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Tensão geopolítica e composição voltado ao físico favorecem bolsa brasileira; veja altas e baixas da semana 

Publicado 11/04/2026 • 21:11 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Entrada de capital estrangeiro, distensão geopolítica envolvendo o Irã e rotação global de investimentos impulsionam mercados emergentes, com destaque para o Brasil.
  • Estratégia de “halo trades” e peso de commodities e utilities favorecem o desempenho do mercado brasileiro, ainda considerado descontado apesar da alta acumulada.
  • Hapvida lidera ganhos com reestruturação societária, enquanto Azzas 2154 registra maior queda após revisão de recomendação e incertezas na gestão.
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Quais índices de ações superaram o Ibovespa B3? Veja os que mais renderam

A semana terminou com novo patamar para o mercado acionário brasileiro. O Ibovespa alcançou 197.323 pontos na sexta-feira, 10, estabelecendo mais um recorde no ano, o 16º em 2026 e o nono consecutivo. No mercado de câmbio, o dólar recuou ao longo dos últimos dias e encerrou cotado a R$ 5,01, menor nível em cerca de dois anos, impulsionado pelas tensões geopolíticas do Oriente Médio e pelas expectativas de afrouxamento monetário.

O avanço foi favorecido pelo ingresso de capital estrangeiro e por um ambiente externo menos pressionado, após sinais de distensão no Irã. Em 2026, o índice acumula valorização superior a 22%, com desempenho positivo também em abril.

Segundo Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, o mercado financeiro brasileiro tem se destacado em meio a um cenário global conturbado, impulsionado por fatores geopolíticos e o avanço da inteligência artificial. Ele explica que o início do ano foi muito conturbado, marcado por dois grandes gatilhos de apreciação do mercado nacional.

O primeiro é geopolítica. No começo do ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, inflamou o tabuleiro de xadrez global com declarações sobre a anexação da Groenlândia e a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. “Esse cenário levou a uma saída forte de fluxo dos Estados Unidos, já que muitos investidores estavam muito alocados no país e começaram a reduzir suas posições”, afirma.

O segundo fator foram os “halo trades” (Heavy Assets, Low Obsolescence), que é uma estratégia de investimento focada em empresas donas de ativos físicos tangíveis e difíceis de substituir, resistentes à disrupção da inteligência artificial. Com a corrida da IA, o mercado começou a temer quais setores poderiam se tornar obsoletos. Isso resultou em uma queda para empresas de software, enquanto setores com ‘ativos reais fortes’, como commodities, se fortaleceram”, afirma. Passos ressaltou que “o mundo não vai deixar de consumir commodities”.

Nesse contexto, os investidores que estavam “completamente sobrealocados nos países desenvolvidos”, como Estados Unidos e Europa, passaram a reduzir sua exposição e migrar para mercados emergentes. A razão para essa migração é que os mercados emergentes são “geralmente relacionados à commodity e têm aqui ativos mais, ah, ligados também a mais ativo real”. Além disso, mercados emergentes com “taxas mais altas de juros” se tornaram mais atrativos.

Dentro dos mercados emergentes, a América Latina se destacou devido ao histórico pacifista da região, o que a tornou um destino seguro para o capital em meio à instabilidade geopolítica. Além disso, a Latam apresentava um “valuation bastante defasado”, ou seja, mais barato do que deveria estar, o que a tornou ainda mais atraente.

A composição do Ibovespa também contribuiu para o bom desempenho, haja vista que cerca de 30% do índice pode se resumir às commodities, e uma parcela de utilities bem expressiva, explica Passos. Além disso, o Brasil possui uma matriz energética limpa e abundante, o que torna o País um beneficiário do avanço da inteligência artificial. Passos conclui que “tudo combinou” para o Brasil, que era “uma saída mais interessante”.

Empresas 

Apesar de o Ibovespa se aproximar cada vez mais do marco simbólico de 200 mil pontos, o mercado brasileiro ainda é considerado “barato”, explica o especialista. Essa percepção se baseia nos resultados trimestrais satisfatórios das empresas, que demonstram crescimento de lucro e maior eficiência. As revisões de lucro para o Ibovespa têm sido positivas, e a alta do petróleo contribui para tornar o valuation ainda mais atrativo.

Maiores altas

Entre os destaques da semana, a Hapvida registrou a maior valorização, com alta de 24,76%. O desempenho foi impulsionado por uma reestruturação societária, que incluiu mudanças no controle acionário e a saída do fundador Jorge Pinheiro após 27 anos à frente da companhia. A divulgação de participação relevante do BTG Pactual, de cerca de 8,43%, somada à exposição via derivativos, também reforçou o interesse institucional pelos papéis. Após a disparada, a ação terminou a semana cotada a R$ 13,25.

