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Quem é a Raízen e por que a empresa pode recorrer à recuperação judicial
Publicado 21/02/2026 • 08:00 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 21/02/2026 • 08:00 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: divulgação/Raízen.
Raízen
A produtora e distribuidora de combustíveis Raízen passa por uma crise financeira acentuada. Apenas entre outubro e dezembro de 2025, terceiro trimestre do ano-safra 2025/2026, a empresa acumulou R$ 15,645 bilhões em prejuízo líquido, gerando uma baixa contábil de R$ 11,1 bilhões.
Em relatório de resultados, a companhia explicou que as dificuldades são oriundas da deterioração de crédito, “como evidenciado pelo rebaixamento de seus ratings corporativos pelas principais agências nacionais e internacionais”, pontuou a direção da Raízen. Na base anual, a dívida líquida atingiu 43,4%, somando R$ 55,322 bilhões.
Leia também: Raízen tem prejuízo bilionário no 3º tri, mas avança em eficiência e redução de dívida
Agora, o mercado financeiro avalia se a empresa pode ou não entrar em recuperação judicial. Mas, afinal, o que exatamente faz a Raízen?
Fundada em 2011, a RAÍZEN S.A. é uma joint venture entre Shell e Cosan. Sediada no Rio de Janeiro (RJ), a empresa é a maior responsável pela fabricação de etanol de cana-de-açúcar no Brasil e principal exportadora individual desse combustível no mundo.
Segundo relatórios referentes a 2023 e 2024, a Raízen é responsável por operar mais de 8,1 mil postos da Shell, além de 1,7 mil lojas de conveniência na Argentina, Brasil e Paraguai.
Em geral, as atividades da empresa incluem: produção, geração de energia, logística, transporte, distribuição, exportação e varejo.
Leia também: Raízen compra fatia da Sumitomo e assume biomassa
Atualmente, a companhia é liderada pelo engenheiro Nelson Gomes, que assumiu o cargo de CEO em novembro de 2024.
A Raízen deve receber um novo aporte de capital, medida que pode contribuir para a redução do endividamento da companhia, afirma fonte ouvida pelo Valor Econômico. Atualmente, a principal dívida da empresa é com o banco Santander.
Sendo assim, uma recuperação judicial parece uma possibilidade distante, mas não se descarta a chance de uma recuperação extrajudicial. Isso porque parte da dívida da companhia está atrelada a instrumentos do mercado de capitais. Logo, seria difícil uma negociação com todos os credores.
Paralelamente, um relatório do BB InvesTalk afirma que detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) pela Raízen contrataram a assessoria Moelis para discutir a reestruturação dessas dívidas.
No dia 12 de fevereiro deste ano, esses títulos eram negociados a cerca de 30% do valor original no mercado secundário – ou seja, com um desconto de aproximadamente 70%. Em outras palavras, isso significa que investidores passaram a vender os papéis por um valor muito inferior ao que teriam direito a receber no vencimento, o que reflete a percepção de risco elevado de inadimplência ou de uma renegociação com perdas.
Posteriormente, a empresa confirmou a contratação dos assessores financeiros, afirmando buscar novas estratégias para fortalecer a liquidez da empresa e melhorar a estrutura de capital.
Nesse sentido, Nelson Gomes, o atual CEO, disse em teleconferência com investidores que a prioridade será reduzir o endividamento e preservar a competitividade da Raízen a longo prazo. Na ocasião, o termo recuperação judicial não foi utilizado, mas foi reforçado que a solução será “consensual, estruturante e, principalmente, definitiva”.
Ademais, o executivo reforçou que a liquidez da Raízen é robusta, mas, sozinha, não é suficiente para sustentar uma transformação operacional e reduzir o desequilíbrio das contas.
Na prática, o mercado está sinalizando que uma recuperação judicial ou extrajudicial seria recomendada. No entanto, a Raízen em si demonstra tentar negociações privadas e outras formas de reestruturação para continuar e não afastar de vez seus principais credores.
Enquanto isso, conforme noticiado anteriormente, a Raízen agora é dona da Sumitomo Corporation e controla toda a cadeia produtiva de biomassa. Em tese, a empresa terá mais eficiência operacional e pode gerar mais receita, impulsionando a sustentabilidade financeira da produtora.
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