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Campos Neto critica discurso de ‘nós contra eles’ e rebate Haddad sobre herança de juros
Publicado 06/07/2025 • 16:25 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 06/07/2025 • 16:25 | Atualizado há 1 ano
KEY POINTS
Roberto Campo Neto na sede do Banco Central em São Paulo
Paulo Pinto/Agencia Brasil
Em primeira entrevista após quarentena, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, prevê alta da dívida de 3 a 5 pontos por ano se governo não fizer superávits. Ele disse que qualquer decisão sobre as contas públicas no país atualmente cai na polarização política entre ricos e pobres.
“O discurso de ‘nós contra eles’ é ruim para todo mundo. Não é o que vai fazer o país crescer de forma estrutural. Precisamos unir todo mundo, o empresário, o empregado, o governo”, disse.
Campos Neto respondeu às críticas feitas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que o acusou de deixar uma herança de juros altos para seu sucessor no Banco Central, Gabriel Galípolo. “É lamentável quando se dá mais importância à construção de uma narrativa do que à busca de soluções estruturais”, disse Campos Neto.
O ex-presidente do BC disse não ter por princípio não “criticar pessoas, apenas ideias”. ” Como já havia um presidente [do Banco Central] participando das decisões, procurei, ao me aproximar da saída, dar mais espaço e peso à participação dele. Ele mesmo veio a público e confirmou isso.” Ele ainda contou que esteve recentemente com Galípolo na Suíça e que voltaram juntos no mesmo voo.
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Siga o Times | CNBCAo falar do trabalho de Galípolo como presidente do BC, Campos Neto disse não ter “nenhum reparo a fazer”. “Eles têm atuado de forma técnica, comunicado com transparência. Está fazendo um trabalho irretocável. Só que o problema não está no lado monetário, está no lado fiscal. O BC é um pouco passageiro desse momento fiscal, onde tem uma incerteza, uma guerra de narrativas. Inseriu-se um elemento político dentro do debate fiscal, que eu acho que está muito forte hoje”.
Campos Neto também negou qualquer intenção de apoiar uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Embora tenha evitado entrar nas especulações, Campos Neto comentou que percebe um movimento de fortalecimento da direita na América Latina. “As ideologias de esquerda são obcecadas por igualdade, mas não necessariamente pela redução da pobreza”, afirmou.
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