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IA gerou R$ 1,7 bi no faturamento das empresas em São Paulo, diz presidente da SP Negócios

Publicado 07/07/2026 • 16:38 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A cidade de São Paulo conta com 223 mil empresas de tecnologia e 2.700 startups, estabelecendo um ecossistema propício para novos profissionais e empresas.
  • Entre as empresas do setor qualificado pesquisadas, 97,7% afirmaram que a IA já faz parte do dia a dia.
  • Nos últimos quatro anos, a cidade registrou um volume de inovação que representa 1% do que é gerado no mundo.

A inteligência artificial já deixou de ser promessa para se tornar um motor concreto de crescimento econômico em São Paulo. Em 2025, a tecnologia contribuiu para um aumento de R$ 1,7 bilhão no faturamento das empresas da cidade.

Os dados foram levantados por um estudo da São Paulo Negócios apresentado pela presidente da entidade, Alessandra Andrade, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Ela explica que o impacto, no entanto, vai além dos balanços corporativos.

“A partir do momento que as empresas faturam mais, tem mais gente recebendo e a economia vai girando. Isso gera também mais impostos para a cidade, faz com que a cidade também possa investir mais”, explica.

Alessandra Andrade fala sobre o estigma em torno da tecnologia, que é frequentemente associada a um comportamento predatório de ameaça ao emprego. Mas o estudo aponta o caminho inverso. São Paulo, que nas últimas duas ou três décadas migrou de uma economia industrial para uma economia de serviços, encontrou justamente nesse setor o maior campo de aplicação e benefício da IA.

“Hoje, na cidade de São Paulo, tem 223 mil empresas de tecnologia e 2.700 startups. Então a gente tem todo um ecossistema que faz com que tenha bons profissionais e isso facilita para que mais empresas de tecnologia venham para cá”, afirma.

A escala da cidade reforça esse protagonismo. Com 12 milhões de habitantes e um PIB superior ao de países como Uruguai, Paraguai e Chile, São Paulo se mostra uma economia que vai além do que uma cidade oferece. No contexto do acordo Mercosul-União Europeia, é a maior cidade de todo o bloco. “A gente tem aqui uma cidade-estado, praticamente”, comenta Alessandra.

A penetração da IA no ambiente corporativo paulistano é expressiva. Entre as empresas do setor qualificado pesquisadas, 97,7% afirmaram que a tecnologia já faz parte do dia a dia, por meio de algoritmos, aprendizado de máquina e sistemas voltados ao atendimento ao cliente, processamento de dados e análise preditiva.

No varejo, por exemplo, a capacidade de prever demanda e ajustar estoques com precisão transforma diretamente o resultado financeiro das empresas. “Se você consegue prever qual vai ser a sua demanda, se você consegue ter um estoque ajustado, isso faz com que o resultado inteiro da sua empresa seja impactado”, afirma a presidente da SP Negócios.

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Além do varejo, a IA avança com força em serviços jurídicos, saúde e indústria farmacêutica. Escritórios de advocacia utilizam a tecnologia para análise de documentos e processos. Na área da saúde, algoritmos ampliam a capacidade diagnóstica ao cruzar um volume maior de variáveis clínicas.

Em todos esses setores, a conclusão de Alessandra é de que a tecnologia não substitui o ser humano, mas potencializa sua capacidade. Fazendo um paralelo com a Revolução Industrial, ela defende a aplicação e o uso da tecnologia como ferramenta de evolução econômica.

“Todo mundo falou que não ia ter mais funcionário na linha de produção. Não, cada vez mais tem e cada vez se aumenta o resultado”, aponta.

No campo da inovação global, São Paulo também marca presença. Nos últimos quatro anos, a cidade registrou 184 patentes internacionais, publicou mais de 24 mil artigos científicos e fechou 1.597 negócios de capital de risco — volume que representa 1% de toda a inovação gerada no mundo.

A chegada de grandes eventos internacionais de tecnologia reforça esse posicionamento. A capital paulista deixa de ser apenas um ponto de passagem para se tornar uma fonte geradora de tecnologia e conhecimento.

“A gente está criando tecnologia, bons profissionais e bons eventos para que a gente discuta mais sobre inovação”, explica.

O principal desafio apontado pelo estudo, no entanto, ainda é a capacitação profissional. Para Alessandra, ampliar a alfabetização tecnológica da população é tarefa urgente e estrutural, que exige ação coordenada de municípios, estados e governo federal.

Para a SP Negócios, o papel do poder público está em identificar as tendências, criar políticas públicas e preparar o ecossistema para que a cidade continue ocupando e ampliando espaço na economia global da inteligência artificial.

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