A C&A avançou 12,96%, mesmo em um ambiente de incerteza para o setor de varejo. O movimento ocorre em meio a discussões sobre possíveis mudanças na tributação de compras internacionais de até US$ 50, o que pode intensificar a concorrência com empresas estrangeiras. Ainda assim, as ações reagiram positivamente, em um contexto de recuperação após perdas recentes e expectativa de adaptação ao novo cenário. O preço por ação da varejista é de R$ 13,60.

Depois, vem a Auren Energia, que acumulou allta de 10,58% na semana, chegando a R$ 13,90. A companhia divulgou resultados do quarto trimestre de 2025, com lucro líquido de R$ 354,7 milhões, revertendo prejuízo anterior, e EBITDA ajustado próximo de R$ 1 bilhão, indicando avanço operacional após processos de integração e reorganização.

Já a Equatorial Energia subiu 10,54%, apoiada em iniciativas voltadas à inovação. A empresa anunciou investimento de R$ 21 milhões no Projeto Delfos, que utiliza inteligência artificial para monitorar, em tempo real, a experiência dos consumidores nas distribuidoras do grupo. A companhia é negociada a R$ 44,77.

“Empresas do setor de utilities possuem forte relação de precificação com as taxas de juros, dada a natureza de seus contratos regulados, que limita a capacidade de repasse de preços ao consumidor e torna o valor presente dos fluxos futuros mais sensível ao custo de capital. Nesse sentido, o anúncio do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e o subsequente alívio na curva de juros trouxeram benefício direto para a precificação da companhia”, explica Breno Falseti, sócio da Rubik Capital.

Por fim, a Axia Energia registrou ganhos de 10,21% nas ações ordinárias e de 10,32% nas preferenciais. O desempenho veio após a aprovação da migração para o Novo Mercado, com a conversão de papéis preferenciais em ordinários, medida alinhada às exigências de governança do segmento e que tende a ampliar o interesse de investidores institucionais. O papel é negoicado a R$ 71,84

Maiores baixas 

Na semana de rali, apenas 13 das 83 ações do índice registraram recuo. O grande destaque foi para a Azzas, que liderou as perdas da semana, com recuo de 17,33%. O desempenho foi pressionado após revisão de recomendação pelo Bank of America. Apesar de lucro recorrente estável no quarto trimestre de 2025, a instituição apontou aumento de custos, pressões operacionais e um ambiente competitivo mais intenso, além de possíveis reflexos das tensões geopolíticas sobre o consumo.

Falseti acrescenta que a queda expressiva da Azzas foi coorroborada pela saída de Ruy Kameyama, que havia assumido como CEO da divisão de fashion & lifestyle em agosto do ano passado. “Kameyama é o nono executivo de alta relevância a deixar a companhia desde a fusão entre Arezzo&Co e Soma, consolidando um padrão de rotatividade no topo que preocupa o mercado. A visão do mercado é que Kameyama atuava como intermediário entre os dois principais líderes da empresa — Roberto Jatahy e Alexandre Birman —, cuja comunicação estaria comprometida. A saída amplifica a percepção de que a integração entre as duas culturas corporativas enfrenta dificuldades relevantes”, afirma. 

A Suzano caiu 7,26%, também após rebaixamento pelo Bank of America e redução do preço-alvo. Os papéis apresentaram volatilidade ao longo da semana, chegando a entrar em leilão na B3, em meio à revisão de expectativas para o setor. “A revisão reflete uma leitura mais cautelosa sobre o mercado global de celulose: o banco aponta para um regime estruturalmente com excesso de oferta, impulsionado pela expansão da produção doméstica na China — que dobrou nos últimos cinco anos — e pela entrada de nova capacidade de baixo custo na América Latina nos próximos anos”, afirma Falseti.

Depois, veio a Marfrig, com queda de 4,62%, impactada pelo cenário externo. O aumento das tensões no Oriente Médio elevou custos logísticos e ampliou incertezas para exportadoras de proteína animal. O BB Investimentos também revisou para baixo o preço-alvo da companhia, citando desafios relacionados a barreiras comerciais e à demanda global.

Já a Totvs recuou 3,29% na semana. A companhia informou que transações vinculadas ao acordo com o Instituto da Oportunidade Social atingiram R$ 50 milhões, patamar que exige divulgação ao mercado, conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários.

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