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Diretor do BC diz à PF que Banco Master tinha só R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação
Publicado 01/02/2026 • 09:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/02/2026 • 09:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
STF
Depoimento de Altino Aquino no Caso Master
Os depoimentos do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, trouxeram novos elementos sobre os bastidores que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master. Ailton Aquino afirmou que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa pouco antes de ser liquidado pelo Banco Central, um cenário “incompatível” com um banco de médio porte com cerca de R$ 80 bilhões em ativos totais. Segundo o dirigente, a autoridade monetária identificou uma deterioração acelerada da liquidez, com incapacidade do banco de manter recursos suficientes para honrar compromissos de curto prazo, mesmo operando com um volume elevado de ativos no balanço.
Os vídeos dos depoimentos foram tornados públicos no final de janeiro por decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na prática, o diagnóstico do BC foi de que o banco havia perdido a capacidade operacional de sustentar sua rotina financeira, o que ampliava o risco para credores, clientes e para a estabilidade do sistema. A avaliação técnica indicou que a estrutura de liquidez não acompanhava o tamanho das operações, tornando o modelo insustentável em um ambiente de maior pressão por saques e vencimentos concentrados.
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O diretor de Fiscalização também destacou que a situação não se limitava a um problema pontual de caixa, mas refletia falhas estruturais na gestão de risco e no planejamento financeiro da instituição. Para o BC, a ausência de colchões adequados de liquidez e de instrumentos de proteção diante de estresse de mercado foi um fator determinante para a intervenção. Esse tipo de fragilidade, segundo a autoridade monetária, amplia a probabilidade de interrupção abrupta das operações e compromete a confiança no funcionamento regular do sistema financeiro.
O caso do Banco Master ainda acendeu alertas sobre os impactos indiretos no setor bancário. Relações comerciais com outras instituições, operações de compra de carteiras e estruturas de funding passaram a ser reavaliadas à luz dos riscos revelados pela crise. Para o mercado, o episódio reforça a importância de due diligence mais rigorosa, controles de governança e métricas de liquidez mais conservadoras em operações envolvendo ativos de maior risco.
“O dia em que nós decidimos, de fato, fazer a comunicação e a certeza da inexistência foi quando nós fizemos uma reunião com os representantes da Cartos e da Tirreno, na minha agenda pública”, a declaração marca o ponto de virada na avaliação técnica do Banco Central sobre as operações investigadas.
Para a área técnica do Banco Central, a alegação não se sustentava do ponto de vista operacional. Empresas de pequeno porte e sem histórico relevante no sistema financeiro dificilmente teriam capacidade de gerar volumes dessa magnitude. A inconsistência levou os técnicos a aprofundarem a verificação dos registros oficiais de transferências e operações financeiras.
Ao relatar que a decisão de avançar na comunicação formal e na conclusão sobre a inexistência dos créditos ocorreu após uma reunião com representantes da Cartos e da Tirreno, Ailton Aquino indica que o BC passou a tratar o caso como evidência concreta de irregularidade, e não mais como uma inconsistência pontual de dados. O encontro, registrado em agenda pública, funcionou como gatilho para aprofundar a checagem nos sistemas oficiais de transferências e registros financeiros, o que reforçou a convicção da autoridade monetária de que os valores apresentados não encontravam lastro operacional. Esse movimento elevou o nível de alerta regulatório e contribuiu para o endurecimento das medidas de supervisão sobre as operações ligadas ao Banco Master, com impacto direto na avaliação de risco do caso.
O cruzamento das informações revelou ainda que a empresa citada nos depoimentos mantinha relacionamento financeiro apenas com o Banco Master. Não houve identificação de movimentações relevantes com outros bancos, nem registros de operações típicas de empresas que atuam na originação de crédito em larga escala. Para o Banco Central, esse padrão reforçou o entendimento de que os números apresentados não encontravam respaldo nos sistemas oficiais de monitoramento financeiro.
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