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DECISÃO 2026: Meta enfrenta pressão por bloqueios e alcance de conteúdos na reta final das eleições

Publicado 23/10/2026 • 09:45 | Atualizado há 20 minutos

KEY POINTS

  • Meta informou ter bloqueado automaticamente 206.910 conteúdos entre 1º e 5 de outubro, período que incluiu o primeiro turno das eleições.
  • MPF cobra revisão de bloqueios e mais transparência, enquanto a Justiça determina a reativação de contas estudantis suspensas no Instagram.
  • TSE investiga suspeitas de irregularidades no alcance de publicações políticas, e parlamentares dos EUA também cobram explicações da Meta.
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Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, enfrenta cobranças do MPF e do TSE por bloqueios de contas e distribuição de conteúdos políticos durante as eleições de 2026.

A Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, chega à reta final das eleições presidenciais de 2026 sob pressão para explicar como remove publicações, suspende contas e distribui conteúdos políticos. A dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25), a empresa enfrenta questionamentos do Ministério Público Federal (MPF), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de parlamentares dos Estados Unidos.

As denúncias envolvem as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas também atingem estudantes, jornalistas, movimentos sociais e criadores de conteúdo. Entre os problemas relatados estão remoções de vídeos, suspensões de perfis, falhas em anúncios e suspeitas de tratamento desigual na distribuição de publicações.

A Meta informou ao Ministério Público Federal (MPF) que bloqueou automaticamente 206.910 conteúdos entre 1º e 5 de outubro, período que incluiu o primeiro turno das eleições. Segundo comunicado do MPF, o órgão considerou insuficientes as justificativas da empresa e recomendou medidas para corrigir possíveis erros e dar mais transparência aos critérios de moderação.

Leia também: DECISÃO 2026: MPF pede à Meta medidas urgentes por liberdade de expressão e moderação transparente

Bloqueios atingem usuários e chegam à Justiça

O Ministério Público Federal (MPF) começou a investigar os bloqueios depois que quatro organizações receberam mais de mil denúncias de problemas nas redes sociais durante as eleições. Entre as queixas estão publicações retiradas do ar, contas suspensas e restrições ao uso das plataformas.

As denúncias foram reunidas por Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z. Entre os perfis citados estão o Revelando Brasil e a Mídia Ninja, além de jornalistas independentes e movimentos sociais. Em 14 de outubro, o MPF abriu uma investigação e pediu explicações à Meta e ao X sobre os bloqueios.

Um dos casos foi parar na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Em 19 de outubro, a Justiça mandou a Meta reativar contas de entidades estudantis ligadas à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e à Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

As contas haviam sido suspensas após publicações sobre política, atividades acadêmicas e convocações para assembleias. A decisão prevê multa diária de R$ 10 mil por conta caso a empresa não cumpra a ordem. A Meta também deverá guardar por pelo menos seis meses os registros que mostram como e por que os perfis foram bloqueados.

Na quarta-feira (21), o MPF também recomendou à Meta que decisões automáticas de bloqueio sejam revisadas por pessoas. O órgão ainda quer que os usuários sejam informados sobre os motivos das restrições e que contas bloqueadas por engano sejam reativadas.

Segundo o MPF, algumas publicações foram classificadas incorretamente como conteúdos ligados ao terrorismo ou à exploração sexual infantil. A empresa recebeu prazo de 48 horas para informar se seguirá as recomendações e de 30 dias para apresentar um relatório com as medidas adotadas.

Além disso, o MPF entrou com uma ação na Justiça para impedir bloqueios considerados injustificados. O órgão pediu multa diária de R$ 500 mil por conta caso a empresa descumpra as medidas solicitadas. A multa ainda depende de decisão judicial.

Vídeos e anúncios das campanhas também enfrentam restrições

As controvérsias atingiram publicações ligadas aos dois candidatos à Presidência. Na quinta-feira (22), o Instagram removeu temporariamente um vídeo do projeto jornalístico Revelando, apresentado pelo cantor MC Cabelinho. O material divulgava o episódio “Flavinho de Papai”, que questiona a trajetória política e profissional de Flávio Bolsonaro.

A Meta atribuiu a remoção às regras sobre conteúdos produzidos ou alterados com inteligência artificial. A equipe do projeto negou o uso dessa tecnologia. A publicação voltou ao ar posteriormente.

