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Avanço de China e Rússia no Ártico leva EUA a investir R$ 157 bilhões em quebra-gelos

Publicado 28/03/2026 • 19:40 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • EUA planejam construir 11 novos quebra-gelos para recuperar presença no Ártico.
  • China e Rússia ampliam atuação e dominam rotas estratégicas que encurtam viagens marítimas.
  • Região ganha peso geopolítico e se torna foco de segurança nacional para Washington.
O aumento da presença de China e Rússia no Ártico tem intensificado a preocupação dos Estados Unidos, que agora veem a região como um novo campo estratégico de disputa marítima e militar. Com o avanço do degelo e a ampliação das rotas navegáveis, o governo americano decidiu reforçar sua atuação no polo norte.

O aumento da presença de China e Rússia no Ártico tem intensificado a preocupação dos Estados Unidos, que agora veem a região como um novo campo estratégico de disputa marítima e militar. Com o avanço do degelo e a ampliação das rotas navegáveis, o governo americano decidiu reforçar sua atuação no polo norte.

Nesse contexto, Washington lançou um plano de US$ 30 bilhões (R$ 157,8 bilhões) para revitalizar sua capacidade marítima, incluindo a construção de 11 novos quebra-gelos polares – um salto significativo em relação à atual frota, que conta com apenas três embarcações, sendo uma delas com cerca de 50 anos de operação.

A disputa gira em torno de rotas como a Passagem do Noroeste e a Rota do Mar do Norte, que conectam o Ártico ao Atlântico e podem reduzir em até 4.500 milhas náuticas o trajeto entre Ásia, Europa e América do Norte, diminuindo custos e tempo de transporte.

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O aquecimento global tem ampliado a janela de navegação nessas áreas, impulsionando o tráfego. Em 2025, mais de 1.800 embarcações cruzaram a região, um aumento de 40% em relação a 2013. A China, por exemplo, realizou 14 viagens, incluindo a primeira travessia de um navio porta-contêineres pela rota.

Enquanto isso, a Rússia mantém uma frota de 45 quebra-gelos, sendo oito com propulsão nuclear, e a China já possui três unidades, com um modelo nuclear em desenvolvimento. A diferença evidencia a desvantagem americana no setor.

“O motivo de termos ficado para trás nessa corrida está ligado principalmente ao financiamento da Guarda Costeira dos EUA”, afirmou Lou Sola, ex-presidente da Comissão Marítima Federal. Segundo ele, problemas de manutenção levaram até à prática de retirar peças de um navio para manter outro em funcionamento.

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Para autoridades americanas, a questão vai além da economia. O aumento da atividade no Ártico é tratado como um tema de segurança nacional, especialmente diante da aproximação entre China e Rússia, que têm ampliado a cooperação na região desde um acordo firmado em 2023 para desenvolver rotas comerciais – iniciativa que Pequim chama de “Rota da Seda Polar”.

A relevância estratégica também envolve a proximidade com a Groenlândia e rotas críticas entre grandes potências. “A menor distância entre Rússia e Estados Unidos passa por essa região”, explicou Aaron Roth, especialista em estratégia e segurança. Isso torna o Ártico essencial para monitoramento e defesa militar.

A preocupação se soma a outras iniciativas do governo Donald Trump, que já manifestou interesse na Groenlândia por razões de segurança nacional. As rotas marítimas passam próximas à ilha, aumentando seu valor estratégico.

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Para recuperar terreno, o plano americano inclui não apenas novos navios, mas também a revitalização da indústria naval. Empresas como a Davie Defense devem construir parte das embarcações, com investimentos entre US$ 700 milhões (R$ 3,7 bilhões) e US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para modernizar estaleiros no Texas.

A expectativa é que a produção dos novos quebra-gelos se estenda pelos próximos anos, com entregas previstas a partir da próxima década. Enquanto isso, os EUA tentam reduzir a desvantagem frente a rivais que já consolidaram presença em uma região cada vez mais estratégica – tanto para o comércio global quanto para o equilíbrio geopolítico.

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