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Augusto Lima, do Banco Pleno, se reuniu pelo menos 7 vezes com BC em 2025 como CEO do Master

Publicado 18/02/2026 • 16:50 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Augusto Lima aparece como CEO do Banco Master em ao menos sete reuniões com o BC em 2025, apesar de seus advogados afirmarem que ele deixou funções executivas em maio de 2024.
  • O Banco Pleno, comandado por Lima, foi liquidado pelo BC após deterioração financeira; banqueiro é alvo da Operação Compliance Zero.
  • Encontros ocorreram no âmbito da agenda pública da autarquia, inclusive com o presidente Gabriel Galípolo.
Banco Master: quem é Augusto Lima, principal sócio de Vorcaro que também foi preso? Foto: reprodução/Metrópoles.

Foto: reprodução/Metrópoles.

Augusto Ferreira Lima, do Banco Pleno

O banqueiro Augusto Lima se reuniu ao menos oito vezes com membros do board do Banco Central ao longo do ano passado. Somente em uma das reuniões, realizada em setembro, ele foi listado como diretor-presidente do Banco Pleno, liquidado nesta quarta-feira (18) pela autoridade monetária. Nas demais, foi registrado como CEO do Banco Master.

As agendas públicas de diretores do Banco Central são divulgadas conforme exigência da Lei de Acesso à Informação e das regras de transparência da autarquia, registrando participantes e temas tratados nas audiências oficiais.

Os registros, que constam na agenda oficial do BC, contradizem informação dada pela defesa de Lima em novembro do ano passado. Na época, a defesa afirmou que o banqueiro se desligou “definitivamente de todas as funções executivas no Banco Master em maio de 2024”.

Leia também: Liquidação do banco Pleno era ‘questão de tempo’, avaliam agentes do mercado

A divergência entre os registros oficiais e a manifestação da defesa pode ganhar relevância jurídica, caso a atuação executiva de Lima no período seja objeto de questionamento no âmbito das investigações em curso.

O Banco Central e o Banco Master não se manifestaram sobre os registros até a publicação deste texto. O Broadcast não conseguiu contato com a defesa de Augusto Lima.

Assinada pelos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Sebástian Borges de Albuquerque Mello, uma nota foi divulgada após Lima ser preso pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Master. O texto diz que Lima foi surpreendido pela operação, uma vez que as investigações seriam sobre fatos posteriores à sua saída.

Nesta Quarta-feira de Cinzas, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, ex-Voiter, comandado por Lima. Em agosto do ano passado, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do Banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master até julho daquele ano, para o banqueiro. Com a transferência, a instituição teve seu nome alterado.

A liquidação extrajudicial é um instrumento previsto na legislação bancária brasileira que permite ao Banco Central encerrar as atividades de instituições financeiras consideradas inviáveis ou que tenham descumprido normas prudenciais, preservando, quando aplicável, a atuação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para proteção de depositantes dentro dos limites legais.

Duas das reuniões levantadas pelo Broadcast ocorreram às vésperas da transferência de controle ser oficializada. Em 6 de agosto, o presidente do Master, Daniel Vorcaro, e Lima se encontraram com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino.

Já no dia 14 do mesmo mês, a dupla se encontrou novamente com Aquino, mas a reunião também contou com a participação do então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes, e do procurador-geral Cristiano Cozer.

No mês seguinte à transação, Lima atuou novamente como CEO do Master em uma videoconferência com Aquino realizada um dia antes da autarquia rejeitar a compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB). Vorcaro também consta na agenda.

Leia também: Liquidação do Banco Pleno amplia crise do Master e expõe desafio regulatório

A relação de Lima com o Master começou em 2019, após o banco incorporar a Credcesta. Ele teria deixado a sociedade em 2024.

Lima também se reuniu com o BC como CEO do Master em 11 de abril, 8 de maio, 2 de julho e 19 de julho de 2025. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estava presente nesses encontros com diretores da autarquia.

As reuniões com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, ocorreram dentro da rotina institucional da autarquia, que mantém encontros frequentes com representantes de instituições financeiras supervisionadas.

A primeira e única reunião de Lima como diretor-presidente do Pleno foi realizada em 11 de setembro, cerca de um mês após a transferência de controle societário ser aprovada pela autarquia. O encontro ocorreu por meio de videoconferência com Aquino e Gomes.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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