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Em dois dias, Botafogo pede recuperação judicial e vê Textor ser afastado do comando da SAF
Publicado 24/04/2026 • 07:41 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/04/2026 • 07:41 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Alexandre Brum/Enquadrar/Estadão Conteúdo
A SAF do Botafogo Futebol e Regatas viveu, entre a quarta-feira (22) e a quinta-feira (23), uma sequência de decisões que expôs a profundidade da crise financeira e institucional do clube. No primeiro dia, o protocolo do pedido de recuperação judicial com um passivo superior a R$ 2,5 bilhões. No seguinte, o afastamento imediato de John Textor do comando da SAF por determinação do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas.
Os dois eventos, separados por menos de 24 horas, se retroalimentam e revelam um Botafogo pressionado por múltiplas frentes ao mesmo tempo.
Na quarta-feira (22), a SAF alvinegra protocolou o pedido de recuperação judicial junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os documentos enviados à 2ª Vara Empresarial descrevem um quadro financeiro deteriorado ao longo dos três últimos exercícios.
O passivo total supera R$ 2,5 bilhões, sendo cerca de R$ 400 milhões em dívidas tributárias. Do total, R$ 1,4 bilhão refere-se a obrigações já vencidas ou com vencimento previsto até o fim de 2026.
Os balanços encerrados nos três últimos anos fecharam no vermelho. Em 2023, o prejuízo foi de R$ 56 milhões. Em 2024, subiu para R$ 300 milhões. Em 2025, chegou a R$ 287 milhões. O resultado acumulado levou o patrimônio líquido da SAF a R$ 427,2 milhões negativos.
Os advogados do clube alertaram que, com o volume de cobranças em andamento, a companhia não teria recursos para quitar a folha salarial de maio. O pedido pede à Justiça a suspensão de execuções e a proibição de penhoras, arrestos e bloqueios sobre os bens da SAF enquanto o processo de recuperação avança.
Na nota divulgada no mesmo dia, o Botafogo enquadrou o pedido como um “movimento de reorganização financeira”, atribuindo parte da crise à “frustração de entradas financeiras relevantes e à descontinuidade de determinados suportes previstos no modelo originalmente estruturado.”
Menos de 24 horas depois, o Tribunal Arbitral da FGV determinou o afastamento automático e imediato de John Textor da administração da SAF. A decisão foi tomada após pedido da Eagle Bidco, sócia majoritária da empresa, e tem caráter conservatório até a reanálise prevista para a próxima quarta-feira (29).
O mesmo tribunal cancelou a Assembleia Geral Extraordinária marcada para a segunda-feira (27).
Horas antes de ser afastado, Textor havia se reunido com o elenco para prestar esclarecimentos sobre a recuperação judicial e garantir que os salários seriam pagos.
Leia também: Botafogo rompe o silêncio e admite novos investidores após crise com John Textor
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Seguir no GoogleO Botafogo reagiu à decisão com uma nota em que contesta os limites da medida. O clube afirma que o afastamento de Textor “não encontra correspondência nos pedidos submetidos à apreciação do Tribunal, tendo sido determinada sem requerimento específico das partes.”
A SAF também questiona o alcance da decisão, argumentando que ela “avança sobre matéria tipicamente societária, substituindo, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas.”
O clube ressaltou que adotará “todas as medidas cabíveis para a revisão da decisão” e acrescentou que a divulgação dos trechos da determinação arbitral viola o dever de confidencialidade do procedimento.
Para garantir a continuidade operacional durante o processo, a SAF nomeou Durcesio Mello como diretor-geral interino. A medida visa assegurar a representação do Botafogo no âmbito da recuperação judicial, junto aos órgãos desportivos e demais instâncias.
O clube afirmou que segue em atividade e participando normalmente das competições esportivas, sem impacto no calendário.
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