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Ciberataques dobram no país e vulnerabilidade cresce entre fintechs, diz especialista
Publicado 12/11/2025 • 19:14 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 12/11/2025 • 19:14 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
O aumento da complexidade do sistema financeiro brasileiro e a entrada de novos players têm ampliado os riscos de segurança digital no setor. É o que afirma o especialista em cibersegurança João Brasio, comentarista da Times Brasil, ao analisar o novo Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pelo Banco Central, que aponta que os ataques cibernéticos dobraram em um ano.
Segundo Brasio, o ambiente financeiro reúne empresas de grande porte com estruturas maduras de segurança ao lado de startups recém-criadas, cenário que cria pontos desiguais de vulnerabilidade.
“O sistema financeiro é muito complexo e é composto de diversas entidades. Nós temos entidades grandes e de longa data, que investem há muito tempo em segurança, e entidades menores, algumas startups, ou a gente chama de fintechs”, disse. Para ele, a falta de maturidade dessas empresas aumenta a exposição do setor como um todo.
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Brasio compara o risco à fragilidade de uma estrutura coletiva. “Eu diria que é como nós dizermos que temos um prédio altamente seguro, porém a gente distribui a chave para diversas pessoas e nem todas mantêm os mesmos hábitos, algumas guardando a chave em lugares não muito seguros.”
O avanço acelerado da inteligência artificial no setor financeiro também exige atenção redobrada, afirma o especialista. “A experiência de inteligência artificial vem para revolucionar o segmento financeiro. Não só ele como todos os outros”, disse.
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Siga o Times | CNBCNo entanto, ele alerta que a tecnologia traz novos flancos de risco, especialmente pela necessidade de grandes bancos de dados para treinamento dos modelos. “As empresas colocam todos os dados possíveis para que ela traga os melhores insights, as melhores inovações. Só que isso acaba abrindo um flanco para os atacantes.”
Brasio afirma que criminosos têm explorado principalmente fraudes contra usuários e ataques sistêmicos capazes de paralisar operações. “Fraudes digitais, com certeza, a engenharia social contra o próprio correntista”, apontou. Segundo ele, a velocidade de sistemas como o Pix beneficia também criminosos, que conseguem desviar valores rapidamente e ocultar rastros.
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Ele também cita o avanço de ataques de sequestro de dados. “Riscos mais sistêmicos, como os ataques de sequestros digitais, o termo técnico ransomware. O atacante entra na empresa, criptografa aqueles dados, sequestra basicamente e faz com que tudo pare até que se pague uma extorsão.”
O especialista afirma ainda que parte significativa dos ataques não chega ao conhecimento do público. “A gente não fica sabendo de tudo. Muitos desses casos ou não são descobertos por conta de evidências […] e outros casos que a instituição, infelizmente, detecta e prefere, por risco de exposição, de reputação, não comentar”, explicou.
Brasio alerta que ataques contra meios de pagamento podem, no limite, gerar impactos amplos sobre o sistema financeiro nacional. “Imagina um ataque que causa uma paralisia em maquininhas de cartão de crédito de certo banco, de certa bandeira. Isso criaria não só o caos, como uma descredibilidade para a população no nosso sistema financeiro. É um efeito em cascata”, concluiu.
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