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Investigação dos EUA pode extrapolar critérios técnicos e ampliar incertezas comerciais
Publicado 07/07/2026 • 16:45 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 07/07/2026 • 16:45 | Atualizado há 2 horas
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A investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil pode ter desfecho mais político do que técnico, reduzindo a previsibilidade das negociações entre os dois países. A avaliação é do doutor em relações internacionais e especialista em política norte-americana Carlos Gustavo Poggio, que vê na condução da administração Donald Trump um fator adicional de incerteza para empresas e exportadores.
“Se esse processo for decidido exclusivamente por critérios técnicos, há motivos para algum otimismo. O problema é que a administração Trump transformou as tarifas em um instrumento político, e isso muda completamente a lógica dessa negociação“, afirmou Carlos Gustavo Poggio em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (7).
Nesta semana, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) realiza audiências públicas no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que investiga práticas brasileiras em áreas como comércio digital, etanol, tarifas, propriedade intelectual, desmatamento e até o Pix.
Leia também: De máquinas a calçados: quais setores vão falar nesta terça na audiência pública contra o tarifaço dos EUA
Segundo o especialista, a decisão do governo brasileiro de participar das audiências apenas como observador faz sentido diante da percepção de que o processo pode não ser definido apenas por argumentos técnicos.
“Montar uma equipe de advogados e especialistas custa caro. Se o governo entende que uma defesa técnica pode não ter peso porque a decisão será política, faz sentido adotar uma postura mais cautelosa neste momento“, explicou.
Na avaliação de Poggio, a forma como Trump utiliza as tarifas comerciais rompe com práticas adotadas por governos anteriores, que normalmente envolviam maior participação do Congresso norte-americano.
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“Donald Trump opta por decisões muito mais unilaterais, por meio de ordens executivas. Isso torna o processo mais rápido, mas também muito menos estável, porque um futuro presidente pode revogar essas medidas com facilidade“, destacou.
O especialista observa que a manifestação de empresas americanas contrárias à imposição de novas tarifas reforça o impacto que eventuais restrições podem provocar também sobre a economia dos próprios Estados Unidos.
Segundo ele, a integração das cadeias globais de produção faz com que medidas protecionistas elevem custos e aumentem a insegurança para empresas que operam internacionalmente.
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“A economia americana foi construída ao longo de décadas sobre cadeias globais de produção. Muitas empresas organizaram seus negócios considerando esse ambiente de integração comercial. Quando essas regras mudam de forma abrupta, toda essa estrutura é afetada“, afirmou.
Para Poggio, a estratégia de endurecer o discurso para buscar concessões deixou de produzir o mesmo efeito porque passou a ser amplamente conhecida pelos parceiros comerciais dos Estados Unidos.
“Todo mundo já conhece a forma como Donald Trump negocia. Isso reduz o efeito dessas ameaças e aumenta a dificuldade de construir acordos duradouros“, disse.
Na avaliação do especialista, a possibilidade de mudanças repentinas de posição dificulta qualquer planejamento empresarial de longo prazo.
“Quando um presidente deixa claro que pode rever um acordo a qualquer momento, dependendo das circunstâncias políticas, a insegurança para investidores e empresas aumenta significativamente“, ressaltou.
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Caso a investigação resulte na aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, alguns segmentos industriais tendem a ser os mais afetados, segundo o especialista.
Entre eles estão fabricantes de máquinas, equipamentos, calçados e outros setores que mantêm forte relação comercial com o mercado norte-americano.
Além dos efeitos econômicos, Poggio acredita que uma decisão desfavorável poderá ampliar as dificuldades na relação bilateral justamente em um momento marcado por calendários eleitorais relevantes nos dois países.
“Estamos diante de um contexto em que fatores políticos pesam dos dois lados. O Brasil se aproxima de uma eleição presidencial e os Estados Unidos terão eleições legislativas de meio de mandato. Esse ambiente tende a influenciar diretamente as negociações comerciais entre os dois países“, concluiu.
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