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Bolsa recua com realização de lucros, mas Brasil segue atrativo ao capital estrangeiro, avalia especialista
Publicado 22/04/2026 • 21:51 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 22/04/2026 • 21:51 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
A queda do Ibovespa na sessão desta quarta-feira (22) refletiu, em grande parte, um movimento de realização de lucros considerado natural após a forte valorização recente do mercado brasileiro. Segundo Jefferson Bittencourt, economista da ASA, em entrevista ao Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, o desempenho positivo acumulado e o fato de não ter havido pregão no dia anterior contribuíram para concentrar ajustes nesta sessão.
“O Brasil vem de um momento muito favorável, com a bolsa performando bem e atraindo investidores internacionais”, afirmou. Na avaliação do economista, o País tem se destacado como destino atrativo por combinar distância geopolítica de conflitos, especialmente no Oriente Médio, com retornos relevantes no curto prazo.
Esse fluxo estrangeiro, que tem sustentado a alta do mercado desde o início do ano, tende a continuar. Em termos relativos, o Brasil ainda se mostra competitivo frente a outros mercados, sustentado por juros elevados, menor percepção de risco e um ambiente político considerado previsível pelos investidores internacionais, mesmo com a proximidade do ciclo eleitoral.
No câmbio, o dólar encerrou estável e segue abaixo de R$ 5. Para Bittencourt, a trajetória da moeda depende principalmente do cenário externo. A expectativa de redução das tensões geopolíticas favorece um real mais forte no curto prazo. Por outro lado, uma eventual piora do conflito internacional pode pressionar a moeda brasileira.
Em relação à política monetária, a ASA projeta continuidade no ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, porém de forma mais gradual. A estimativa é de uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, com ritmo semelhante nas decisões seguintes, diante das incertezas externas.
O cenário atual, contudo, já representa uma revisão em relação às projeções anteriores ao agravamento do conflito geopolítico. Antes, a expectativa era de uma Selic encerrando o ano entre 11,5% e 12%, patamar que agora é considerado improvável.
Sobre a inflação, o economista avalia que o Banco Central reconhece a desancoragem das expectativas como um fator de risco, mas não deve alterar de forma significativa a condução da política monetária por esse motivo. Segundo ele, a autoridade monetária já vinha adotando postura mais tolerante em relação a esse movimento desde o início do ciclo de cortes.
Por fim, Bittencourt destaca que a economia brasileira deve apresentar maior resiliência em comparação a outros países, em linha com projeções de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional. A ASA estima crescimento de cerca de 1,5% neste ano, com aceleração para 2% em 2026.
A combinação de crescimento moderado, juros elevados e menor exposição direta a conflitos internacionais continua a sustentar a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros.
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