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Brasil avalia abrir espaço para negociação entre Mercosul-China
Publicado 16/02/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 16/02/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 hora
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Montagem via Times Brasil | CNBC. Fotos: Canva Images
O Brasil estuda apoiar pela primeira vez um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, segundo autoridades do governo, em uma possível mudança de rumo para a maior economia da América Latina. As informações são da Reuters.
Historicamente, o país se opôs a negociações formais com Pequim para proteger indústrias domésticas do aumento de importações chinesas. Mas com a China buscando estreitar vínculos comerciais e os Estados Unidos impondo tarifas a parceiros comerciais, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reconsidera a posição.
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Durante a visita do presidente uruguaio, Yamandu Orsi, a Pequim nesta semana, uma declaração conjunta indicou a expectativa de que negociações sobre livre comércio entre Mercosul e China possam começar “o mais breve possível”. O bloco inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia prestes a se tornar membro pleno.
Embora um acordo amplo e formal ainda esteja distante, dois funcionários brasileiros disseram que um pacto parcial do Mercosul com a China é visto como viável no médio prazo, impulsionado pelas tarifas americanas que têm alterado fluxos comerciais e alianças globais.
“Precisamos diversificar nossos parceiros. A China tem a vantagem de que podemos trabalhar com um acordo parcial, apenas em algumas linhas tarifárias”, afirmou um dos oficiais à Reuters, que pediu anonimato devido à sensibilidade das negociações.
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Outro destacou que o bloco poderia avançar em barreiras não tarifárias, como cotas de importação, procedimentos alfandegários e normas sanitárias, o que abriria oportunidades relevantes no mercado chinês.
A cautela do Brasil em relação a um pacto mais amplo reflete o temor de que a produção industrial chinesa supere a capacidade de concorrência das indústrias locais. Ainda assim, o investimento chinês em fábricas brasileiras tem crescido nos últimos anos, e Brasília deseja manter essa expansão.
Analistas apontam que a pressão de Washington também influencia a movimentação de Pequim. “Há uma nova dinâmica na região em comércio que Trump está principalmente conduzindo. Ideias que antes pareciam travadas podem agora avançar”, disse Ignacio Bartesaghi, especialista em política externa da Universidade Católica do Uruguai, à agência de notícias.
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No entanto, qualquer acordo do Mercosul depende de consenso entre os membros, o que apresenta desafios. O Paraguai mantém relações diplomáticas formais com Taiwan, questão que complica, mas não inviabiliza, negociações com a China.
O país importou US$ 6,12 bilhões em produtos chineses em 2025 e participa das discussões do Mercosul-China. O presidente paraguaio, Santiago Peña, afirmou que não se opõe a um pacto, desde que o vínculo com Taiwan seja respeitado.
A Argentina, por sua vez, pode dificultar um consenso. Sob o governo de Javier Milei, o país prioriza a aproximação com os EUA, incluindo um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões.
Apesar de Pequim ser credor e comprador relevante de exportações agrícolas argentinas, especialistas consideram que Buenos Aires pode evitar apoiar negociações do Mercosul com a China se isso interferir no alinhamento com Washington.
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