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Shein esbarra em custos e logística e não avança com plano de produção no Brasil
Publicado 05/02/2026 • 13:32 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 05/02/2026 • 13:32 | Atualizado há 3 dias
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Wikipedia Commons
Fachada da Shein
A Shein tentou transformar o Brasil em um polo de produção para a América Latina, mas a iniciativa perdeu tração. Anunciado em 2023, o plano previa US$ 150 milhões em investimentos, parcerias com 2 mil fábricas locais e a criação de 100 mil empregos até 2026.
Apesar de um início acelerado, com 336 fábricas cadastradas até o fim daquele ano, o projeto emperrou diante de dificuldades operacionais, exigências de preço e prazos considerados inviáveis por fornecedores brasileiros.
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Segundo ex-parceiros, representantes do setor e líderes sindicais ouvidos pela Reuters, a varejista pressionou por cortes de preços e entregas mais rápidas do que as fábricas conseguiam cumprir.
“Trabalhar no Brasil é diferente de trabalhar na China. O país tem marcos regulatórios e padrões muito distintos”, disse Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). “Lamento que não tenha dado certo.”
Executivos familiarizados com a estratégia confirmaram que a produção local ficou aquém das metas, sem divulgar números. Em nota à Reuters, a Shein reconheceu que o plano não avançou como esperado.
“A produção no Brasil exigia tempo para amadurecer, e logo ficaram evidentes diferenças na infraestrutura industrial e de negócios. Com isso, o progresso foi mais lento e desafiador”, disse a empresa, que agora afirma adotar uma abordagem mais “seletiva”, focada nas fábricas “mais capacitadas”.
Leia também: Gigante da fast fashion, Shein vai abrir primeiras lojas físicas na França e promete 200 empregos
A companhia não informou quantos fornecedores locais mantém hoje, mas destacou que seu marketplace no país “apoia mais de 45 mil empreendedores e vendedores”, reforçando o Brasil como um de seus mercados mais dinâmicos.
Entre os fabricantes que desistiram está a Nobre Confecções, do Nordeste. “Para chegar ao preço que eles queriam, teríamos de usar outro tipo de tecido”, disse o dono, Januncio Nóbrega de Azevedo, que produziu para a Shein por apenas seis meses em 2023. “Eu disse: ‘Infelizmente, não consigo acomodar o modelo de negócios de vocês’.”
Relatos semelhantes vieram de pequenas fábricas em cidades onde a confecção é atividade central. José Medeiros de Araujo, dono da Zaja, no interior do Rio Grande do Norte, disse que, após um pedido inicial, a Shein reduziu volumes, encurtou prazos e pediu cortes de até 30% nos preços. “O plano era crescer. Mas, para nós, aqui no Nordeste, não era viável”, afirmou.
A Shein construiu na China uma cadeia altamente integrada, com cerca de 7.000 fábricas concentradas em Guangdong, capaz de produzir pequenos lotes e escalar rapidamente conforme a demanda. O modelo se apoia em mão de obra especializada, insumos baratos e proximidade entre fornecedores, além do envio aéreo direto ao consumidor.
Leia também: Volta da Shein para a China é última tentativa de salvar seu IPO, dizem analistas
Replicar essa lógica no Brasil mostrou-se difícil. O país enfrenta desafios de logística em um território continental, fábricas muitas vezes localizadas em áreas rurais, além de regras trabalhistas mais rígidas e carga tributária elevada.
Em entrevista a veículos brasileiros, o gerente-geral da Shein no país, Felipe Feistler, reconheceu as limitações: “Para crescer, as fábricas precisam mudar a forma de operar, e nem todas conseguem ou querem. O marketplace, por outro lado, já tem uma infraestrutura estabelecida e os vendedores se adaptam mais rápido.”
(*com informações da Reuters)
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