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Falhas no modelo de SAF criaram problemas para o Botafogo, diz especialista

Publicado 24/04/2026 • 18:07 | Atualizado há 29 minutos

KEY POINTS

  • Amir Somoggi afirma que o Botafogo piorou sua situação financeira após virar SAF.
  • Especialista critica falta de controle orçamentário e ausência de transparência nos balanços.
  • Prejuízo das SAFs no Brasil já passa de R$ 1 bilhão, segundo o diretor da Sports Value.

A crise institucional e financeira do Botafogo, que agora enfrenta o afastamento de John Textor pela justiça e uma dívida que já ultrapassa a marca de R$ 2 bilhões, evidencia as falhas estruturais no modelo de gestão do clube. É o que afirma Amir Somoggi, diretor da Sports Value, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Ele explicou que o clube carioca hoje se encontra em uma situação mais grave do que antes de se tornar Sociedade Anônima do Futebol (SAF), devido à falta de mecanismos de controle orçamentário. “Não se criou um mecanismo de controle e o Textor começou a injetar recursos sem ter orçamento, alavancando o clube de forma insustentável. O Botafogo fechou os últimos três anos com R$ 600 milhões de prejuízo, mesmo com receitas multiplicadas, o que prova que o modelo focado apenas em aportes do dono não gera lucro para o acionista”.

Leia também: Em dois dias, Botafogo pede recuperação judicial e vê Textor ser afastado do comando da SAF

A transparência da gestão também foi criticada pelo especialista, que mencionou a recusa do clube em publicar seus balanços financeiros. “O Botafogo simplesmente se recusou a publicar o balanço, sendo o único clube brasileiro a não fazer isso, o que é maléfico para a credibilidade da marca. A torcida demorou a perceber que a gestão, em tese profissional, acabou tratando o clube como uma quitanda familiar, utilizando-o como um time satélite para cobrir rombos em outras equipes do grupo, como o Lyon”.

Somoggi destacou que o prejuízo acumulado pelas SAFs no Brasil já supera R$ 1 bilhão, refletindo uma tentativa desesperada de competir com gigantes como Palmeiras e Flamengo sem lastro financeiro. “Os clubes querem competir sem ter recursos em caixa, alavancam a gestão e, quando dá errado, o prejuízo salta para R$ 300 milhões, como vimos em 2024. Isso mostra que os controles internos são muito mais importantes do que apenas uma nova lei que transforme clubes em empresas”.

Para o diretor da Sports Value, o futuro do futebol brasileiro pode estar em modelos de investimento mais sólidos, como o alemão, em vez do foco em “mecenas apaixonados”.

Leia também: Do prejuízo ao afastamento: a linha do tempo da crise do Botafogo até a recuperação judicial

“O futuro talvez seja quando um grande investidor comprar um clube já sanado, como o Athletico Paranaense, para focar no crescimento da marca em longo prazo. No modelo do Bayern de Munique, grandes empresas são acionistas minoritárias e patrocinadoras ao mesmo tempo, criando uma simbiose profissional que ainda parece distante da realidade atual das SAFs brasileiras”.

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