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Serviço Postal dos EUA suspende encomendas da China e de Hong Kong, após tarifa de Trump
Publicado 05/02/2025 • 11:04 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 05/02/2025 • 11:04 | Atualizado há 1 ano
KEY POINTS
REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo
É provável que os americanos passem a pagar mais por produtos de plataformas chinesas de e-commerce populares, como Shein e Temu, já que o Serviço Postal dos EUA (USPS), agência governamental responsável por entregas de pacotes e correspondências, anunciou que deixará de aceitar encomendas provenientes da China e de Hong Kong.
A medida foi anunciada na última terça-feira (4), após os EUA terem imposto uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chineses e encerrado uma exceção alfandegária que permitia que encomendas de pequeno valor entrassem no país sem o pagamento de impostos.
Canadá e México conseguiram negociar um adiamento de um mês em relação às tarifas de 25% que foram ameaçadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Isso provavelmente impactará destinos de compras online como Shein e Temu, populares entre os jovens americanos pela oferta de roupas baratas e outros produtos, geralmente enviados diretamente da China.
O serviço postal direto e de baixo custo ajuda essas empresas a manter os custos reduzidos. A suspensão temporária pelo USPS provavelmente atrasará os envios e pode resultar em preços mais altos a longo prazo.
O que exatamente o USPS anunciou? O Serviço Postal dos EUA informou, em um comunicado, que deixará de aceitar, temporariamente, encomendas vindas dos Correios da China e de Hong Kong até novo aviso.
Cartas e pacotes “flats” – correspondências com até 15 polegadas (38 centímetros) de comprimento ou 1,9 centímetros de espessura não foram afetados. Por que isso aconteceu? O USPS não informou um motivo em seu breve comunicado, mas a suspensão ocorreu logo após Trump encerrar, nesta semana, a exceção alfandegária que permitia que consumidores e importadores evitassem tarifas em pacotes com valor inferior a US$ 800.
A isenção foi removida como parte de uma ordem executiva para aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos chineses. Qual é o impacto e quem é mais afetado? Tanto consumidores quanto empresas não poderão mais enviar encomendas para os EUA provenientes de Hong Kong ou China.
Essa medida provavelmente impactará empresas chinesas de e-commerce, como Shein e Temu, embora a Shein deva ser mais afetada, segundo Jacob Cooke, CEO da agência de marketing de e-commerce WPIC Marketing + Technologies.
Ambas as empresas possuem uma fatia de mercado significativa nos EUA. “Comparada à Temu, a Shein depende mais do USPS para o envio direto ao consumidor a partir da China, e sem esse canal, terá que recorrer mais a transportadoras privadas”, afirmou Cooke.
“Isso aumentará os custos logísticos, que, juntamente com o recente fim da isenção de minimis para a maioria dos produtos da China, poderá comprometer sua vantagem de preço.” Cooke explicou que a Temu opera com um modelo de semi-consignação e frequentemente envia pedidos em grandes volumes para os EUA antes de processar os pedidos localmente.
“O modelo da Temu de adquirir produtos de baixo custo também deve permitir que a plataforma absorva custos logísticos mais altos e permaneça competitiva em termos de preço”, acrescentou. Nem a Shein nem a Temu se manifestaram imediatamente.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que o país tomará “medidas necessárias” para proteger suas empresas e instou os EUA a “parar de politizar questões econômicas e comerciais, usando-as como ferramenta, e a deixar de reprimir indevidamente as empresas chinesas”.
Quais são as possíveis maneiras de as empresas contornarem o problema? Não está claro por quanto tempo a suspensão do USPS durará, mas o esforço para reprimir a exceção de minimis parece representar uma mudança de política a longo prazo, segundo Cooke. “Shein e Temu precisarão simplesmente recorrer mais a transportadoras privadas como alternativa à suspensão do USPS”, afirmou.
A longo prazo, a Shein poderá acelerar a expansão de seus centros de distribuição nos EUA, enquanto a Temu poderá reforçar seu modelo de semi-consignação. Ao enviar produtos em grande quantidade para os EUA e processar os pedidos internamente, os custos logísticos podem ser reduzidos, segundo Cooke.
“O envio em massa para os EUA e o processamento local podem reduzir os custos logísticos, mas, para a Shein, isso representa uma perturbação a longo prazo em seu modelo de negócios, que depende do desenvolvimento rápido de novos SKUs e do envio direto aos consumidores”, afirmou Cooke. (Com informações da Associated Press).
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Juliana Colombo é jornalista especializada em economia e negócios. Já trabalhou nas principais redações do país, como Valor Econômico, Forbes, Folha de S. Paulo e Rede Globo.
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