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BBB perde força na televisão e escancara importância da sinergia digital

Publicado 25/04/2026 • 13:04 | Atualizado há 22 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Globo / Divulgação

BBB 27

O BBB 26 terminou deixando um sinal claro de desgaste para a Globo na televisão aberta. A terceira pior audiência de final da história não é um detalhe isolado, mas um indicativo de perda de força de um dos produtos mais importantes da emissora. Mesmo com o discurso de que se tratava de uma edição de colecionador, os números mostram que o público não respondeu com o mesmo entusiasmo de anos anteriores. Isso enfraquece a narrativa sustentada pela própria Globo.

A marca de 20,4 pontos na final precisa ser analisada dentro do contexto histórico do reality. Tradicionalmente, o último episódio concentra o maior interesse e costuma reunir até espectadores que não acompanharam a temporada completa. Quando esse momento não consegue gerar um salto significativo, o problema se torna estrutural. O BBB 26, nesse sentido, evidencia que o evento final já não tem o mesmo poder de mobilização que consolidou o programa como fenômeno.

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Na média geral, o cenário é ainda mais delicado. Os 16,7 pontos na Grande São Paulo colocam o programa em uma zona de desempenho considerada baixa para os padrões históricos da Globo. Embora exista uma leve alta em relação ao ano anterior, o crescimento de apenas cinco décimos não altera o quadro geral. O reality parece ter encontrado um novo patamar de audiência, mais modesto e distante do auge, o que exige uma reavaliação de expectativas.

Receber um público fragilizado no horário anterior, como aconteceu com a edição de 2025, impacta diretamente a retenção, especialmente em um formato diário como o BBB. Ainda assim, o reality sempre demonstrou capacidade de reação ao longo da temporada, algo que desta vez aconteceu de forma limitada. Isso sugere que o problema não está apenas na herança, mas também na capacidade atual do programa de reconquistar audiência.

Em contrapartida, os números das redes sociais mostram que o BBB continua relevante em outro ambiente. As 32 bilhões de visualizações indicam um volume expressivo de consumo e interação, o que reforça a presença do programa no debate público. Esse desempenho ajuda a Globo a reposicionar o produto no mercado, valorizando métricas digitais como argumento comercial. A conversa sobre o reality segue intensa, mesmo que não se traduza integralmente em ibope na TV.

No entanto, há uma diferença fundamental entre engajamento digital e audiência linear. Visualizações e menções em redes sociais não garantem o mesmo nível de atenção, permanência e retorno publicitário que a televisão oferece. O desafio está justamente em equilibrar esses dois universos. A Globo aposta em um modelo que amplia o conceito de audiência, mas ainda depende da TV aberta como principal vitrine para justificar o peso do BBB na programação.

Essa tensão se torna mais evidente quando se observa o valor das cotas de patrocínio. Com preços que chegam a R$ 132,5 milhões, o BBB continua sendo um dos produtos mais caros do mercado publicitário brasileiro. Para sustentar esse investimento, é necessário entregar resultados consistentes em múltiplas plataformas. Quando a audiência na TV recua, cresce a pressão para que o digital compense essa perda de forma convincente para os anunciantes.

O cenário projetado para o BBB 27 amplia esse desafio. A Globo não poderá recorrer constantemente ao discurso de edição especial para impulsionar interesse. Sem esse diferencial, o

programa precisará encontrar novas formas de atrair público e manter relevância. Isso passa por elenco, dinâmica e capacidade de gerar repercussão, mas também por uma adaptação mais clara às mudanças no consumo de mídia.

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