Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Quando a IA sentar ao seu lado: o novo normal nas organizações
Publicado 12/06/2025 • 14:17 | Atualizado há 5 meses
Mercado encara temores com IA, balanços e inflação nos EUA; veja os destaques da semana
Apple desafia YouTube e Spotify com nova aposta em podcasts em vídeo
Veja quanto os atletas ganham por medalha nas Olimpíadas de Inverno de 2026
Criptomoedas desempenham um papel crescente em redes de tráfico humano, aponta relatório
Ex-banqueiro aposta no mercado de chás e cria império de US$ 578 milhões
Publicado 12/06/2025 • 14:17 | Atualizado há 5 meses
Pixabay
Inteligência Artificial
Duas das mais robustas investigações contemporâneas sobre o futuro do trabalho — Harvard Business School e Microsoft — convergem em um mesmo ponto: a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar um verdadeiro colega de equipe. Com isso, não só o que fazemos está mudando, mas também quem somos no ambiente de trabalho.
O estudo “The Cybernetic Teammate”, publicado no working paper 25-043 da Harvard Business School, realizado em parceria com a Procter & Gamble, analisou 776 profissionais desafiados a criar ideias inovadoras para novos produtos. Os pesquisadores e outros estruturaram o experimento em quatro grupos, testando diferentes arranjos: trabalho individual, em dupla, com e sem suporte de IA.
Os resultados foram notáveis: participantes que atuaram individualmente com IA alcançaram níveis de eficácia comparáveis às duplas humanas sem IA. Mais significativo ainda, equipes humanas que integraram a IA apresentaram desempenho superior a todos os outros grupos, evidenciando o potencial multiplicador da colaboração híbrida.
Um dos achados mais relevantes para a gestão foi a capacidade da IA de eliminar barreiras departamentais. Profissionais de P&D, tradicionalmente concentrados nos aspectos técnicos, passaram a propor soluções com maior equilíbrio comercial ao contar com o auxílio da IA. O inverso também ocorreu: profissionais de marketing passaram a incorporar variáveis técnicas em suas propostas. Essa “despolarização cognitiva” indica que a IA pode atuar como uma ponte eficaz entre diferentes áreas de conhecimento, reduzindo a dependência de reestruturações organizacionais ou de complexa mediação humana.
Outro destaque do estudo foi o impacto emocional positivo. Profissionais que colaboraram com a IA relataram maior satisfação, motivação e sensação de fluidez no trabalho. A interface conversacional da tecnologia parece estimular aspectos afetivos e simbólicos da cooperação, oferecendo validação e aliviando o estresse relacional frequentemente observado em equipes exclusivamente humanas.
A Microsoft, em seu relatório global “2025 Work Trend Index”, vai além: descreve a emergência da Firma Fronteira, um novo tipo de organização onde humanos e IA compartilham decisões, responsabilidades e entregas. São três estágios de maturidade:
Segundo o relatório, 81% das empresas esperam operar com agentes digitais nos próximos 18 meses. No Brasil, o entusiasmo é alto: 94% dos executivos enxergam 2025 como ponto de virada. No entanto, apenas 54% dos trabalhadores se sentem preparados para colaborar com a IA — um sinal claro de que estamos tecnologicamente otimistas, mas culturalmente ainda despreparados.
Para entender os resultados dessas pesquisas, é essencial recorrer à teoria da complexidade de Edgar Morin. Ele mostra que sistemas complexos, como as novas equipes híbridas, geram propriedades emergentes — resultados inesperados que surgem da intensa interação entre diferentes agentes. A dissolução de silos observada na P&G representa mais do que eficiência: é uma verdadeira transformação cultural, promovendo inovação transversal e diversidade cognitiva.
Morin também destaca a importância do “pensamento complexo” para líderes: reconhecer incertezas, integrar múltiplos saberes e orquestrar inteligências humanas e digitais.
Já Zygmunt Bauman, com o conceito de “modernidade líquida”, mostra que as estruturas sólidas estão sendo substituídas por arranjos fluidos e temporários. No trabalho híbrido, fronteiras se tornam porosas e equipes se reconfiguram conforme a demanda, tornando a identidade profissional mais múltipla e adaptável. Bauman alerta para os riscos dessa fluidez — insegurança e ansiedade diante de papéis indefinidos — e exige dos líderes a criação de “ilhas de estabilidade”: espaços de confiança, clareza de propósito e ética algorítmica.
Aplicar Morin e Bauman é reconhecer que integrar IA não é só um salto tecnológico, mas uma transformação cultural. O sucesso depende menos de controle e mais de sabedoria para lidar com a incerteza e valorizar a diversidade de inteligências.
Diante desse cenário, o desafio das lideranças é ir além da tecnologia: é preciso reinventar a cultura e os processos organizacionais para que humanos e IA cocriem valor de forma ética, sustentável e inovadora.
A verdadeira questão não é se a IA funcionará — Harvard e Microsoft já demonstraram que sim. A questão é: que tipo de humanidade queremos preservar e desenvolver ao lado dela?
O futuro do trabalho já começou. E pela primeira vez na história, talvez nossos colegas mais eficientes não sejam inteiramente humanos — mas isso não significa que serão menos significativos.
Fontes: Harvard Business School — "The Cybernetic Teammate" | Microsoft — "2025 Work Trend Index Annual Report"
--
📌ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Os Bancos estão funcionando nesta segunda-feira (16)? Confira horários de atendimento
2
A Bolsa de Valores está funcionando nesta segunda-feira (16)?
3
Carnaval 2026 recebe R$ 85 milhões em verba federal e vira foco de disputa política
4
Baly registra recorde de vendas com energético ‘sabor Tadala’ no Carnaval; Conselho de Farmácia critica produto
5
Veja quanto os atletas ganham por medalha nas Olimpíadas de Inverno de 2026