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Sócia da produtora de Dark Horse comanda instituto que cobrou sobrepreço por instalação de wifi na cidade de São Paulo

Publicado 14/09/2026 • 10:47 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Instituto que recebeu contrato de wifi é presidido pela sócia da produtora do filme Dark Horse.
  • Sobrepreço de R$ 1.800 por ponto de wifi supera em duas vezes o valor cobrado pela Prodam.
  • Diferença de R$ 26 milhões entre valor pago e serviço prestado reforça suspeita de sobrepreço.

Ricardo Nunes em novembro de 2024

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A sócia da produtora do filme Dark Horse comanda o instituto que cobrou sobrepreço na instalação de pontos de wifi na cidade de São Paulo. Karina Ferreira da Gama preside o Instituto Conhecer Brasil, contratado em 2024 pela Prefeitura de São Paulo por R$ 108 milhões para instalar cinco mil pontos de internet gratuita em bairros periféricos da capital.

Pelas mesmas mãos, ela assina como produtora executiva de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro conduzida pela Go Up Entertainment, empresa da qual também é sócia.

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A relação entre as duas frentes ficou pública neste domingo (13), quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino autorizou a divulgação dos documentos reunidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre o contrato de wifi.

Entre os documentos está o valor pago por ponto de internet instalado, R$ 1.800 mensais, mais que o dobro do praticado pela própria administração municipal em contratos semelhantes.

Mesma sócia comanda instituto e produtora do Dark Horse

Antes de assumir o contrato de wifi, o Instituto Conhecer Brasil atuava em feiras e eventos literários e religiosos, sem histórico no setor de telecomunicações. Karina Ferreira da Gama consta como dirigente do instituto e, ao mesmo tempo, como produtora executiva de Dark Horse pela Go Up Entertainment.

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Sobrepreço no valor cobrado por ponto de wifi

Firmado com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, o contrato previa a instalação de cinco mil pontos de internet gratuita em comunidades periféricas de São Paulo, dentro do programa Wi-Fi Livre SP.

O valor mensal pago ao instituto chegou a R$ 1.800 por ponto de acesso instalado. A Prodam, estatal municipal de tecnologia, cobra R$ 230 pela implantação e R$ 306 pela manutenção mensal de cada ponto em contratos próprios, menos da metade do valor pago ao instituto.

Chamamento com participação de um único concorrente

Antes da assinatura, o Tribunal de Contas do Município apontou cerca de vinte irregularidades no edital de chamamento público, entre elas o uso de critérios genéricos para a escolha da entidade parceira.

O Instituto Conhecer Brasil foi a única organização a apresentar proposta, apesar de não ter experiência prévia no setor de telecomunicações.

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Ritmo de instalação acelerado até a eleição

Durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos avançou até alcançar 1.605 unidades ativas no fim de outubro daquele ano.

Depois da eleição, o ritmo caiu. Em junho de 2025, o total chegou a 3.200 pontos, e os 1.800 restantes previstos em contrato nunca foram instalados.

Sobrepreço reforçado pela diferença de R$ 26 milhões

Um balanço incluído no processo aponta que o município deveria ter pago cerca de R$ 43 milhões pelo período em que houve fornecimento efetivo de internet nos pontos ativos.

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O valor transferido, porém, chegou a R$ 69 milhões. A diferença de R$ 26 milhões é apontada como pagamento por serviços não prestados, na mesma linha do sobrepreço já identificado no valor por ponto.

Sobrepreço pode ter alimentado a produção do Dark Horse

A hipótese que deu ao caso repercussão nacional é a de que parte dos recursos com sobrepreço tenha sido usada para custear a produção de Dark Horse. Nenhuma transferência individualizada do instituto para a produtora aparece nos autos até o momento.

O material que reúne essas suspeitas ficou em sigilo até domingo (13), quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino autorizou a publicidade dos documentos enviados pela Justiça de São Paulo. Um relatório do Coaf que poderia detalhar o caminho dos valores foi solicitado em maio e segue sem resposta.

Outro lado

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o serviço contratado foi prestado e que a execução passa por prestações de contas semestrais. Sobre a escolha do instituto, diz que o rito do chamamento público foi seguido e que o Instituto Conhecer Brasil apresentou documentação regular dentro do prazo. A administração nega qualquer relação entre o contrato de wifi e o filme Dark Horse.

O Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura afirmam ao UOL que os recursos recebidos foram usados de acordo com o objeto de cada contrato firmado com o poder público. A Complexys Soluções Integradas disse ao protal que sua participação se limitou à prestação de serviços comerciais, nega qualquer papel na governança ou nas decisões financeiras do instituto, e afirma que os valores recebidos correspondem aos serviços prestados.A Ultra IP contesta as acusações de sobrefaturamento e diz que sua atuação se restringiu à execução de serviços técnicos, sem participação em decisões orçamentárias ou repasses financeiros.

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