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DECISÃO 2026: Nunes Marques diz que prorrogação após fechamento das urnas gerou dificuldades, mas defende segurança da eleição
Publicado 25/10/2026 • 22:13 | Atualizado há 1 minuto
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Publicado 25/10/2026 • 22:13 | Atualizado há 1 minuto
KEY POINTS
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (25) que a decisão de prorrogar o horário de votação depois das 17h criou dificuldades inéditas para a Justiça Eleitoral e obrigou a Corte a modificar, em poucas horas, sistemas e procedimentos previstos para a apuração.
Em pronunciamento após a definição matemática da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Nunes Marques fez um balanço do segundo turno e dedicou parte da fala à confusão provocada pela extensão do período de votação.
“Nesse ponto, tenho que registrar que a decisão liminar proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades ao processo eleitoral”, afirmou.
Segundo o ministro, o pedido de prorrogação chegou ao TSE por volta das 15h30. A partir daí, ele afirmou ter buscado informações técnicas com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, prefeituras e equipes do próprio TSE.
Nunes Marques destacou que não havia uma regra que previsse a extensão do horário nas condições registradas neste domingo.
“Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação”, declarou.
O presidente da Corte afirmou que não seria possível, em poucas horas, ter certeza de que uma mudança dessa dimensão não produziria efeitos colaterais sobre o sistema eleitoral.
“Não seria possível em poucas horas construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advindo de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a apuração”, disse.
Segundo Nunes Marques, o primeiro desafio foi tecnológico. “A primeira dificuldade foi de natureza técnica. Os sistemas e as rotinas de apuração da Justiça Eleitoral tiveram que ser reestruturados”, afirmou.
O ministro disse ainda que a situação aumentou a tensão nas próprias seções eleitorais e exigiu reforço na segurança de servidores e mesários.
Como a determinação de extensão foi proferida depois das 17h, milhares de urnas já haviam sido encerradas. Pela programação dos equipamentos, essas urnas não poderiam ser reabertas.
Para impedir que resultados parciais fossem conhecidos enquanto ainda havia eleitores votando, o TSE bloqueou o recebimento dos boletins de urna.
“Tivemos que promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE”, afirmou Nunes Marques.
O bloqueio provocou, segundo o ministro, um volume inédito de boletins aguardando processamento.
Nunes Marques afirmou que o TSE chegou a enfrentar dúvidas sobre a capacidade dos sistemas de armazenar todos os dados acumulados.
“Em razão do bloqueio, enfrentamos a maior fila de Boletins de Urna já registrada sem saber ao certo se teríamos capacidade de armazenar tantos dados em fila”, disse.
“Somente por este fato poderia ter havido comprometimento de toda a eleição brasileira”, acrescentou.
O ministro ressaltou que esse cenário não se concretizou.
“Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do nosso Tribunal, conseguimos avançar com a apuração”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCApesar das críticas às dificuldades provocadas pela decisão de última hora, o presidente do TSE não colocou em dúvida o resultado das urnas.
Nunes Marques afirmou que os problemas foram superados e destacou o desempenho dos sistemas eleitorais.
Das 499.248 urnas utilizadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total, segundo os dados apresentados pelo ministro.
Ele também citou a presença de observadores nacionais e internacionais e afirmou que as missões tiveram acesso aos procedimentos de votação, auditoria e fiscalização.
O presidente do TSE destacou ainda que observadores relataram ausência de interferência externa no pleito.
Ao abrir o pronunciamento, Nunes Marques confirmou a reeleição de Lula e disse ter telefonado tanto para o presidente quanto para Flávio Bolsonaro (PL) para comunicar formalmente o resultado.
“Há poucos instantes, a Justiça Eleitoral alcançou resultado que matematicamente define os eleitos para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República”, declarou.
Nunes Marques também usou o discurso para rebater a percepção de que as dificuldades registradas durante o dia teriam provocado uma queda generalizada na participação.
Segundo os números apresentados pelo ministro, mais de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas entre os mais de 158 milhões aptos a votar.
A abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos cerca de 21,08% registrados no primeiro turno.
“Esse número é especialmente importante nesta eleição, em que muito se falou sobre a suposta dificuldade do eleitor votar”, afirmou.
O ministro reconheceu que podem existir problemas pontuais de deslocamento e disse que eventuais falhas na oferta de transporte devem ser apuradas pela Justiça Eleitoral.
Na parte final do pronunciamento, o presidente do TSE também chamou atenção para o volume de ações judiciais durante as eleições de 2026.
De acordo com o ministro, foram apresentados 2.265 processos originários relacionados ao pleito, incluindo 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta.
“A hiperjudicialização da disputa política produz consequências inevitáveis para o tempo de resposta jurisdicional”, afirmou.
Para Nunes Marques, a Justiça Eleitoral deverá discutir mudanças nos próximos ciclos para tornar as decisões mais rápidas sem abrir mão das garantias do devido processo legal.
“A celeridade é indispensável em matéria eleitoral, mas celeridade não pode se sobrepor à adequada prestação jurisdicional”, concluiu.
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