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Balanço dos bancões privados: Itaú mantém liderança, Bradesco é oportunidade para o longo prazo e Santander decepciona

Publicado 05/02/2026 • 22:05 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Itaú Unibanco foi o destaque absoluto do 4T25, com lucro recorrente de R$ 12,3 bilhões (+13,2%), ROE de 24,4%, inadimplência de 1,9% e índice de eficiência de 38,9%, combinando rentabilidade elevada, controle de risco e previsibilidade operacional.
  • Bradesco mostrou avanço consistente no turnaround, ao registrar lucro de R$ 6,5 bilhões (+20,6%), ROE de 15,2% e expansão do crédito para R$ 1,089 trilhão (+11%), com inadimplência estável e melhora gradual da qualidade da carteira.
  • Santander Brasil teve lucro levemente acima das expectativas (R$ 4,086 bilhões), mas a inadimplência subiu para 3,7%, o que levou analistas a classificarem o trimestre como o mais fraco do trio, com pressão maior na qualidade dos ativos apesar da diversificação de receitas.

Divulgação

Itaú

A safra de balanços dos bancões privados chegou ao fim e um recado ficou claro para os investidores: os números da instituições financeiras se mostraram robustos no geral, mas existe uma brecha de qualidade que separa vencedores de perdedores.

Conhecido relógio suíço da bolsa, o Itaú (ITUB4) voltou a se destacar com folga nos indicadores de lucro, retorno sobre patrimônio líquido (ROE), índice de eficiência (que mede quanto o banco gasta para manter a sua operação em pé) e inadimplência sob controle. Já o Bradesco (BBDC4) é visto pelo mercado como uma trajetória de reestruturação bem-sucedida que começa a render bons frutos aos acionistas pacientes. Por outro lado, o Santander ficou com a pontuação mais “discutível” do placar, diante de sinais de deterioração no crédito, apesar de ter apresentado lucro levemente acima do esperado pelo mercado.

No Itaú, o lucro recorrente gerencial somou R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 13,2% na base anual e o banco fechou 2025 com R$ 46,8 bilhões (+14,1%). O ROE gerencial, que mede a rentabilidade, foi de 24,4% no trimestre (23,4% no ano), com inadimplência acima de 90 dias em 1,9%. A margem financeira total ficou em R$ 31,5 bilhões, com margem com clientes de R$ 30,9 bilhões e queda da margem com mercado. Do lado operacional, o banco reportou índice de eficiência de 38,9% e índice de Basileia consolidada prudencial de 15,2%.

Vale lembrar que o Itaú gosta de trabalhar com um índice de capital de 11,5%, acima das exigências do Banco Central e que pela sua política de proventos, tudo o que excede o patamar de 12% pode virar dividendos adicionais.

A leitura dos analistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC é praticamente unânime ao apontar o Itaú Unibanco como o destaque do trimestre. Para Pedro Ávila, analista de ações da Varos Research, “sem dúvida o melhor resultado foi o do Itaú.” Na mesma linha, Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, afirma que o banco vem “com bastante solidez, crescendo o ROE – que já é substancialmente mais alto do que os pares do mercado”. Já Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos, reforça que “entre os três [bancos], o Itaú Unibanco foi quem apresentou o desempenho mais sólido”.

“O Itaú não só não é o maior resultado, mas também foi quem mais superou as expectativas. Quando você olha para o preço da ação hoje, é o que mais ou menos a gente esperava: um banco muito sólido, que consegue crescer de forma recorrente a rentabilidade. E eu acho que o preço reflete bem isso”, afirma Pedro.

Jayme detalha que essa liderança aparece também nos fundamentos operacionais. “É uma carteira que consegue seguir expandindo com muita qualidade no crédito, porque ela, no fim, não sente os solavancos que eventualmente a inadimplência do macro do Brasil sente, como, por exemplo, Santander sentiu.”

Bradesco: uma grata surpresa para o longo prazo

No Bradesco (BBDC4), o lucro líquido recorrente foi de R$ 6,5 bilhões no 4T25 (+20,6% a/a), com ROE de 15,2%. A carteira de crédito expandida chegou a R$ 1,089 trilhão (+11% a/a), e a margem financeira bruta ficou em R$ 19,2 bilhões (+13,2% a/a), com avanço da margem com clientes para R$ 19,1 bilhões (+18,4% a/a). Para 2026, o banco projetou crescimento de 8,5% a 10,5% na carteira de crédito expandida.

Embora faltem alguns degraus para superar o líder do setor, o tom dos analistas para o Bradesco é de clara melhora. Pedro Ávila chama atenção para o ritmo da virada. “Talvez um resultado que eu esperava ver no Bradesco só daqui a dois trimestres eles entregaram agora”, pontua.

Para Jayme Simão, a melhora veio acompanhada de sinais mais sólidos na qualidade do crédito. “A gente viu que a inadimplência se manteve trimestre contra trimestre”, afirma. “E acho que o Bradesco também foi uma grata surpresa. A gente sabe que é o banco que está em turnaround, em recuperação, conseguiu novamente trazer um retorno sobre o patrimônio acima do trimestre anterior, superando o do ano anterior.”