Na terça-feira (20), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), apoiador de Flávio, teve o áudio de um vídeo retirado do Instagram. Ele afirmou que os seguidores também enfrentavam dificuldades para compartilhar o conteúdo. A Meta informou que a retirada do áudio ocorreu após uma solicitação relacionada aos direitos autorais da música utilizada na publicação. O vídeo, que reunia depoimentos de moradores do Nordeste, já havia ultrapassado 100 milhões de visualizações.

As campanhas presidenciais também relataram problemas com anúncios. Em setembro, as contas das duas candidaturas sofreram restrições temporárias. Entre 9 e 10 de outubro, a equipe de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações, problema que a Meta atribuiu a uma falha global no Gerenciador de Anúncios.

A campanha de Flávio também relatou rejeição de peças publicitárias classificadas como possíveis conteúdos produzidos com inteligência artificial. Em posicionamento divulgado em 16 de outubro, a empresa negou favorecimento político e afirmou aplicar os mesmos critérios às candidaturas.

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TSE cobra explicações sobre alcance de publicações

Além dos bloqueios, a Justiça Eleitoral também investiga se publicações políticas receberam mais destaque nas redes sociais de forma irregular.

Na segunda-feira (19), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral, proibiu o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o empresário Pablo Marçal de publicar novamente conteúdos que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia mandado retirar do ar.

A decisão faz parte de uma investigação aberta após uma denúncia da campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, Nikolas e Marçal. A coligação acusa os envolvidos de divulgar informações falsas e questiona se algumas publicações receberam mais visibilidade do que deveriam.

Um dos levantamentos apresentados pela campanha aponta que, em relação ao número de seguidores, os vídeos de Nikolas tiveram um número de visualizações 17,2 vezes maior do que o registrado pelos outros parlamentares analisados. O dado considera a mediana, uma medida estatística que representa o valor central das visualizações.

O TSE mandou a Meta e o X guardarem os dados dessas contas e explicarem como os conteúdos são distribuídos aos usuários. Também proibiu a promoção paga de publicações de Nikolas e Marçal e qualquer favorecimento na distribuição de propaganda eleitoral até domingo (25).

Se as plataformas descumprirem a ordem, poderão pagar multa diária de R$ 500 mil cada uma. Nikolas e Marçal também poderão ser multados em R$ 50 mil por cada publicação que voltarem a divulgar, caso o conteúdo já tenha sido proibido pela Justiça.

A decisão não impede que os dois continuem fazendo publicações normalmente, sem promoção paga, desde que respeitem as ordens de remoção já existentes. As suspeitas ainda estão sendo investigadas e não foram comprovadas. Os detalhes estão disponíveis no comunicado oficial do TSE.

A Meta afirma que o número de visualizações de um vídeo não depende apenas do número de seguidores. Curtidas, comentários e compartilhamentos também influenciam o alcance das publicações.

Cobranças chegam aos Estados Unidos

Os problemas também foram apontados pelo Comitê de Supervisão da Meta, órgão independente responsável por avaliar decisões de moderação da empresa.

Em comunicado divulgado em 20 de outubro, o colegiado citou falhas nas contas de anúncios da campanha de Lula e a remoção de perfis de ativistas nos Estados Unidos. O grupo alertou para dois riscos: a aplicação excessiva das regras, que pode restringir manifestações legítimas, e a fiscalização insuficiente de conteúdos prejudiciais ao processo eleitoral.

Na quinta-feira (22), parlamentares americanos também enviaram uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg. A iniciativa foi liderada pela deputada democrata Pramila Jayapal e pelo senador independente Bernie Sanders, com a participação de outros 12 deputados.

O documento questiona os problemas enfrentados pela campanha de Lula, além de alegações sobre diferenças na distribuição de conteúdos ligados aos candidatos. Os parlamentares pediram uma reunião para esta sexta-feira (23) e respostas por escrito até 4 de novembro. A carta foi divulgada no site oficial de Pramila Jayapal.

A Meta nega favorecer candidatos e atribui parte dos episódios a falhas técnicas ou à aplicação de suas regras. As autoridades buscam esclarecer se houve irregularidades nas restrições e na distribuição de conteúdos durante o período eleitoral.

📌 DECISÃO 2026:

🔷 O Times Brasil | CNBC transmite no domingo (25) a cobertura do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com entradas ao vivo durante todo o dia de votação.

🔷 Às 16h, começa o especial DECISÃO 2026, que acompanha o fechamento das urnas e a apuração até a definição de quem vai governar o país.

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