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CNBCTrump reforça tropas no Irã para forçar negociações de paz, mas estratégia pode ser arriscada

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Do mercado financeiro global ao mercadinho do seu bairro: alta do petróleo e do diesel pesa no dia a dia do brasileiro

Publicado 26/03/2026 • 22:51 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A alta dos combustíveis eleva os custos de transporte e logística, pressionando preços de alimentos, produtos industriais e bens importados, com repasse ao consumidor final
  • A dependência do transporte rodoviário no Brasil intensifica o problema: cerca de 60% a 65% das cargas circulam por caminhões, tornando o diesel um dos principais vetores de pressão inflacionária
  • Setores como o de alimentos são duplamente afetados, tanto pelo transporte quanto pelo uso de derivados de petróleo na produção
Petróleo

Produção

Preços do petróleo vem subindo como consequência do conflito no Oriente Médio

A guerra no Irã e o fechamento do estreito de Ormuz tem efeitos em várias camadas: de segurança mundial, de estabilidade geopolítica, de equilíbrio econômico e, até mesmo, em relação ao meio ambiente. Porém, quem sofre mesmo é a população, que sente os efeitos do conflito no bolso.

Isso porque, como a maior parte do transporte de mercadorias no Brasil depende de combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina e o diesel, tudo que é levado por automóveis movidos por combustão tende a encarecer. Da mesma forma, bens importados e produtos nacionais transportados entre regiões sofrem o mesmo efeito, especialmente em longas distâncias.

“A alta do diesel é, talvez, o choque de custo mais disseminado na economia brasileira. Isso acontece porque o Brasil depende fortemente do transporte rodoviário — cerca de 60% a 65% das cargas circulam por caminhões”, afirma Alex André, economista e head de Corporate Access da MZ Group.

Alguns setores da economia, entretanto, devem sentir o impacto mais fortemente. O setor produtor de alimentos, por exemplo, é afetado em mais de um vetor. “Há uma série de outros elementos que são, basicamente, derivados de petróleo que se tornam fertilizantes e defensivos agrícolas”, explica Jason Vieira, economista-chefe da Lev.

Outro agravante para o problema, já bastante espinhoso, é a falta de substitutos. Em geral, quando ocorre um aumento pontual no preço de um bem, é possível buscar alternativas, como a substituição. “Por exemplo, se o preço do tomate aumenta, pode-se comprar mais cebola, ajustando o consumo. No entanto, o aumento do preço do diesel eleva, de forma generalizada, os custos de transporte E não tem para onde fugir”, diz Filipe Ferreira, professor do Insper e sócio da CTW Consultoria.

No nível das empresas, a coisa muda de figura. Empresas com menor poder de repasse de preço sofrem mais. Ou seja: quem não consegue subir preços, perde margem. Quem consegue repassar, pressiona a inflação.

Há uma possibilidade de que o aumento prolongado nos preços contamine os índices de inflação, pressionando a manutenção de taxas de juros elevadas por mais tempo. Isso, por sua vez, pode prejudicar o setor produtivo e a capacidade de crescimento econômico. “Tudo isso depende do tempo. Ninguém tem uma previsão de quanto tempo o conflito deve levar. Quanto mais durar, maior é o impacto. O problema é que a gente não consegue mensurar isso”, conclui Vieira, da Lev.

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