Rodrigo Rios define o trimestre como “uma combinação de avanço e expectativa”, citando o lucro anual de R$ 24,65 bilhões como evidência de recuperação, mas com mercado ainda cobrando ganhos adicionais de eficiência e rentabilidade.

Na mesma direção, Milton Rabelo, analista de bancos da VG Research, avalia que “o Bradesco reportou um resultado muito sólido com forte expansão de lucros e rentabilidade, sendo o banco incumbente privado que apresentou, de longe, o maior crescimento de lucros tanto na base trimestral quanto na base anual, com taxas de crescimento superiores a 20%”.

Quem desapontou o mercado?

O Santander Brasil reportou lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões no 4T25 (+6% a/a), ligeiramente acima das expectativas, com ROE de 17,6%. Contudo, os resultados emperram na qualidade do crédito: a inadimplência acima de 90 dias foi descrita em 3,7%, acima do trimestre anterior, com destaque para piora em PMEs (pequenas e médias empresas).

Aqui, a avaliação dos analistas é mais cautelosa. Ávila, da Varos Research, observa que o desempenho ficou atrás dos concorrentes. “Santander foi o resultado mais fraco entre os bancos privados”, afirma. Já Simão reforça a leitura negativa: “Acho que Santander, dentre os três, foi o pior resultado”.

Milton Rabelo reforça essa visão mais neutra para o banco espanhol. “No trimestre em análise, o Santander reportou um resultado neutro e ligeiramente acima das expectativas de mercado, porém com uma deterioração relevante na qualidade do crédito, tanto nos segmentos de Pessoa Física quanto de PJ.”

“É interessante destacar também que o lucro do banco foi positivamente impactado por uma alíquota menor de imposto e também tem havido uma deterioração relevante no índice de cobertura da instituição. Continuamos acreditando que existem opções mais interessantes de investimento dentro do mercado bancário brasileiro, razão pela qual mantemos uma recomendação neutra para as ações do Santander”, completou.

Ao comparar os bancos, Jayme acrescenta que a diferença ficou evidente na prática: “A gente viu aquele solavanco no Santander, mas a gente não viu no Bradesco. A gente viu que a inadimplência do Bradesco se manteve trimestre contra trimestre, mostrando que eles estão focando em qualidade. Já o incremental nominal de crescimento da PDD foi basicamente em função da própria expansão da carteira de crédito.”

Rodrigo Rios, ainda assim, registra o lado positivo do trimestre. “O Santander Brasil também surpreendeu positivamente no trimestre”, e atribui a leitura a diversificação de receitas (com cartões e serviços), apesar de pressão em margem.

No saldo do trimestre, o Itaú se sai melhor pelo conjunto dos indicadores — lucro, ROE, eficiência e risco. O Bradesco avança e reforça a tese de recuperação, mas ainda opera com um gap relevante de rentabilidade em relação ao líder. Contudo, é considerando uma ação barata com forte potencial para o longo prazo.

E o Santander, embora não tenha “desapontado” no lucro, ficou com a discussão mais sensível em crédito, o que torna o resultado mais “questionável” no detalhe, especialmente num cenário em que o mercado tende a premiar previsibilidade e qualidade de ativos.

Bradesco ou Itaú quem está mais barato para o longo prazo?

Com os papéis ITUB4 custando cerca de R$ 45 e as ações do Bradesco negociadas próximas a R$ 21, a grande dúvida do investidor é qual está mais descontado, afinal preço de tela nem sempre reflete múltiplos ou fundamentos, principalmente para o longo prazo.

Para Ávila, da Varos Research, destaca que o preço da ação do Itaú já embute toda a solidez do banco e alta rentabilidade (ROE) acima de 24%. Enquanto o Bradesco, que ainda se encontra em um processo de reestruturação, não reflete nas suas ações todo o potencial que pode obter caso o turnaround se mostre bem-sucedido.

“Existe uma assimetria nos preços entre Itaú e Bradesco, caso o Bradesco consiga entregar todo o potencial de melhora operacional, o preço atual de BBDC4 é descontado”, afirma Ávila.

Para Simão, do Hub do Investidor, o banco que oferece o maior desconto para o longo prazo é o Bradesco, que negocia a um múltiplo preço sobre lucro de 8,5 vezes enquanto o Itaú está no patamar de 10 vezes. “É um desconto natural e histórico que antes não existia, considerando que o Bradesco sofreu nos últimos anos e o Itaú teve uma trajetória de lucros crescentes”, explica o analista.

No entanto, segundo Simão, tudo indica que o Bradesco está retomando seus bons números e resultados, oferecendo um desconto apetitoso aos investidores. “Compraria Bradesco pensando no longo prazo”, reforça o analista.

Em relação aos dividendos, ainda existe uma brecha entre Itaú e Bradesco. Varos projeta um dividend yield (retorno com proventos) de 10% para ITUB4 em 2026, enquanto o Bradesco pode entregar um yield de 7,5%, mas ainda acima da média de dividendos da bolsa de 6%.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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