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EXCLUSIVO: Fim da tarifa de 50% torna Taurus “muito mais competitiva” e abre caminho para crédito de US$ 18 milhões, diz CEO
Publicado 20/02/2026 • 20:45 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/02/2026 • 20:45 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou a tarifa extraordinária de 50% sobre produtos brasileiros melhora de forma direta a competitividade da fabricante de armas Taurus (TASA4) no mercado e pode gerar crédito tributário milionário para a companhia. A avaliação é do CEO Salesio Nuhs, em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
“O efeito do julgamento da taxação pela Suprema Corte americana gera um crédito do imposto nos Estados Unidos de aproximadamente US$ 18 milhões”, afirmou o executivo. Segundo ele, a empresa ainda depende de definições em instâncias inferiores para entender como esse crédito poderá ser reembolsado.
Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (20), o vice-presidente Geraldo Alckmin citou a fabricante de armas ao comentar os efeitos do tarifaço sobre exportações brasileiras. “Taurus era uma empresa que exportava muito para os Estados Unidos”, afirmou. Ele também classificou a decisão de remoção das tarifas como “importante” e disse que ela “fortalece a relação comercial Brasil-Estados Unidos”.
Durante o período de vigência da tarifa de 50%, a Taurus recolheu cerca de US$ 18 milhões, valores que pressionaram caixa e resultado. Com a revogação da sobretaxa, Nuhs afirma que a empresa sai fortalecida e tende a manter os ganhos obtidos no período.
Na época, as ações sofreram forte pressão com debandada de investidores, que também previam dividendos magros pelas dificuldades da companhia. Nos últimos 12 meses, os papéis TASA4 acumulam queda de 24,63%. Contudo, o mercado reagiu positivamente ao fim das tarifas, com os papéis da fabricante de armas disparando 5,17% nesta sexta-feira (20).
“A companhia vai estar muito mais competitiva agora do que antes da tarifa, porque todas as ações que a companhia fez para suportar a tarifação de 50% vão continuar”, disse. Isso inclui ajustes de precificação, ganhos de eficiência operacional e reconfiguração logística implementados ao longo do período.
Mesmo após a decisão da Suprema Corte, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa global de 10% sobre importações. Para o CEO da Taurus, esse novo patamar é administrável.
“A tarifa de 10% a gente consegue conviver de uma forma bastante confortável”, afirmou. A empresa já havia repassado aproximadamente 7% de aumento de preços no mercado americano. Nos últimos meses, o CEO até tinha estimado que uma tarifa de 20% ficaria mais difícil de administrar, contudo ainda seria possível ter um equilíbrio de receitas, transferindo a montagem de armas para os Estados Unidos.
A medida de ampliar a montagem em solo norte-americano já tinha sido avaliada pela empresa no passado como forma de mitigar o impacto. Agora, com o fim da tarifa de 50%, esse plano perde força.
“Nesse primeiro momento, a gente vai diminuir essa transição que a gente estava fazendo de montagem nos Estados Unidos”, disse Nuhs. Segundo ele, a produção local não chegou a ser iniciada e a companhia pretende reduzir a intensidade da montagem no exterior para reforçar a operação brasileira. “Vamos diminuir a intensidade da montagem nos Estados Unidos para que a gente possa gerar mais emprego aqui no Brasil.”
Apesar das melhorias que a redução de tarifas devem proporcionar ao caixa e receita da Taurus, os dividendos continuam sem ser prioridade para a empresa em 2026, diante das incertezas externas. O CEO afirmou que pretendem manter sua política de distribuir aos investidores 35% do lucro neste ano (payout).
“Uma das características da Taurus é tomar decisões rápidas e se adequar às realidades, sejam positivas ou negativas”, apontou Nuhs.
Ele também reforçou que a empresa é “uma forte geradora de caixa” e que, sem compromissos maiores de investimento, “a possibilidade de pagar dividendos é grande”. Ainda assim, sinalizou que os pagamentos dependem da disponibilidade de caixa.
Um ponto ainda no radar da companhia é se o pagamento efetivo vai ocorrer em 2026 ou se a empresa, como já sinalizado, vai apenas anunciar a distribuição neste ano e o investidor receber os valores no bolso apenas em 2027.
Nuhs lembra que a meta de a Taurus ser uma boa pagadora da bolsa segue viva, mas a cicatriz deixada por Trump e suas tarifas empurrou o plano. Já em 2027, é esperado um cenário mais favorável pelo executivo para voltar a agradar seus acionistas com dividendos trimestrais.
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