Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
O peixe virou: dólar e Ibovespa se desencontram
Publicado 17/07/2025 • 14:07 | Atualizado há 9 meses
Berkshire Hathaway anuncia primeira aquisição desde saída de Warren Buffett como CEO
Bolsa da Coreia do Sul bate recorde com alta da Samsung em dia misto na Ásia
Medicamento experimental contra câncer de pulmão reduz risco de morte em 34% em estudo avançado
Japão busca diálogo franco e rejeita acusações de ‘neomilitarismo’, diz ministro da Defesa
Exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz podem nunca voltar aos níveis pré-guerra com o Irã
Publicado 17/07/2025 • 14:07 | Atualizado há 9 meses
Durante seis meses, o mercado financeiro brasileiro desenhou um peixe perfeito: o dólar mergulhava com a barriga cheia de fluxo estrangeiro, enquanto o Ibovespa nadava com nadadeiras abertas rumo a recordes. O contorno era clássico — real forte, bolsa em alta — como manda o manual de macroeconomia bem-comportada. Mas julho chegou, o peixe virou de lado e o nado sincronizado terminou em descompasso.
De um lado, o dólar afundou 9,6% no ano, saindo de R$ 6,18 em janeiro até encostar em R$ 5,41 no dia 3 de julho — a mínima de 2025.
Do outro, o Ibovespa acumulou 12,5% de valorização, atingindo 141.264 pontos no dia 4 de julho — sua máxima até agora.
A amplitude dos movimentos é reveladora: 14,25% no câmbio, 19,18% no índice. Até então tudo indicava um primeiro semestre com roteiro de manual e performance de carteira otimista.
Mas desde então, as curvas mudaram de direção.
O dólar voltou a ganhar fôlego e atingiu R$ 5,56. A bolsa, que parecia embalada por fundamentos e fluxo, devolveu mais de 6 mil pontos em menos de duas semanas, flertando novamente com os 135 mil. A correlação negativa — que sustentava a narrativa do “Brasil atrativo” — começou a falhar.
Gráfico 1 - USD/BRL vs Ibovespa: ponto de inflexão em 04/07/2025

O que explica a virada abrupta em 04 de julho? Um ruído. Ou vários.
Primeiro, a política fiscal, que voltou a fazer barulho. O Governo lutando para aprovar o IOF escancara seu desgaste no embalo do descontrole fiscal. Entre metas ajustáveis e promessas que flutuam conforme a maré, o arcabouço parece ter perdido a âncora. A discussão sobre o Orçamento de 2026 escancarou o velho dilema: responsabilidade ou populismo? O investidor respondeu na mesma moeda — retirando a sua.
Segundo, o vento externo. Dados fortes nos Estados Unidos, sobretudo sobre emprego e inflação, frustraram a esperança de corte de juros já no verão do hemisfério norte, neste final de julho. O Federal Reserve, ao que tudo indica, não vai afrouxar o aperto tão cedo. Resultado: menor apetite por risco periférico.
Terceiro, o fluxo. O investidor estrangeiro não gosta de incerteza fiscal disfarçada de “política de desenvolvimento”. Nem de reformas que não saem do PowerPoint. Nem de promessas que já nascem desidratadas no Congresso.
E como se não bastasse, o anúncio de elevação das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros — de 10% para 50% — adicionou mais lenha na fogueira. Não é só uma questão comercial, aliás, nada comercial, é um recado geopolítico. O Brasil, que surfava a onda de commodities e de clima internacional favorável, ao mesmo tempo desdenhando e provocando parceiros políticos e comerciais do ocidente, fazendo um teatro mambembe para seu público interno, agora se vê no centro de uma tensão explícita. Exportações ameaçadas, balança sob risco e mais um grau de incerteza no humor cambial.
– O Ibovespa ainda sobe +12,5% no ano, mas perdeu ritmo.
– O real ainda acumula valorização, mas cedeu o fôlego.
– A correlação positiva entre fluxo e confiança foi rachada pela realidade fiscal e geopolítica.
A lição? O mercado brasileiro continua volátil por natureza — e vulnerável por escolha.
A festa do primeiro semestre foi alimentada por fundamentos reais (balança, juros) e ilusões passageiras (otimismo fiscal e político). Mas as bases continuam frágeis: um Estado caro, produtividade estagnada, indústria tímida e um governo que ainda negocia suas próprias metas.
O peixe, que nadava elegante entre valorização e otimismo, agora boia torto. A corrente mudou. E talvez o nado de resistência precise ser reaprendido — com mais realismo e menos retórica.
Porque no mercado, peixe grande não nada de costas.
E sardinha que se ilude, vira almoço.
—
📌ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
JHSF inaugura shopping de luxo no interior de São Paulo
2
Mercedes-Benz pode ficar fora do mercado dos EUA por projeto de lei voltado à participação chinesa em montadoras
3
Seleção brasileira usa ‘chinelo tecnológico’ antes da preparação para a Copa; conheça e veja valores
4
Copa do Mundo: elenco brasileiro vale 26 vezes mais que o do Panamá; veja jogadores mais caros
5
Cosan nega venda da Rumo, mas reafirma foco em desalavancagem