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Tarifaço: Durigan descarta retaliação contra EUA para evitar “mais prejuízos à economia brasileira”

Publicado 17/07/2026 • 13:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O governo brasileiro voltou a criticar as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
  • Ministro da Fazenda defende resposta cautelosa para evitar "mais prejuízos à economia brasileira".
  • A prioridade do governo é proteger as empresas brasileiras e manter abertas as negociações com o governo norte-americano.
Durigan

Times Brasil

O governo voltou a criticar as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, mas afirmou que seguirá buscando uma solução por meio do diálogo.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a medida como “sem razoabilidade” e “sem fundamento”, mas descartou, por ora, qualquer retaliação para evitar mais prejuízos à economia brasileira.

Segundo ele, a prioridade é proteger as empresas brasileiras e manter abertas as negociações com o governo norte-americano.

Leia também: Tarifaço dos EUA expõe setores brasileiros e acende alerta para nova guerra comercial

Governo descarta retaliação

Apesar da escalada nas tensões comerciais, Durigan afirmou que a palavra “retaliação” não faz parte da estratégia do governo neste momento. Segundo ele, o Executivo analisará os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, mas qualquer decisão será tomada com cautela para evitar prejuízos à economia brasileira.

“Vamos avaliar os mecanismos de reciprocidade oferecidos pelo Congresso Nacional ao governo brasileiro. Faço isso com cuidado porque não admito mais prejuízo à economia brasileira”, disse.

Governo mantém estratégia de negociação

Durigan afirmou que o Brasil vem tentando negociar tarifas desde o ano passado e destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Washington para discutir o tema com autoridades americanas.

De acordo com o ministro, o governo brasileiro apresentou argumentos técnicos que demonstram que a taxação não se justifica na relação comercial entre os dois países.

“Como a gente tem razão, não pode baixar a cabeça. Vamos fazer um bom debate e um bom enfrentamento, sempre de forma respeitosa”, afirmou.

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Fazenda questiona justificativa dos EUA

O Durigan argumentou que a justificativa utilizada pelos Estados Unidos para impor barreiras comerciais não se aplica ao Brasil.

Segundo ele, a política tarifária americana foi criada originalmente para enfrentar desequilíbrios comerciais com países que registram grandes superávits nas exportações para os EUA, como a China.

No caso brasileiro, porém, Durigan destacou que o cenário é inverso. “O Brasil compra mais dos Estados Unidos do que vende. Isso gera déficit para o Brasil e superávit para os Estados Unidos”, afirmou.

Ele também criticou a mudança do fundamento jurídico utilizado pelo governo americano para manter as tarifas. Segundo Durigan, após questionamentos à base legal anterior, os Estados Unidos passaram a justificar a medida com alegações de práticas comerciais desleais, argumentos que classificou como “falsos”.

Pix entra na disputa comercial

Durigan também reagiu às críticas feitas pelos Estados Unidos ao Pix durante a investigação comercial. Segundo ele, o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública e não representa concorrência desleal.

“Classificar o Pix como uma prática desleal é um completo absurdo”, afirmou. “O Pix vai ser preservado como um serviço público oferecido aos brasileiros”, completou Durigan.

EUA confirmam novas tarifas

As declarações de Durigan ocorreram após o governo do presidente Donald Trump confirmar novas tarifas sobre produtos brasileiros. O anúncio foi feito pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, durante uma teleconferência com jornalistas.

Greer afirmou que os Estados Unidos tentaram negociar mudanças em políticas brasileiras antes da decisão e alegou que o Brasil concedeu benefícios comerciais ao México e à Índia sem oferecer tratamento semelhante aos EUA.

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