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Ormuz é principal entrave nas negociações entre Irã e EUA; mercados temem choque que escassez de petróleo pode provocar
Publicado 11/04/2026 • 23:13 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 11/04/2026 • 23:13 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
Foto: Reuters
A disputa em torno do Estreito de Ormuz, crucial para o abastecimento global de petróleo e para o equilíbrio regional, limita progressos nas tratativas, realizadas em um momento de expectativa por uma possível reconfiguração das relações entre os dois países.
Segundo Arthur Horta, analista da The Link Investimentos, a continuidade do bloqueio pode ter efeitos prejudiciais e contínuos nos mercados. “Se a guerra continuar, os impactos devem ser devastadores para os mercados. Uma parte importante da oferta de petróleo do mundo simplesmente não está mais circulando, e a gente não reduz o consumo de petróleo assim de uma hora para outra. Os estoques não são suficientes e a gente vai entrar numa escassez de oferta de petróleo que vai gerar um choque”, afirma.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis da economia global. Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, ele funciona como uma espécie de “válvula” por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, além de volumes relevantes de gás natural liquefeito. Em termos práticos, isso significa que qualquer interrupção no fluxo da região reverbera quase instantaneamente nos preços internacionais de energia, na inflação e no custo de produção em diversos países.
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Siga o Times | CNBCA importância do estreito não é apenas quantitativa, mas também geográfica. Grandes produtores, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, dependem dessa passagem estreita para exportar sua produção. Diferente de outras rotas, não há alternativas logísticas equivalentes em escala e custo. Quando o tráfego é interrompido, o mercado reage com volatilidade elevada, refletindo o risco de escassez e a dificuldade de substituição imediata dessa oferta.
É nesse ponto que surge o conflito entre Estados Unidos e Irã. Para Washington, a livre navegação em Ormuz é um princípio estratégico. A reabertura da rota é vista como essencial para estabilizar os mercados globais e garantir o abastecimento de aliados, especialmente na Ásia e na Europa. Por isso, os EUA defendem a retirada de bloqueios, minas e qualquer tipo de restrição ao tráfego marítimo, mesmo que por meio de operações militares.
Já o Irã enxerga o estreito como um instrumento de poder. Ao controlar ou restringir a passagem, Teerã consegue pressionar economicamente seus adversários e ganhar influência nas negociações internacionais. O bloqueio, nesse sentido, funciona como uma moeda de troca. O país condiciona a reabertura a concessões, como o alívio de sanções, o fim de operações militares na região e o reconhecimento de seus interesses estratégicos.
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