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CNBCNvidia vai investir valor bilionário em empresas de tecnologia fotônica; entenda

Bolsa de Valores

Ibovespa recupera os 185 mil pontos com apoio de bancos e alívio em conflito entre EUA e Irã

Publicado 04/03/2026 • 18:03 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O Ibovespa encerrou o pregão em campo positivo, conseguindo recuperar parte do terreno perdido recentemente após a forte instabilidade nos mercados globais.
  • A melhora no humor dos investidores foi impulsionada pela sinalização dos Estados Unidos de que garantirão a segurança no transporte de petróleo, reduzindo o temor de um desabastecimento mundial.
  • Apesar da trégua momentânea nas tensões do Oriente Médio, o mercado doméstico manteve o sinal de alerta ligado devido ao desdobramento de operações policiais contra fraudes em instituições financeiras.

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (4) em alta de 1,24%, aos 185.366,44 pontos, com variação de 2.261,57 pontos no dia. Após o forte recuo registrado no pregão anterior, o índice buscou uma trajetória de recuperação, operando entre a mínima de 183.110,02 pontos e a máxima de 186.306,18 pontos.

O movimento de hoje foi marcado por um alívio temporário nas tensões geopolíticas, permitindo que o mercado brasileiro acompanhasse o ensaio de melhora nas bolsas internacionais.

O cenário externo continua sendo o principal vetor de influência para os ativos domésticos, com o foco total voltado para o desenrolar da guerra no Oriente Médio. A ausência de novas escaladas militares imediatas e a sinalização de que os Estados Unidos atuarão na escolta de petroleiros no Estreito de Ormuz trouxeram certo conforto aos investidores.

O mercado reagiu à promessa do governo americano de garantir o abastecimento energético global, o que ajudou a mitigar o temor de um choque inflacionário imediato derivado da disparada das commodities.

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Segundo Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, o protagonismo do conflito é absoluto e dita o ritmo das negociações. “O que está movendo as bolsas americanas neste momento é, sem qualquer dúvida, o contexto de guerra. Não há outro fator com força suficiente para disputar esse protagonismo”, afirma.

O analista destaca que o movimento atual é uma correção técnica, uma vez que o fluxo de notícias perdeu intensidade momentaneamente, embora o pessimismo estrutural ainda não tenha sido dissipado.

No front doméstico, as atenções se voltaram para o ambiente corporativo e jurídico com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, ocorrida no âmbito de uma nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação, que apura fraudes em instituições financeiras, adicionou uma camada de cautela ao setor bancário, embora o impacto nos grandes ativos tenha sido limitado.

Além disso, os investidores monitoraram a aceleração dos preços ao produtor, que registraram avanço de 0,34% no primeiro mês do ciclo atual, reforçando o debate sobre a política monetária.

A expectativa sobre a taxa de juros permanece no radar, com o mercado recalibrando as apostas para a reunião do Copom programada para ocorrer até o dia 18 de março. “O ciclo de cortes deve começar, mas com magnitude menor do que se imaginava. O mais provável é um corte de 0,50 ponto percentual“, avalia Santana. Ele pondera que, embora o ciclo de quedas da Selic deva ser iniciado, o tom das próximas decisões tende a ser de vigilância redobrada diante das incertezas globais e da pressão sobre o câmbio.

Bancos apoiaram recuperação

A recuperação do índice também foi impulsionada por grandes bancos, com saltos que superaram 4,14%. O Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4), valorizaram 1,44% e 1,42%, respectivamente.

Desempenho das ações

Maiores altas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
Pão de AçúcarPCAR314,67R$ 2,97
BraskemBRKM513,72R$ 10,86
MagaluMGLU35,89R$ 9,53
NaturaNATU35,13R$ 9,01
VamosVAMO35,06R$ 4,36
AurenAURE34,15R$ 12,04
Fonte: TradeMap

Entre as maiores altas do pregão, o destaque absoluto foi PCAR3, que disparou 14,67%, impulsionada pela notícia de repactuação de dívidas do grupo GPA.

