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Com presença de chefes de estado e agro na pauta, COP30 abre semana decisiva de negociações

Publicado 16/11/2025 • 20:01 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • O principal foco de tensão da COP30 é o plano Brasil-Azerbaijão para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, com Japão e China resistindo à legitimidade da discussão
  • O Mapa do Caminho prevê a mobilização de US$ 200 bilhões a US$ 1,3 trilhão anuais por meio da taxação de grandes fortunas e de US$ 20 bilhões a US$ 4,9 trilhões com precificação do carbono
  • O fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) soma US$ 5,582 bilhões em contribuições, ficando distante da meta inicial de US$ 10 bilhões esperada por Marina Silva

A COP30 entra em sua fase mais sensível com a chegada de chefes de Estado, líderes do agronegócio e negociadores que encaram o desafio de destravar acordos em um tabuleiro global marcado por disputas políticas e pressões econômicas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está diretamente empenhado em salvar a conferência. Ele confirmou que retorna a Belém no dia (19) para uma agenda voltada ao fortalecimento da governança climática. Ele participará de um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, em uma articulação conjunta para reforçar o multilateralismo ambiental.

Na carta enviada aos participantes da Cúpula dos Povos, Lula destacou que também se reunirá com representantes de países, organizações da sociedade civil, povos indígenas, populações tradicionais, governadores e prefeitos. O objetivo é alinhar compromissos sobre transição justa, adaptação e políticas de proteção ambiental.

Em Belém, os últimos dias da conferência elevam as expectativas sobre avanços no financiamento climático, na preservação das florestas tropicais e na governança internacional — pilares considerados interdependentes para a implementação do Acordo de Paris até 2035. 

A cobrança direta por resultados “sólidos e mensuráveis” é também da ONU, para que os países busquem superar impasses que vão desde a distribuição de responsabilidades financeiras até novas regras para o setor privado, em um momento em que o mundo tenta conciliar metas ambientais com estabilidade fiscal e competitividade agrícola.

O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, elevou o tom ao criticar a lentidão das tratativas e pedindo que os países demonstrem flexibilidade. Para ele, temas considerados secundários por algumas delegações representam prioridades vitais para outras, sobretudo entre nações vulneráveis.

Segundo Stiell, a COP30 não pode repetir o padrão de conferências que acumulam compromissos sem mecanismos claros de entrega. Ele destacou que 2030 e 2035 são marcos inadiáveis para transformar promessas em ações concretas, e que a falta de consenso ameaça a credibilidade global dos esforços climáticos.

Impasse sobre o plano de US$ 1,3 trilhão expõe divisão entre países

O principal foco de tensão é o plano elaborado pelas presidências da COP29 (Azerbaijão) e COP30 (Brasil) para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035. A proposta é considerada o maior esforço coordenado de financiamento climático já sugerido em uma COP — e também um dos mais controversos.

Apoios e resistências

  • Apoiam: Noruega, Reino Unido e União Europeia.
  • Céticos: Quênia e outras delegações africanas.
  • Resistentes: Japão e China, com críticas à legitimidade da discussão.

O Japão afirmou que o texto não faz parte do mandato oficial da COP — não houve acordo prévio para o relatório ser negociado na conferência. A China reconheceu o mérito técnico do documento, mas reforçou que ele não integra a agenda mandatada.

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, rebateu afirmando que as críticas dizem respeito menos ao conteúdo e mais à sensibilidade dos temas financeiros, que afetam instituições como Banco Mundial, FMI e bancos regionais. Segundo ele, o “desconforto institucional” não invalida a urgência da agenda.

O que prevê o plano de financiamento

O chamado Mapa do Caminho de Baku a Belém reúne sugestões para reorganizar fluxos financeiros globais, modernizar regulações e ampliar o acesso de países em desenvolvimento a crédito de baixo custo. Ele se estrutura em cinco frentes (as 5Rs) e define metas ambiciosas, com potencial para remodelar parte do sistema financeiro internacional. As 5 frentes prioritárias até 2035 são: 

  1. Reabastecimento de doações e capital concessional.
  2. Reequilíbrio do espaço fiscal e gestão da dívida.
  3. Redirecionamento do financiamento privado para projetos verdes.
  4. Reestruturação da capacidade institucional em escala climática.
  5. Reformulação dos sistemas financeiros para fluxos equitativos de capital.

