‘Dark Horse’: despacho de Flávio Dino cita Mario Frias como possível líder de organização criminosa investigada por repasses ilegais e desvio de recursos públicos
Publicado
14/09/2026 • 09:51
| Atualizado há 1 hora
Dino cita Mário Frias em hipótese investigativa sobre possível papel de liderança na estrutura sob apuração.
Investigação apura eventual uso irregular de emendas parlamentares e recursos da Prefeitura de São Paulo ligados à produtora de Dark Horse.
STF retirou o sigilo de cerca de 5 mil páginas e determinou o envio de materiais à Polícia Federal.
Roberto Castro/Mtur
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do material reunido pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação que envolve a produtora responsável pelo filme ‘Dark Horse’, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No despacho, Dino registra que os elementos obtidos até agora reforçam a hipótese de um esquema envolvendo a destinação e o possível desvio de recursos públicos.
Entre os nomes mencionados está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que participa do projeto como roteirista. Segundo a decisão, a linha de investigação considera que o parlamentar poderia ter exercido uma posição de liderança na estrutura investigada.
Movimentações financeiras entram no foco da apuração
De acordo com o material citado pelo ministro, Frias é tratado pelos investigadores como alguém que teria participado ativamente da movimentação financeira relacionada ao caso. A apuração aponta operações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelo deputado.
As suspeitas analisadas envolvem recursos provenientes de emendas parlamentares federais e valores ligados à Prefeitura de São Paulo. De acordo com o UOL, os investigadores também apuram a eventual existência de conexões entre pessoas ou empresas investigadas e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Com a decisão de Dino, deixou de ser sigiloso o conjunto de documentos encaminhado pela Polícia Civil paulista ao Supremo. O acervo tem aproximadamente 5 mil páginas e inclui informações obtidas durante uma operação realizada em junho.
O ministro também determinou o envio à Polícia Federal do material bruto apreendido pelos investigadores estaduais, incluindo aparelhos celulares. A medida busca centralizar a análise dos dados em uma estrutura federal que já participa de investigações relacionadas ao caso.
Além disso, Dino autorizou o acesso dos investigadores a relatórios de inteligência financeira que haviam sido solicitados pela Polícia Civil desde maio. A liberação desses documentos ainda dependia de autorização judicial.
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Ao justificar a retirada do sigilo, Flávio Dino fez referência a decisões recentes dos ministros André Mendonça e Edson Fachin. Segundo ele, a publicidade dos autos pode reduzir o risco de divulgação parcial ou seletiva de informações de investigações ainda em andamento.
Dino também afirmou que o encerramento do sigilo nessa fase processual representa uma prática que ainda deverá ser discutida de forma mais ampla pelo STF. Mesmo assim, disse ter adotado o entendimento para garantir tratamento semelhante a pessoas mencionadas em investigações que estejam em situações comparáveis.
Produtora do filme está no centro das investigações
A apuração conduzida pelas autoridades tem como um dos principais focos a produtora Go Up, vinculada ao projeto de Dark Horse, além da empresária Karina da Gama.
O avanço das investigações ocorreu depois que surgiram informações de que Karina também teria papel relevante em outra empresa que fechou contrato superior a R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo. Segundo a investigação, há suspeitas relacionadas à falta de comprovação da execução dos serviços previstos nesse contrato.
Dois inquéritos tramitam no Supremo
Empresas ligadas à empresária aparecem em dois inquéritos em andamento no STF. Um deles está sob relatoria do ministro André Mendonça e analisa circunstâncias relacionadas a um pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para viabilizar o filme.
O outro procedimento, conduzido por Flávio Dino, investiga a suspeita de repasses irregulares de verbas oriundas de emendas associadas ao chamado orçamento secreto para empresas que teriam ligação com a produtora e com o projeto cinematográfico.
Entre as hipóteses examinadas está a possibilidade de que recursos públicos, tanto municipais quanto federais, tenham sido direcionados à produtora e a um fundo que, segundo os investigadores, pode ter contribuído para o financiamento do filme.
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