No setor petroquímico, BRKM5 saltou 13,72%, figurando entre os principais ganhadores do dia em um movimento de recuperação setorial.

Maiores baixas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
RaízenRAIZ4-13,04R$ 0,60
AssaíASAI3-3,35R$ 8,36
SuzanoSUZB3-1,35R$ 56,50
PetrobrasPETR4-1,10R$ 40,50
PetrobrasPETR3-0,72R$ 44,06
MinervaBEEF3-0,62R$ 4,83
Fonte: TradeMap

Na ponta negativa, RAIZ4 liderou as perdas com uma queda severa de 13,04%. O papel foi fortemente pressionado após a Cosan e a Shell não chegarem a um acordo sobre o processo de capitalização da companhia.

O setor de energia e combustíveis também viu recuos em PETR4, que caiu 1,10%, e PETR3, com baixa de 0,72%, refletindo uma correção após as fortes altas recentes e o alívio nos preços do petróleo com a intervenção naval americana.

O setor varejista apresentou comportamento misto, com ASAI3 recuando 3,35%, enquanto empresas voltadas ao consumo doméstico tentaram se sustentar no terreno positivo acompanhando a queda dos juros futuros. No setor metalúrgico, a VALE3 encerrou com estabilidade e viés de baixa de 0,46%, amparada pelo desempenho do minério de ferro na China, enquanto SUZB3 perdeu 1,35% em meio aos ajustes no câmbio.

Dólar tem queda com realização de lucros

O dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira em queda de 0,89%, cotado a R$ 5,218. A moeda norte-americana passou por um movimento de realização de lucros após a expressiva valorização acumulada nos últimos dias, operando entre a mínima de R$ 5,194 e o patamar máximo de R$ 5,257.

A desvalorização foi sustentada pelo ambiente externo menos hostil e pelo avanço da Operação Epic Fury liderada pelos EUA, que, segundo relatos oficiais, teria atingido alvos estratégicos e reduzido a capacidade de retaliação naval do Irã.

Esse cenário de cerco diplomático e militar reduziu a busca desenfreada por proteção na moeda americana, permitindo uma valorização pontual do real e o fechamento das taxas de juros futuros no Brasil.

Análise

O especialista Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, afirmou que o dia foi marcado por uma trégua parcial na volatilidade global, impulsionada por notícias de uma possível mediação diplomática entre o Irã e os Estados Unidos.

Corleta explicou que, embora o cenário geopolítico continue tenso — com incidentes militares envolvendo navios de guerra e submarinos —, a sinalização de diálogo trouxe uma “certa calmaria” momentânea ao mercado de energia, permitindo que o índice brasileiro acompanhasse o otimismo das bolsas internacionais.

A análise também enfatizou a resiliência da economia americana, que registrou o maior PMI de serviços desde 2022, evidenciando um setor extremamente aquecido nos últimos quatro anos. Corleta observou que, apesar de dados de atividade fortes geralmente afastarem a perspectiva de cortes nas taxas de juros, os mercados reagiram positivamente à solidez econômica global.

No Brasil, o setor bancário foi o grande protagonista do dia, compensando o desempenho mais tímido da Petrobras e ajudando a sustentar o viés de alta do índice local.

Por fim, Corleta comentou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e as repercussões do caso Banco Master, avaliando que o impacto para o sistema financeiro é “mínimo ou marginal” no momento, visto que a liquidação de riscos já ocorreu. Entretanto, ele alertou que o cenário pode mudar caso surjam desdobramentos de uma delação premiada envolvendo nomes do alto escalão da República.

Para o analista, se o escândalo atingir o Poder Executivo ou o Legislativo, poderemos ver um aumento significativo no prêmio de risco do Brasil, afetando diretamente as expectativas de juros e câmbio para o restante de 2026.

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