas etapas prévias, como amadurecimento de estudos, licenciamento e definições institucionais.

Projetos com base logística já formada

Dentro do pacote, Corredor Minas–Rio e Extensão Norte da Ferrovia Norte–Sul aparecem entre as iniciativas destacadas pelo governo. Por estarem associados a eixos de transporte já conhecidos e a fluxos de carga relevantes, esses projetos costumam ser classificados como casos em que a previsibilidade tende a ser maior, sem que isso elimine desafios de modelagem e execução.

A carteira também inclui corredores ligados à Malha Sul, além de outros empreendimentos com perfis variados, refletindo a tentativa do governo de combinar projetos mais ancorados em rotas existentes com propostas de maior ambição de expansão.

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Onde o risco tende a ser maior

Na outra ponta, a lista contempla iniciativas como a Ferrogrão, que, pelo histórico de controvérsias e pela necessidade de avançar em frentes de estruturação e governança do projeto, costuma ser vista como um caso que exige mais coordenação institucional para ganhar tração. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por exemplo, divulgou que trabalha na etapa de apresentação de estudos finais ligados ao empreendimento.

O sucesso da carteira não depende apenas do interesse privado, mas da capacidade do poder público de oferecer um desenho contratual robusto, com alocação de riscos clara e previsibilidade regulatória suficiente para atrair capital de longo prazo. Esse ponto é especialmente sensível em projetos ferroviários, que exigem volumes maiores de investimento e têm maturação mais lenta do que concessões rodoviárias.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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