O Mapa do Caminho detalha mecanismos concretos capazes de ampliar a arrecadação global. A seguir, as medidas com maior potencial de mobilização, acompanhadas de suas estimativas e da lógica econômica por trás de cada uma. Além disso o plano aborda formas de arrecadar este valor sendo eles:

1. Precificação do carbono

Com potencial de mobilizar entre US$ 20 bilhões e US$ 4,9 trilhões por ano, a precificação do carbono é hoje uma das ferramentas mais discutidas para ampliar o financiamento climático. A lógica é simples: atribuir um valor financeiro a cada tonelada de CO₂ emitida, criando um estímulo econômico para reduzir emissões e gerar receita estável para políticas ambientais. Como funciona:

  • Pode ser implementada por meio de taxação direta (carbon tax) ou por sistemas de comércio de emissões (ETS).
  • A arrecadação varia conforme o preço aplicado por tonelada e o número de setores incluídos na regulação.
  • Uma adoção mais coordenada entre países reduziria distorções competitivas e evitaria a migração de indústrias para regiões com regras ambientais mais brandas.

2. Taxação de grandes fortunas

Com potencial de arrecadar entre US$ 200 bilhões e US$ 1,3 trilhão anuais, a taxação de grandes fortunas reaparece nas discussões climáticas como fonte alternativa para financiar a transição verde. A proposta mira indivíduos ultrarricos, aplicando alíquotas progressivas sobre seus patrimônios. Como funciona:

  • Incide sobre ativos financeiros, imóveis, aplicações offshore e bens de alto valor.
  • Países da OCDE concentram maior capacidade arrecadatória, devido à alta desigualdade patrimonial e ao grande volume de riqueza acumulada.

3. Impostos sobre aviação e transporte marítimo

Com potencial de gerar entre US$ 4 bilhões e US$ 223 bilhões anuais, a taxação da aviação e do transporte marítimo entra no debate como alternativa para financiar a transição em dois dos setores mais difíceis de descarbonizar. A proposta busca equilibrar custos operacionais com a necessidade de reduzir emissões globais. Como funciona:

  • Tributação sobre combustíveis fósseis usados por aviões e navios.
  • Cobrança direta por tonelada de CO₂ emitida.
  • Tarifas aplicadas a rotas internacionais ou taxas portuárias com critérios ambientais.

4. Cobrança sobre bens específicos (luxo, militar e tecnologia premium)

Com estimativa de arrecadação entre US$ 34 bilhões e US$ 112 bilhões por ano, a medida propõe tributar setores considerados de alto impacto ambiental ou elevado valor agregado, como jatinhos, iates, artigos de luxo e equipamentos militares. A ideia é direcionar parte desse consumo para financiar ações climáticas. Como funciona:

  • A taxação pode ser global ou alinhada entre grandes economias para evitar distorções.
  • Afeta uma parcela mínima da população, concentrada no topo da pirâmide de renda.

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Fundo de Florestas avança, mas segue distante da meta

O TFFF é a principal aposta diplomática do Brasil nesta COP. Criado para funcionar como um mecanismo permanente de preservação, ele remunera investidores que contribuem para manter florestas tropicais em pé — uma tentativa de gerar retorno financeiro estável a partir da conservação.

A proposta busca corrigir o baixo fluxo de financiamento para países que concentram as maiores áreas de floresta do mundo, mas receberam pouco apoio internacional nas últimas décadas. Mesmo com novos aportes anunciados, o fundo ainda está distante de sua meta inicial e enfrenta o desafio de transformar interesse político em compromisso financeiro duradouro.

Aportes anunciados na COP30

  • Noruega: US$ 3 bilhões em dez anos
  • Brasil: US$ 1 bilhão
  • Indonésia: US$ 1 bilhão
  • França: € 500 milhões
  • Portugal: € 1 milhão (aporte simbólico)

Apesar do otimismo inicial, o fundo ainda soma menos de um quarto da meta de US$ 25 bilhões em contribuições governamentais. Antes da COP, Marina Silva esperava chegar a US$ 10 bilhões; até agora, o total é de US$ 5,582 bilhões.

Agro entra com agenda de adaptação e crédito verde

Com a presença ampliada de bancos multilaterais e instituições financeiras, o agronegócio ganhou espaço na COP30. A transição produtiva, a ampliação de linhas de crédito verde e a adaptação de cadeias agrícolas às mudanças climáticas se tornaram elementos centrais das negociações.

  • BID anunciou US$ 6 bilhões, incluindo hedge cambial, crédito para empresas amazônicas e financiamento para cidades em adaptação.
  • CAF lançou bônus de resiliência de US$ 100 milhões.
  • Parcerias em bioeconomia e baixa emissão agrícola foram ampliadas.

O setor agro aparece como ator-chave tanto pela responsabilidade na redução de emissões quanto pelo impacto direto nas economias latino-americanas. Apesar dos anúncios, o Brasil continua com fluxo limitado de doações e investimentos climáticos externos. Principais aportes são:

  • Fundo Amazônia: R$ 157 milhões (UE + Suíça).
  • Novo Fundo Clima (BNDES + GCF): US$ 400 milhões iniciais, com meta de chegar a US$ 1 bilhão.

Doações anuais recentes: média de US$ 208 milhões por ano, segundo o iCS — valor menor que o necessário para mitigação e adaptação.

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